Consultoria aponta indícios de que Flávio esteja sendo cristianizado
14 de julho de 202600:03POR
rudolfo lago
Neutralidade do PP de Ciro Nogueira dificulta aliançasCrédito: Reprodução/Instagram
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (13) aponta para uma situação de estabilidade na trajetória eleitoral do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. O levantamento mostra que Flávio parou de cair: ele manteve o mesmo percentual de 34% das intenções de voto no primeiro turno que tinha na rodada anterior. Enquanto isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) experimentou uma queda de dois pontos: de 42% para 40%. Na simulação de segundo turno, os dois aparecem em empate técnico dentro da margem de erro: Lula com 47% e Flávio com 44%. Apesar dessa situação, a Hold Assessoria Legislativa, empresa que tem como sócios o cientista político André Cesar e o advogado Alvaro Maimoni, enxergou, em comentário feito para seus clientes, um risco de que Flávio esteja sendo "cristianizado" por alguns de seus aliados.
Termo remete a Cristiano Machado em 1950
PSD abandonou Cristiano Machado em 1950Crédito: CPDoc/FGV
Na ciência política, diz-se que um candidato é cristianizado quando ele é abandonado na prática por seus aliados que passam a mirar outras opções. O termo remete ao que aconteceu nas eleições de 1950. O candidato oficial do PSD era o ex-prefeito de Belo Horizonte Cristiano Machado. Mas o partido resolveu abandoná-lo e, veladamente, apoiou a candidatura de Getúlio Vargas, do PTB, que acabou sendo eleito. O episódio levou à criação do termo "cristianização".
Riscos vêm após o caso Flávio/Master
Desde então, candidatos que são abandonados por seus partidos são "cristianizados". Os episódios dos últimos dias, desde os problemas que Flávio Bolsonaro teve após sua crise com o Banco Master, após a divulgação das conversas em que o candidato do PL pede ao banqueiro Daniel Vorcaro dinheiro para financiar a cinebiografia de seu pai, Jair Bolsonaro, levaram a Hold a apontar para o risco. A situação agravou-se após a madrasta de Flávio, Michelle, divulgar vídeos em que afirma ter sido atacada e humilhada por Flávio.
"Imparáveis" ou neutros
Na sequência, Michelle Bolsonaro foi tirada da presidência do PL Mulher. Em vez de ceder, ela divulgou na semana passada a criação do grupo que batizou de "Imparáveis", apontando para a hipótese de manter sua trajetória política independentemente de seu enteado e do PL. Na mesma semana, dois partidos que tendiam a apoiar Flávio, PP e União Brasil, anunciaram que ficarão neutros na campanha.
Damares
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que vinha atuando na elaboração do plano de governo de Flávio na área de direitos humanos, anunciou a sua retirada da equipe. Damares é amiga de Michelle, e solidarizou-se com ela nos ataques que ela sofreu de Flávio, e especialmente depois, com os ataques desferidos por Paulo Figueiredo.
Rio de Janeiro
A Hold aponta ainda a operação da Polícia Federal no Rio de Janeiro que prendeu o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella. Ele era o nome indicado por Flávio para o Senado no Rio. A indefinição quanto à chapa de Flávio no Rio para o Senado leva alguns a interpretarem que Flávio possa estar guardando lugar para ele próprio, num plano B.
Alternativas
"Não podemos deixar de anotar todas essas situações", disse André Cesar ao Correio Político. Mas o mesmo André Cesar aponta que é cedo para cravar que algo assim irá mesmo acontecer. "O grande problema é: qual é a alternativa que o campo conservador tem?", complementa o cientista político, diante da falta de tração das demais opções.
25 de julho
O grande problema é que falta agora pouco mais de duas semanas para a convenção partidária que deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro para o PL. E há ainda uma série de questões em aberto para a formação da chapa. As principais estão relacionadas à amplitude da aliança e à escolha do candidato a vice-presidente.
Alianças
Sem PP e União, o PL pode ir para a eleição sozinho. O Novo, com o qual o PL se aliou em Santa Catarina, tem seu próprio candidato à Presidência no momento, Romeu Zema. Assim como o PSD, com Ronaldo Caiado. O MDB também deve assumir uma posição de neutralidade na disputa eleitoral. Resta como hipótese o Republicanos.
Mulher
Flávio quer uma mulher como vice. Se já estava difícil, a neutralidade do PP elimina como hipótese de vice a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Uma possibilidade que cresce é a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, filiada ao Republicanos. Ela hoje ajuda na elaboração do plano econômico de Flávio. Mas praticamente não agregaria votos.
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