Por: William França

BRASILIANAS | Obra do VLT terá duas fases e prevê que os trens passem a cada 3 minutos

Em vermelho, aparecem os trajetos em que serão feitos o VLT (fases 1 e 2) | Foto: Consórcio Comporte

GDF pretende anunciar, em breve, projeto do VLT, elétrico e sobre pneus, na W3 Norte e Sul - que irá 'economizar' 400 ônibus. Serão 24 estações

A Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) e a Secretaria de Obras (Serob-DF) estão trabalhando, de forma conjunta, para criar as condições para que o projeto do VLT (veículo leve sobre trilhos), que era uma promessa do governo Arruda, saia do papel ainda este ano. A intenção do GDF é que o projeto seja anunciado por Ibaneis Rocha, mas para ser executado na (prevista pelos técnicos) gestão Celina Leão (PP).

O secretário de Transporte e Mobilidade (Semob-DF), Zeno Gonçalves, disse à coluna que a entrada em operação do VLT "irá transformar completamente a forma como é operado o transporte público do Plano Piloto". Ele explicou que a ideia é que cerca de 400 ônibus que circulam pelas W3 Norte e Sul diariamente deem lugar ao VLT - e, com isso, esses ônibus poderão ser remanejados para outras áreas do DF, ampliando a oferta em áreas que têm carência, sem onerar o atual sistema.

O que se pretende é que as ligações entre o Terminal Asa Sul (TAS) e o Terminal Asa Norte (TAN) - este último, em fase de licitação - sejam interligados por ônibus articulados, elétricos, que dependendo do modelo podem transportar entre 100 e 270 passageiros.

Uma das questões que emperravam o projeto do VLT era a exigência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no DF (Iphan-DF), que não autorizou a utilização do canteiro central para a construção do VLT. O Iphan-DF também não tinha autorizado o uso das catenárias (conjunto de cabos de suspensão para fornecer energia elétrica aos veículos).

A solução - que vai custar pelo menos 30% a mais - será a de usar alimentação por via térrea, enterrada, tal como o VLT que serve o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por exemplo. O custo estimado é de R$ 2,5 bilhões. Desse total, R$ 1,5 bilhão seria de responsabilidade do GDF e o restante da empresa vencedora da concessão (que deverá ser feita).

Um primeiro desenho indicou que a frota do VLT seria de 40 trens, cada um deles com o tamanho equivalente a três ônibus articulados, que poderão transportar cerca de 300 pessoas. A fase 1 do VLT contará com 24 estações (uma a cada duas quadras da W3) e 17 Km de vias, ligando a Hípica (que seria a estação terminal Sul, juntamente com o pátio e o centro de operações) e o TAN, na ponta oposta da cidade.

A segunda fase do VLT prevê a ligação do Termina da Asa Sul com a Estrada-Parque Aeroporto, passando pelo Zoológico de Brasília, com aproximadamente 6.1Km de extensão.

Macaque in the trees
Em vermelho, aparecem os trajetos em que serão feitos o VLT (fases 1 e 2) | Foto: Consórcio Comporte

Nova visita à China

"Brasilianas" apurou que daqui a dois meses uma equipe de técnicos da empresa que foi contratada para fazer a modelagem do sistema, a Comporte (consórcio que está fazendo os estudos de viabilidade do empreendimento e as minutas de edital e contrato, que subsidiarão a futura licitação da parceria público privada), liderados pela Semob-DF, irá à China para avaliar dois modelos de "trens sob pneus".

A questão sobre a escolha de qual modelo poderá operar tem um item a mais a ser observado: o comboio terá de ter propulsão suficiente para subir a rampa que fica entre as duas W3 (na altura da Torre de TV). Num sentido ou em outro, terá de ter impulso para subir, com velocidade, com o peso equivalente à capacidade máxima do trem.

Os estudos preveem a saída de um trem a cada 3 minutos (no horário de pico) e a cada 6 minutos (em horários convencionais).

O consórcio Comporte é formado pela Piracicabana, a Serveng, a BR Capital e a T'Trans, especializada em ferrovias. Esse grupo é o mesmo que está trabalhando para viabilizar o trem de alta velocidade entre Campinas e a capital paulista, em São Paulo.