Uma raríssima exposição acaba de ser inaugurada no saguão nobre da Biblioteca Nacional, no Rio. Trazida da Áustria pelo representante em Brasília do país natal de Stefan Zweig, o embaixador Stefan Scholz, a mostra recebeu calorosa recepção do Presidente da FBN, o escritor Marco Lucchesi.
Ao lado dele esteve sempre presente Israel Beloch, Presidente da Casa Stefan Zweig no Brasil.
O nome de Zweig sempre foi falado em minha casa por conta de meu pai, Max Albin, emigrante austríaco cuja família vienense teve alguma proximidade com os Zweig, por que nem tenho certeza, quase certamente algum laço familiar em uma ou duas gerações anteriores de ambas as famílias Max Albin e Stefan Zweig.
Tenho vagas lembranças de minha mãe ter comentado certa vez sobre o famoso escritor austríaco do afeto do meu pai, cujo suicídio em Petrópolis causou grande consternação à nossa família em 1942, quando morávamos na longínqua cidade de Penedo, nas Alagoas.
Esta exposição, a cuja inauguração compareci, é enriquecida com reproduções de peças originais guardadas pela FBN, acrescidas de 24 painéis e das vitrines com documentos e vídeos sobre a obra e a vida do escritor perseguido pelo nazismo e acolhido no Brasil.
Quando veio morar no Rio (em Petrópolis), Zweig já era o autor literário mais publicado no mundo. A exposição exibe luxuosamente Zweig como articulado construtor de redes de editores, tradutores e intelectuais; além de comprovar significativo e vário número de traduções e adaptações de suas obras em palcos e telas mundiais. O autor austríaco de fato foi um cidadão do mundo, dedicando-se a conhecer dezenas de países e povos, cujos personagens foram, por tantas vezes, inspirações de sua obra.
A bela exposição aborda três configurações. A primeira, "Horas estrelares da humanidade", que se passaram em épocas diferentes". A segunda aborda "A biografia de Fernão de Magalhães", em que o autor dá luz à aventura do navegador português. E a terceira "A novela de Amok", que se passa nas Índias Orientais.
Essa raríssima homenagem ao grande escritor foi inaugurada em Viena pela Biblioteca Nacional da Austria e aqui no Rio é enriquecida pelos envios do acervo da FBN, diligentemente selecionados por Marco Lucchesi. É o próprio diretor Lucchesi quem informa que seu órgão possui mais de 500 documentos sobre Zweig, com cartas, fotos, poemas, textos originais. Esta preciosa coleção leva os nomes dos respectivos doadores, o editor Abraão Koogan e o biógrafo brasileiro Alberto Dines.
A exposição "Stefan Zweig, autor universal" está aberta para o público das 10 às 17 horas, de segunda a sexta. Valerá a pena conhecer um pouco mais a grande figura de Zweig, hoje autor permanente em minha cabeceira de livros a ler quase sempre.