Alzira à frente do seu secretariado: o poder femininoCrédito: Arquivo de família
Este colunista tem um orgulho imenso de ser bisneto de Alzira Soriano, a primeira mulher a ser eleita prefeita e a administrar um município em toda a América Latina. Todos os anos, em abril, o município de Lages, no Rio Grande do Norte, promove a Semana Alzira Soriano. Não somente para celebrar a façanha que introduziu na vida política brasileira um contingente que hoje corresponde a 104,5 milhões, 51% da população brasileira. Mas também pelo legado que Alzira deixou no município de Lages, embora seu mandato, iniciado em 1928, tenha sido interrompido dois anos depois pelo golpe dado por Getúlio Vargas. Foi ela quem levou iluminação pública para a cidade. Foi também quem abriu várias estradas para ampliar o acesso à cidade do sertão nordetino. Ou seja, quem votou em Alzira Soriano esteve muito longe de votar "muito mal".
João Figueiredo foi o último ditador militar
General Figueiredo: o poder militarCrédito: Orlando Brito
Paulo Figueiredo é neto do general João Batista Figueiredo, o último presidente da ditadura militar. Ex-chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), em muito contribuiu para a manutenção de um regime que interrompeu a trajetória democrática por mais de vinte anos. O general Figueiredo concluiu o seu mandato, mas não passou a faixa presidencial para o primeiro presidente após a redemocratização, José Sarney. É possível que também tenha seus motivos para se orgulhar de seu avô.
"Mulheres como inimigas"
Em um podcast que circula nas redes sociais, Paulo Figueiredo, ao criticar Michelle Bolsonaro, resolveu dizer que "as mulheres votam muito mal". Disse que isso era um "dado estatístico", baseado no fato de que, considerado um estrato somente feminino, com exceção de Ronald Reagan, os candidatos do Partido Democrata venceriam todas as eleições nos Estados Unidos. "É um ataque vil de quem trata mulheres como inimigas", constatou, ao Correio Político, a senadora Eliziane Gama (PT-MA).
Mulheres à direita também se indignaram
O Correio Político ouviu também duas parlamentares do segmento da direita. Que preferiram não se manifestar publicamente para não aumentar ainda mais a polêmica. Mas que, da mesma forma, mostraram-se indignada com a fala de Paulo Figueiredo. Se os vídeos de Michelle pareciam expor machismo de Flávio e seu segmento, Paulo Figueiredo tratou de confirmar e ampliar esse machismo.
Silêncio
Para Eliziane Gama, o maior espanto veio do silêncio de Flávio Bolsonaro. "É estarrecedor o silêncio do pré-candidato à Presidência diante dos comentários misóginos de seu aliado e foragido, Paulo Figueiredo. Não repudiar essa fala é compactuar diretamente com o ódio a todas nós", disse Eliziane. Há um ponto grave: o que é "votar muito mal" para Figueiredo?
Democracia
O "dado estatístico" mencionado por Paulo Figueiredo referia-se à hipótese de que as mulheres nos EUA, na sua maioria, teriam preferido candidatos à Presidência diferentes dos dele. Ou seja, para o neto do general Figueiredo, "votar muito mal" é fazer uma escolha diferente. O que demonstra certa incompreensão da escolha democrática.
Problema
O problema do ataque de Paulo Figueiredo às mulheres é que elas não deixarão de votar. Desde Alzira Soriano em 1928, elas conquistaram essa condição. Se elas representam 51% da população, é ainda maior sua maioria no eleitorado: 52,47% do eleitorado brasileiro é de mulheres. São mais de 81 milhões. Flávio precisa dos votos delas.
Quase metade
Mesmo na pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (29), que deu certo respiro a Flávio, há prejuízo entre as mulheres. Se Lula tem 42% do total no primeiro turno, tem 48% das mulheres. Se Flávio tem 34%, entre as mulheres ele dispõe somente de 29%. Se Flávio quer ultrapassar Lula, ele precisa ampliar seu eleitorado feminino.
Presença feminina
Como disse Michelle em seu vídeo, ela, na presidência do PL Mulher, teria ampliado em 44% a presença feminina no partido. Paulo Figueiredo diz, agora no seu vídeo, que isso não teria tido influência alguma no desempenho eleitoral de Flávio, porque ele, como mostrou a BTG/Nexus, ele perde bastante no eleitorado feminino.
Candidatas
Bem, há problemas nesse raciocínio. Em diversos lugares, são mulheres do PL que lideram a corrida para o Senado. A própria Michelle no Distrito Federal. Mas acontece também em Santa Catarina, onde a liderança para o Senado é da deputada Caroline de Toni, superando Carlos Bolsonaro. Se votarem "muito mal", elas votarão em Flávio?
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