Em busca de seu quarto título no Grupo Especial, a Unidos da Tijuca escolheu levar à avenida o enredo “Logun Edé – Santo Menino que o Velho Respeita”. Desenvolvido por Edson Pereira, o tema narra a trajetória da divindade das religiões de matriz africana conhecida como o “príncipe dos orixás”. Segundo a tradição iorubá, Logun Edé é filho de Oxum, orixá ligada às águas doces e à pesca, e de Oxóssi, senhor das matas e da caça. O enredo celebra a dualidade, a beleza e a sabedoria desse orixá, que é reverenciado tanto por sua juventude quanto por sua profundidade espiritual.
Logun Edé representa ainda a união entre o feminino e o masculino, a água e a terra, a juventude e a sabedoria. O tema explora essa dualidade, destacando sua importância como símbolo de equilíbrio e harmonia. Graças a essas virtudes, o orixá menino é respeitado por seus pares mais velhos.
“Quando cheguei à escola, havia um forte desejo de homenagear Logun Edé. Outros enredos estavam em pauta, mas senti que este era o momento ideal para contar essa história e trazer uma energia positiva, algo que a comunidade abraçasse”, diz o carnavalesco Edson Pereira.
Figurinista por formação, Edson iniciou sua trajetória no Carnaval em 1992 como pintor de arte, acumulando diferentes funções ao longo dos anos. Antes de assumir a criação da escola azul e amarelo-ouro, esteve à frente da Unidos de Padre Miguel por 16 anos.
Na construção do enredo, Edson realizou uma pesquisa minuciosa para entrelaçar a história do orixá com a da escola e encontrou coincidências marcantes. Fundada em 1931 no bairro da Tijuca, na Zona Norte do Rio, a agremiação nasceu na Rua São Miguel — nome que, no sincretismo religioso, corresponde a Logun Edé. Além disso, a escola carrega as mesmas cores da divindade em seu pavilhão, o azul e o amarelo, e compartilha com ele seu símbolo: o pavão.
ENREDO: “Logun Edé – Santo Menino que o Velho Respeita”
"Reflete o espelho… Orisun"
Nas águas de Oxum, à luz de Orunmilá
Magia que desaguou na ribeira
E fez o caçador se encantar
Sou eu, sou eu
Príncipe nascido desse grande amor
Herdeiro da bravura e da beleza
É da minha natureza a dualidade e o fulgor
De tudo que aprendi, o todo que reuni
Fez imbatível a força do meu axé
Com brilho imenso, desafio o consenso, inquieto e intenso
Sou Logun Edé
Oakofaê, odoiá
Oakofaê, desbravei o mar
Não ando sozinho, montei no cavalo-marinho
Abri caminho pro povo de Ijexá
E no rufar dos Ilus, meu tambor
A fé no Kale Bokum assentou
A proteção de meus pais, ofás e abebés
Sou a Tijuca e seus candomblés
Um lindo leque se abriu, ori do meu pavilhão
Amarelo ouro e azul pavão
Orixá menino que velho respeita
Recebi sentença de pai Oxalá
Eu não descanso depois da missão cumprida
A minha sina é recomeçar
Logun Edé
Logun arô
Logun Edé loci loci Logun arô
A juventude do Borel
Desce o morro pra cantar em seu louvor
Autores: Estevão Ciavatta, Feyjão, Miguel PG, Fred Camacho e Diego Nicolau