Por Cristina Índio do Brasil -Agência Brasil
Bruno Miranda era criança no ano 2000, quando o balé entrou em sua vida. Ele foi atraído pela dança quando fazia parte do Projeto Dançando na Escola, em uma unidade da rede pública de Santa Catarina. Na época, sua professora também trabalhava na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, que dava seus primeiros passos no país, e foi assim que ele conheceu a possibilidade de dançar balé. No ano seguinte, com o incentivo da família, Bruno entrou para o Bolshoi. Nesses 25 anos, os dois se tornaram referências na dança dentro e fora do Brasil.
Única filial no Brasil do famoso Teatro Bolshoi da Rússia, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil (ETBB) funciona desde 15 de março de 2000, na cidade catarinense de Joinville, em Santa Catarina. Com 25 anos de atuação, a instituição de direito privado, sem fins lucrativos, tem apoio da Prefeitura Municipal de Joinville, do Governo do Estado de Santa Catarina e dos 'Amigos do Bolshoi', empresas e pessoas físicas socialmente responsáveis que contribuem com o projeto por meio de serviços prestados e patrocínios não incentivados ou incentivados por leis de incentivo à cultura municipal, estadual e federal.
Nessas mais de duas décadas, a escola coleciona histórias como a de Bruno, por meio da oferta bolsas de estudo e benefícios para todos os alunos e seleções rigorosas, dando oportunidades a talentos de diferentes classes sociais.
A lista dos aprovados para o Bolshoi era publicada em um jornal. "Minha mãe comprou o jornal e fiquei super feliz de ver meu nome lá. Fiz oito anos de curso na escola, depois, passei quase três anos na Cia Jovem [da ETBB]. Ao todo, foram 11 anos, e peguei bem o início do Bolshoi. Sou da segunda turma de formandos", orgulhou-se em entrevista à Agência Brasil, direto da África do Sul.
"Parece clichê falar isso, mas o Bolshoi representa a minha vida. Eu não estaria onde estou hoje, morando na África do Sul, em Johanesburgo, trabalhando com balé e com dança, se não fosse o Bolshoi. A minha família sempre foi muito humilde. A gente nunca teve dinheiro para bancar estudos. Tudo que conquistei hoje foi por meio da dança, e poder dar um suporte para a minha família também", afirmou. A mãe deu apoio a Bruno, mas não pôde ir com ele na audição de seleção, porque tinha que cuidar dos outros três filhos menores. Foi uma tia, que pegou dinheiro emprestado para pagar as passagens de ônibus, que levou o sobrinho.