Por: Rodrigo Fonseca  Especial para o Correio da Manhã

Ocupar é vencer

'Oeste Outra Vez' espatifa o ethos da hombridade ao narrar a rixa entre Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana) por um mesmo amor | Foto: Divulgação

Ganhador do troféu Kikito de Melhor Filme em Gramado, em agosto passado, "Oeste Outra Vez" pede passagem pelas salas de exibição a partir desta quinta-feira, usando seu aroma de pólvora para atrair olhares para um estudo sobre violência. Um estudo pilotado pelo diretor Erico Rassi que espatifa o ethos da hombridade sem pena, ao narrar a rixa entre Totó (Ângelo Antônio) e Durval (Babu Santana) por um mesmo amor. No mesmo dia, quem pede passagem é o vencedor do Festival do Rio 2023, "A Batalha da Rua Maria Antônia", um épico que garantiu à diretora Vera Egito prestígio e elogios em mostras no exterior.

Se o poprtal Ingresso.Com (site infalível na aquisição de tíquetes) cumprir suas previsões - e quase sempre cumpre -, mais cinco títulos nacionais vão se juntar a essas duas produções laureadas, ampliando a ocupação brasileira no circuito antes da invasão dos blockbusters hollywoodianos do verão americano. Há chances de, na virada da maré, ao fim desta terça-feira (quando exibidoras/es batem o martelo sobre os horários das sessões) algum dos filmes listados pelo Correio da Manhã nesta reportagem caia. Até o momento, contudo, temos uma oferta invejável para ampliar a cota de tela do nosso cinema, que ganhou o Oscar em pleno domingo de carnaval com "Ainda Estou Aqui" (em via de somar 6 milhões de pagantes) e faturou bonito com "O Auto da Compadecida 2" e "Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa". A diversidade do que vem pela frente promete manter os números em alta. Continua na página seguinte

 

Safra de drama familiar, thriller político e animação futurista e...

A luta contra um tumor maligno demarca a potência da atriz Suzana Pires, com direito a uma atuação luminosa de Marieta Severo em 'Câncer com Ascendente em Virgem' | Foto: Mariana Vianna/Divulgação

Muita gente deve entupir os multiplexes que hão de exibir "Câncer Com Ascendente Em Virgem", de Rosane Svartman, a partir desta quinta-feira (27). Uma espécie de "Rocky Balboa" da luta contra um tumor maligno, demarcando a potência da atriz Suzana Pires, com direito a uma atuação luminosa de Marieta Severo. A atual experiência cinematográfica da realizadora de "Como Ser Solteiro" (1998) é baseada na peleja inspiradora da produtora do longa-metragem, Clélia Bessa, para derrotar uma ameaça à sua saúde, hoje curada.

Durante o tratamento que a curou de um câncer de mama em 2008, Clélia lançou um blog que se notabilizou por seu tom de desabafo. Chamava-se "Estou com Câncer, e Daí?". A partir dele, Rosane estruturou a narrativa, tendo Suzana (impecável) no papel central.

Na seara da invenção, "Mario De Andrade, O Turista Aprendiz", de Murilo Salles, garante a esta semana um meio de escarafunchar legados da Semana de Arte Moderna de 1922. O realizador de "Nunca Fomos Tão Felizes" (1984) passeia pelas anotações do inquieto bardo modernista com base em sua visita ao rio Amazonas, em 1927, anterior à criação de "Macunaíma". Um ensaio visual sai desse confronto da imagem com a prosa, num processo de edição sofisticado.

Uma sci-fi com tintas de "Star Wars", mas de CEP paulista, vai agitar a massa crítica de brasilidades nas telas: "Mundo Proibido", de Camila Carrossine e Alê Camargo. No longa, o viajante aventureiro Fujiwara Manchester e sua namorada, Lydia, partem para uma jornada intergaláctica em busca de um tesouro perdido que pode deixá-los ricos.

São Paulo também bate ponto nessa leva com "Estranhas Cotoveladas", de Reinaldo Volpato. Em seu enredo, a médica Ella Trieste se coloca no centro de um triângulo amoroso: quer dispensar Pedro Álvares, jovem usineiro de cana-de-açúcar, para ficar com Tiê Paixão, agrônomo que está implantando em seu sítio uma espécie de agricultura familiar e orgânica. Entre a lua nova e a lua cheia, sob o olhar da Torre de Pedra, o filme revela as complexas vicissitudes de uma juventude em ebulição.

Nos gramados do documentário, "Diária da Feira", de Silvia Fraiha, vai ampliar o colorido antropológico de nossas telonas ao analisar o dia a dia de quem enche a nossa mesa de frutas e legumes. É uma análise socioeconômica da atividade de feirantes.

Vai ter ainda uma reestreia nesse bonde do Ocupa, Brasil: a chegada em cópia restaurada de "Onda Nova" (1983), de Ícaro Martins e José Antonio Garcia, que brilhou no Festival de Locarno de 2024, na Suíça.