Por: Olga de Mello | Especial para o Correio da Manhã

CRÍTICA / LIVROS: Leituras de pressão pré-carnavalesca

coluna livros | Foto: Criado com a Inteligência Artificial Dall-E

Carnaval é para pular, ver, acompanhar. E ler, também. O colorido das fantasias dos desfiles das escolas de samba cariocas está no belíssimo "Pra tudo se acabar na quarta-feira" (Capivara, R$ 190), que aborda a intervenção dos carnavalescos a partir de meados do século XX na manifestação festiva criada pelo extrato mais humilde da população da cidade.

Enquanto os textos dos especialistas no tema Haroldo Costa e Luiz Antônio Simas recordam a evolução dos desfiles, os organizadores do livro, Miguel Pinto Guimarães e Luísa Duarte, tratam dos espetáculos como manifestações artísticas requintadas. A história de criadores, entre eles Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues e Max Lopes, é detalhada em biografias entremeadas por imagens exuberantes, captadas por fotógrafos dos principais jornais brasileiros. A edição bilíngue traz ainda a reprodução de croquis dos carnavalescos, numa festa sensorial a ser saboreada pelo leitor.

Quem não é folião, aproveita o maior feriado brasileiro para relaxar antes do início do ano oficial do país, que começará na segunda-feira pós Carnaval. Para se desligar do baticum e se refestelar na rede, "Catorze dias" (Rocco, R$ 94,90) tem a Covid e um edifício de Nova York como ensejo para uma recriação livre do "Decamerão", o clássico de Boccaccio, que escandalizou a sociedade da Idade Média com as 100 narrativas contadas por um grupo de jovens que se fecham em um castelo da Toscana, a fim de escapar da Peste Negra. Organizadas por Margaret Atwood e Douglas Preston, as histórias foram escritas por 36 autores dos mais diversos gêneros literários, como Sylvia Day, Emma Donoghue, R.L. Sime, Erica Jong, Celeste Ng, John Grisham e Tess Gerritsen. No fim do volume, é possível descobrir quem escreveu o quê.

Em 2022, Nita Prose lançou o divertido e hipnótico thriller, "A camareira", que tinha Molly Gray, uma jovem singela, criada pela avó, como a protagonista. As novas aventuras de Molly em "O hóspede misterioso" (Intrínseca, R$ 69,60) servem para esclarecer o passado misterioso da moça e talvez até explicar sua excessiva ingenuidade, porém o enredo carece do tom brejeiro do primeiro livro. Ainda assim, é cativante o suficiente para um suspense que evoca Agatha Christie em ambientação contemporânea.

Uma forma de esquecer do verão inclemente que assola o país é transportar-se para a Coreia do Sul, cenário do delicado "Inverno em Sokcho" (Ayiné, 59,90), cuja temperatura média na estação fica em torno de 15 graus negativos. O idílio entre um cartunista francês de meia idade e a jovem atendente da pousada onde ele se hospeda é delicado e lento, acompanhando a temporada em que a cidade turística fica vazia. Choques culturais e etários se sobrepõem à união do casal neste premiado livro de estreia de Elisa Shua Dusapin, que, como a protagonista do romance, é filha de um francês e de uma coreana.

O mais famoso filme de Alfred Hitchcock, "Psicose", baseado na história do americano Robert Bloch, só se tornou um sucesso graças à adaptação cinematográfica. Ainda assim, Hitchcock afirmava que o filme era totalmente calcado no texto de Bloch, com poucas liberdades no enredo. Diz a lenda que, antes do lançamento, em 1960, o cineasta buscou comprar todas as cópias do livro, evitando que o público descobrisse antecipadamente o mistério de Norman Bates. Bloch se inspirou livremente no assassino Ed Gein, que costumava vestir-se com roupas femininas. Mesmo quem sabe o segredo de Norman Bates, vai se encantar com a narrativa rápida e bem estruturada sobre um serial killer, que ganhou nova caprichada edição da Darkside (R$ 69,90), ilustrado por fotografias do filme.

Evoé, Momo! Até o ano que vem!!!