Com murais espalhadas por mais de 30 países, Eduardo Kobra é um dos artistas de rua mais reconhecidos no mundo. Nesta quinta-feira (27) em que se comemora o Dia Internacional do Grafite, o Canal Brasil exibe, às 21h30, o documentário "Kobra Auto Retrato", dirigido por Lina Chamie. A produção apresenta um olhar íntimo sobre a trajetória do artista visual paulistano desde sua infância até sua consagração mundial.
Criado em Campo Limpo, bairro periférico de São Paulo, Kobra relembra momentos marcantes de sua história em relatos diretos para a câmera. Ele enfrentou dificuldades desde cedo, foi expulso da escola e da casa dos pais na adolescência e passou por um período de depressão. No entanto, sua vocação artística o impulsionou profissionalmente.
Atualmente, Kobra é o detentor de dois recordes mundiais de maior mural grafitado: "Etnias", de 2,5 mil metros quadrados, no Porto Maravilha, criado para as Olimpíadas de 2016, e "Cacau", de 5,7 mil metros quadrados, localizado às margens da Rodovia Castelo Branco, em Itapevi (SP). Sua primeira obra internacional foi "Muros da Memória", em Lyon, França, em 2011. Desde então, já deixou sua marca em países como Espanha, Itália, Noruega, Inglaterra, Malaui, Índia, Japão, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos.
"Há muito tempo venho colocando essa mensagem no meu trabalho. Acho que o principal é o respeito às tradições, às diferenças de religião e à diversidade cultural. Ninguém é obrigado a ter o conhecimento que você tem, usar a roupa que você usa ou seguir a religião que você segue. Acho que respeitar o universo do próximo pode tornar o mundo um lugar melhor", disse Kobra em entrevista ao portal Versatile em maio de 2021, ao comentar sobre o tema norteador de suas criações.
O grafite é uma manifestação artística urbana surgida na década de 1970, em Nova York (EUA), como forma de expressão visual nas ruas. Inicialmente associado à cultura hip-hop, tornou-se um meio poderoso de comunicação, abordando temas sociais, políticos e culturais. Diferente da pichação, que muitas vezes é vista como vandalismo, o grafite é reconhecido como arte e valorizado em espaços públicos e privados.
Lançado em 2022, o documentário de Lina Chamie conquistou prêmios como Melhor Longa-Metragem Documentário no Prêmio Grande Otelo (2023), Melhor Filme pelo voto popular no Brazilian Film Festival de Chicago (2023) e Menção Honrosa do Júri no 14º FESTin Lisboa (2023).