Impressionante o atraso do Brasil na mobilidade da sua população. Milhões de brasileiros se amontoam em transportes precários. Além de uma torturante demora de horas e horas para ir ao trabalho e retornar para a casa. E, no final de semana, a dificuldade de se deslocar para lugares atrativos para o seu lazer.
Perder 2, 3, 4 horas do seu dia para se deslocar é um sacrifício desumano. Horas que a pessoa poderia estar desfrutando com a família, no descanso de casa, ou realizando outra atividade.
A maioria da população se aperta em ônibus desconfortáveis e vans precarizadas. As opções de transporte de massa são mínimas. Metrô, por exemplo, no Brasil tem poucos quilômetros de extensão. Já abordei o tema nesse espaço do Correio. Mas nunca é demais reforçar nossa carência nacional em um modal vital para a qualidade de vida dos brasileiros.
Só a cidade de Xangai, na China, tem uma rede metroviária de mais de 800 quilômetros de extensão. O país tem milhares de quilômetros de extensão metroviária em suas cidades. Já Moscou tem mais de 500 quilômetros de extensão o seu metrô.
E assim vamos ter exemplos nas cidades dos Estados Unidos, da Europa e de outros países asiáticos, como a Coreia do Sul.
O Brasil tem uma rede de metrô de 307 quilômetros. A cidade de São Paulo tem a maior rede, com um pouco mais de 104 quilômetros. O Rio, a segunda cidade com a maior extensão de metrô, tem 57 quilômetros.
É muito pouco para 180 milhões de brasileiros que moram nas regiões metropolitanas do país. E o que é pior: não há um plano de expansão pactuado entre os três níveis de governo. Que tenha planejamento e metas a serem alcançadas no médio e longo prazo.
Não há ambição e ousadia para a expansão do transporte menos invasivo às cidades e ambientalmente mais correto: o metrô.
Aqui no Rio, desde que dupliquei o metrô subterrâneo na cidade, nunca mais se inaugurou um quilômetro de metrô. E a estação semipronta da Gávea tem dez anos que não foi concluída.
Somente com o esforço dos três níveis de governo e com a participação e financiamento dos bancos nacionais do governo federal, além da captação de financiamento dos organismos de desenvolvimento e financiamento internacionais, teremos um planejamento e execução da expansão do metrô; para valer! Para enfrentar o drama de milhões de brasileiros que sacolejam diariamente por horas a fio para se deslocar em transportes poluentes e precários.
O direito de ir e vir deve incorporar o conceito do direito à uma mobilidade digna para as brasileiras e brasileiros.
*Jornalista. Instagram: @sergiocabral_filho