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Maracanã dá seus últimos suspiros

Internamente destruído e completamente remodelado para comportar as exigências da FIFA para a Copa do Mundo 2014, o Maracanã deixou de ser o centro de encontro das torcidas do Rio de Janeiro e virou, acima de tudo, um antro de discórdia.

Não apenas por ter passado por uma série de gestões catastróficas, que deixaram o estádio ficar às moscas, chegando a deixar a segurança de lado, o que terminou com o furto do busto de Mané Garrincha e perda de peças históricas do acervo do museu, mas também por ter sido posto sob controle de uma gestão que, nos últimos anos, fez questão de dificultar o acesso de outros clubes a mandarem jogos no estádio.

Faz mais de uma década que o Carioca se vê obrigado a aceitar o "Novo Maracanã", enquanto lamenta a destruição da essência do verdadeiro Maracanã. Foi-se o tempo dos públicos superiores a 170, 100 mil. Foi-se o tempo dos geraldinos. Com preços cada vez mais altos, o falecido Maraca entra na 'Era das Elites'.

E a última ação da gestão é apenas mais um dos 'assassinatos' a tudo aquilo que o estádio representou. Em Fluminense x Volta Redonda, torcedores flagraram adesivos colados pela gestão nas cadeiras do Maracanã pedindo para a torcida assistir o jogo sentada.

O futebol brasileiro, a cultura do futebol brasileiro, nunca foi e nunca será construída sem a festa nas arquibancada. O torcedor vibra, pula e comemora, e isso só enriquece o espetáculo.

Mandar o torcedor ver o jogo sentado é negar a história da arquibancada e tentar sufocar a última manifestação legítima da cultura da torcida de futebol dentro dos estádios.