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Produto ótimo, embalagem ruim

O Campeonato Brasileiro de 2025 começou, e com ele, a paixão do torcedor se renova. Trata-se de uma das competições mais equilibradas do mundo, onde, diferente das grandes ligas europeias, o campeão é difícil de prever. São 20 clubes tradicionais, recheados de história, disputando cada ponto como se fosse uma final. Grandes jogadores retornaram ao país, promessas emergem a cada rodada, e o nível técnico promete emoção até a última partida. O Brasileirão é, sem dúvida, um dos maiores campeonatos do mundo.

Mas então, por que ainda parece tão maltratado? O futebol brasileiro é um diamante bruto, mas falta quem saiba lapidá-lo. Os gramados seguem em condições precárias em muitos estádios, um problema impensável em torneios de ponta. A arbitragem é motivo de discussão a cada rodada, mesmo com a tecnologia do VAR. E a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), responsável por zelar pelo maior produto esportivo do país, parece mais interessada em seus próprios interesses do que na evolução do torneio.

O potencial do Brasileirão é imenso. O Brasil é um dos poucos países do mundo que ainda consegue repatriar jogadores de alto nível e atrair talentos estrangeiros, principalmente de países vizinhos como Argentina, Uruguai e Chile, em razão de sua economia mais forte. Os clubes se profissionalizaram, alguns viraram SAFs, mas a gestão do futebol como um todo ainda parece atrasada.

O torcedor merece mais. O produto que é entregue é muito inferior à grandeza da competição. A liga precisa ser mais bem organizada, a arbitragem mais qualificada, os calendários menos desumanos e os estádios em melhores condições.