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Morre Ney Latorroca,aos 80 anos

Ney Latorraca na 46ª edição do Festival de Gramado por sua contribuição ao cimema brasileiro | Foto: Divulgação

Um dos artistas mais queridos dos brasileiros, o ator Ney Latorraca morreu na manhã desta quinta-feira (26) no Rio, aos 80 anos. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa da Clínica São Vicente, hospital onde o artista estava internado desde o dia 20. A causa da morte não foi divulgada mas, segundo portal G1, Ney sofria de um câncer de próstata e morreu em decorrência de uma sepse pulmonar. Sua versatilidade e capacidade de se adaptar a diferentes gêneros o tornaram um ator completo e admirado por colegas e público.

"A Clínica São Vicente lamenta profundamente a morte do paciente Antonio Ney Latorraca na manhã desta quinta-feira e se solidariza com a família e amigos por essa irreparável perda. O hospital também informa que não tem autorização da família para divulgar mais detalhes", diz a nota divulgada pelo hospital.

De acordo com depoimento do ator ao programa Memória Globo, da TV Globo, Ney Latorraca é filho de artistas. Seu pai era cantor e crooner de boates, e sua mãe era corista. "Aprendi desde pequeno que precisava representar para sobreviver, o que nunca me deixou um trauma, pelo contrário. Sempre fui uma criança diferente das outras, tive uma história instigante. Às vezes, eu tinha que dormir cedo porque não havia o que comer em casa. Então, até hoje, para mim, estou no lucro. Minha vida é sempre lucro", afirmou na ocasião.

Ney Latorraca nasceu em Santos, no litoral sul de São Paulo, em 25 de julho de 1944. Em sua cidade natal, aos 19 anos, Ney passou em seu primeiro teste e fez "Pluft, o Fantasminha", peça de Maria Clara Machado. Após isso, resolveu apostar na carreira de ator e se mudou para São Paulo.

Na capital paulista, passou em um teste com o diretor Plínio Marcos, no Teatro Arena, mas a peça "Reportagem de um Tempo Mau", do próprio Plínio, não chegou a entrar em cartaz pois o governo militar censurou a peça e mandou prender os atores. De volta à Santos, Ney trabalhou em banco, em loja de roupa feminina e foi vendedor de pedra semipreciosa. Se matriculou na Escola de Arte Dramática e fez algumas peças, até ir para a TV Tupi, onde fez figurações e pontas.

No Rio, fez parte da primeira montagem no musical "Hair" no Brasil. O ator passou ainda pela TV Cultura e pela TV Record, onde trabalhou por cinco anos antes de estrear na TV Rede Globo, onde ficou conhecido por papéis em novelas e programas humorísticos. Seu primeiro trabalho na emissora foi em 1975, na novela "Escalada", transmitida ainda em preto e branco, em que contracenava com Susana Vieira.

Seu talento e carisma logo o destacaram, e ele se tornou um rosto familiar para o público. Ao longo dos anos, interpretou uma variedade de personagens, desde galãs até vilões complexos, sempre com maestria e dedicação. Um dos papéis mais marcantes de Ney na TV foi o do vampiro Vlad, na novela "Vamp" (1991). Sua interpretação irreverente e cômica transformou o personagem em um dos maiores sucessos da televisão brasileira.

No humorístico "TV Pirata", Ney brilhou como Barbosa, um dos integrantes do grupo que parodiava programas de televisão. Sua atuação, repleta de improvisos e timing cômico impecável, conquistou o público e o tornou um ícone da comédia brasileira.

Além desses personagens icônicos, Ney Latorraca também se destacou em outras novelas de sucesso, como "Estúpido Cupido", "Rabo de Saia", "Vale Tudo", "A Indomada" e "A Viagem".

Embora tenha uma trajetória mracante na TV, Ney participou da montagem de um dos espetáculos teatrais de maior sucesso no Brasil. Sua parceria com Marco Nanini em "O Mistério de Irma Vap" foi um marco no teatro brasileiro. A peça, que ficou em cartaz por 11 anos consecutivos, quebrou recordes e entrou para o Guinness Book, como a peça teatral com a maior temporada da história do Brasil.

Sua estreia no cinema aconteceu em 1969, no filme "Audácia - A fúria dos desejos". Ao longo de sua carreira, Ney participou de diversas produções, colaborando com diretores renomados como Paulo Cezar Saraceni, Bruno Barreto, Ruy Guerra e Ana Carolina em filmes como "O Beijo no Asfalto", "Ópera do Malandro", "Ele, o Boto" e "Irma Vap - O Retorno", na qual retornou ao universo da peça. Seu último trabalho na telona foi "Introdução à Música do Sangue" (2015). Em 2018, o ator recebeu homenagens no 46º Festival de Cinema de Gramado.

Ney era casado há 30 anos com o escritor Edi Botelho.