BRASILIANAS | Consórcio entre o DF e Goiás é a possível solução para baratear passagens
Sugestão consta de estudos coordenados pelo Ministério dos Transportes. Decisão precisa de aval do Governo Federal

Sugestão consta de estudos coordenados pelo Ministério dos Transportes. Decisão precisa de aval do Governo Federal
Outro item na pauta sobre a mobilidade no Entorno será o destino dos estudos que serão anunciados em breve pelo Grupo de Trabalho Interfederativo (GT) instituído pelo Ministério dos Transportes pela Portaria nº 129/2024, com o objetivo de reduzir tarifas e aprimorar os serviços de transporte público coletivo na região do Entorno.
No próximo dia 25 de fevereiro está marcada a próxima reunião e ela poderá definir pela conclusão dos trabalhos desse GT, que caminha para propor a formação de um consórcio tripartite envolvendo o Governo Federal e os governos do DF e de Goiás, para a gestão dos ônibus semiurbanos.
A proposta (que deverá ser avaliada previamente na reunião de amanhã no Palácio do Buriti) é a de que se estabeleça o valor de uma tarifa pública comum para o Entorno - que, segundo estudos técnicos, está estimada em R$ 5,00 (esse é o valor que seria pago pelos usuários) e que Goiás e o DF rateiem um subsídio mensal para custear a diferença entre o que for arrecadado e o valor real gasto. A tal da tarifa técnica.
Estudos aos quais "Brasilianas" teve acesso indicam que caberiam aos dois governos a subvenção de aproximadamente R$ 3,74 por passagem (isso sem contar o recente reajuste anunciado pela ANTT). Assim, cada passagem foi estimada em R$ 8,74.
Por esses cálculos, o GDF e o Governo de Goiás teriam de ratear anualmente cerca de R$ 200 milhões em subsídios - metade desse valor (R$ 100 milhões) para cada um.
Se for considerado que o GDF já custeava cerca de R$ 1 bilhão e 500 milhões por ano pelas passagens no DF (isso sem contar com as novidades a serem custeadas pela recém Tarifa Zero), o valor proposto chega a aproximadamente 7% desse total já gasto pelo DF.
E a parte do governo federal?
Inicialmente, a ideia era que o subsídio à tarifa fosse dividido em três partes iguais. Houve resistência do Ministério dos Transportes (e da Casa Civil da Presidência), que enxerga na iniciativa um problema, pois o modelo teria de ser replicado em outras localidades no País que também têm "dupla fronteira" e cobrariam isonomia.
Exemplo: Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), que são divididas pelo rio São Francisco; e Timon, no Maranhão, que faz divisa com Teresina, capital do Piauí, divididas pelo rio Parnaíba. Essas, além de outras regiões entre Minas Gerais e o Espírito Santo, que também pleiteiam algo semelhante.
Assim, a ideia agora é que o Governo Federal entre com investimentos em infraestrutura, como para construir e equipar o BRT que atenderia a Luziânia (este já tem projeto, estimado em R$ 1 bilhão) e o BRT de Águas Lindas (ainda em prospecção, orçado em R$ 700 milhões), além da extensão do BRT Norte (que ligaria Planaltina de Goiás a Planaltina no DF, também ainda sem estudos técnicos no momento).
Somam-se a isso estruturas de duplicação de algumas vias, construção de terminais e de pontos de ônibus e passarelas. Os recursos poderiam, por exemplo, vir de programas oficiais, como os do Novo PAC em Mobilidade Urbana, que darão prioridade aos transportes de alta e média capacidade para reduzir o tempo de deslocamento nos grandes centros urbanos e melhorar a qualidade de vida da população. Ao todo, a União deve repassar até R$ 33 bilhões, até 2026.
Se tudo der certo, a decisão que venha a ser tomada pelos governadores terá de ser validade pela Assembleia Legislativa de Goiás e pela Câmara Legislativa do DF. No caso do Governo Federal, a iniciativa terá de ser ratificada pela ANTT, que é a gestora do sistema.