Sem a chuva para atrapalhar, o sábado (29) do Lollapalooza 2025 foi melhor organizado. Com o sol brilhando, a boa estrutura do autódromo criou uma grande experiência, principalmente para quem decidiu aproveitar as ativações e estandes.
“Hoje eu vim mais para ver a Tate McRae, mas amei muito os outros shows. Principalmente o do Shawn Mendes, que estava incrível. E eu achei o evento sensacional. Eu adorei a estrutura, a rapidez das filas, a estrutura dos banheiros. Infelizmente, não venho amanhã, mas valeu muito a pena o Lolla 2025!”, comentou Daniela Pina, publicitária de 27 anos.
A diferença para a sexta-feira também se deu pela presença do público, que estava mais próxima do ‘público padrão’ do Lolla. A sensação era de estar com muito mais gente do que no primeiro dia, mas faltava aquela presença dos fã-clubes histéricos, que foram ao festival exclusivamente para ver seu ídolo. Na verdade, a impressão que ficou é que o público estava ali pelo festival em si, o que é muito impressionante, ainda mais nos dias de hoje.
Mais do que isso, essa falta de ‘ansiedade’ pelos shows permitiu uma experiência mais completa para quem foi apenas para aproveitar e curtir. Mas não pense que isso significa um dia fraco. Muito pelo contrário.
Mesmo com a grande frequência de shows que vem fazendo no Brasil nessa última década, o canadense Shawn Mendes segue encantando no palco. Com declarações de amor ao país, ele fez um show bastante maduro para seu estilo, sabendo cadenciar bem os hits que o eternizaram no pop mundial com as canções mais intimistas.
Mas quem roubou a atenção mesmo foi a veterana Alanis Morissette, que mesmo há décadas na estrada, nunca havia se apresentado no Lollapalooza Brasil. Até agora. E para sua estreia no festival, a cantora preparou um show moldado pelo álbum "Jagged Little Pill”, grande fenômeno de 1995. Acompanhada da banda, ela encantou o público com seu violão, a flauta e a gaitinha, fazendo dela a grande protagonista da noite. No auge de seus 50 anos, Alanis segue cantando como a menina que estourou nas paradas há 30 anos. E como de costume, a favorita da galera foi “Ironic”, música que a cantora declaradamente já afirmou não gostar. Talvez por isso, ela deixou a plateia completar grande parte da música, arrancando risos nos fãs mais ‘raízes’, que pegaram a ironia da situação.
Os outros shows sofreram um pouco com a falta de repertório. Apesar de estarem ‘hitados’ em trends de redes sociais, nomes como Benson Boone e Tate McRae ainda não parecem ter o cacife paraa segurarem shows em grandes festivais. Não que sejam necessariamente ruins, é que falta mais músicas de sucesso além das duas ou três que viralizaram.
Outros casos que chamaram atenção foram os de The Marías e o grupo sul-coreano Wave To Earth, que fizeram dois shows efetivamente muito bons, mas pareciam não ser muito conhecidos pelo público. Bom, de certa forma, isso fala muito sobre as origens do festival, que sempre trouxe holofotes para grupos não tão vistos pelo público-geral. Certamente quem viu os shows já saiu de lá procurando mais sobre a discografia dessas duas bandas.
Por fim, um problema que não compete ao festival foi relatado por diversos funcionários. O metrô foi anunciado para funcionar por 24h. No entanto, por volta das 2h30, uma porção de funcionários e participantes que demoraram mais para deixar o festival – cujo último show terminou lá para as 23h30 – relataram que a estação autódromo do metrô foi fechada.
Com bastante grosseria, um funcionário respondeu que a estação foi fechada quando a ‘muvuca’ do festival diminuiu. Por ser uma região bastante isolada do resto da cidade, esse fechamento foi bastante prejudicial, principalmente pela alta nos preços dos transportes alternativos na faixa horária.
De forma geral, foi um grande segundo dia. Tirando a questão do transporte, o festival soube lidar muito bem com as demandas e a grande quantidade de público, brindando os fãs de música boa com dois shows espetaculares e duas apresentações muito promissoras de grupos que devem crescer cada vez mais nos próximos anos.
*Com supervisão de Pedro Sobreiro