Após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado, as expectativas quanto aos candidatos à presidência da República em 2026 ficam a todo vapor. Além das denúncias, Bolsonaro segue inelegível até 2030. Portanto, apesar de aliados de Bolsonaro estarem se movimentando para alterar a medida, as chances dele conseguir concorrer são baixas.
Diante dos casos, a tendência é que o Jair Bolsonaro siga os mesmos passos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando tentou disputar a presidência em 2018. Na época, Lula recorreu de todos os meios até o último momento para tentar disputar à presidência. A tentativa foi frustrada e o PT teve que correr para indicar o atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como candidato, que perdeu a eleição.
Deve se repetir
Ao Correio da Manhã, o cientista político Márcio Coimbra avaliou que a história deve se repetir. “O Bolsonaro está inelegível e deve continuar inelegível, mas ele deve insistir com a sua candidatura até o último momento. A estratégia dele é: o candidato é ele. Então, ele continuará como pré-candidato, mesmo sabendo que não poderá, até o último momento”, afirmou.
Márcio Coimbra considera que as chances de o ex-presidente desistir de sua candidatura a tempo de apoiar outro nome desde o começo da disputa presidencial são muito baixas. “Até por uma característica muito personalista. Bolsonaro não quer perder a liderança desse grupo de direita. Ele vai até o último momento e quando não puder mais, o vice assume. O vice pode ser um dos seus filhos”, completou Coimbra.
Na mesma linha, a Analista Política na BMJ Consultores Associados Raquel Alves avalia que, “na hipótese de aceitar um cenário de não ser o concorrente”, o ex-presidente “insiste em um candidato com o sobrenome Bolsonaro”. Porém, em vez de um dos filhos, ele deve investir em uma candidatura para sua esposa Michelle Bolsonaro “para compor com algum político do campo da direita moderada”. “Esse ‘esticar de corda’ dificulta a movimentação do campo da direita moderada, que tem nomes para a disputa, mas resiste a entrar em conflito com Bolsonaro de olho no eleitorado fiel do ex-presidente”, ponderou em conversa com a reportagem.
Desvantagem?
Para o Correio, o especialista em Democracia Participativa, República e Movimentos Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Rócio Barreto avalia que, no momento, o “bolsonarismo perde um pouco de força devido à gravidade das denúncias” da PGR, o que deve oferecer um pouco de força ao governo Lula.
“Acredito que o governo Lula ainda tem chance de disputar as eleições 2026, haja visto o nível de desemprego estar reduzido. O emprego está em alta, possivelmente os alimentos vão reduzir o preço. Numa análise mais fria, a gente pode adequar e mostrar que a alta dos alimentos pode ter sido levado pelo alto consumo, considerando o baixo nível de desemprego. Acredito que essa disputa será com a centro-direita, e não necessariamente essa centro-direita esteja representando o ex-presidente Bolsonaro”, afirmou Barreto.
Por outro lado, o cientista político Felipe Rodrigues considera que, mesmo com a liberdade do ex-presidente incerta, isso não significa um enfraquecimento da direita na corrida eleitoral em 2026, pelo contrário. “O desgaste do atual governo, combinado com uma oposição cada vez mais mobilizada e organizada, indica que a direita pode chegar fortalecida para a disputa. O indiciamento pela PGR, embora seja um fato juridicamente relevante, não parece alterar significativamente a influência política de Bolsonaro. A experiência recente mostra que ele possui grande capacidade de transferência de votos, como demonstrado nas eleições de 2022 para o Congresso Nacional”, ponderou à reportagem.
Mas todos os entrevistados concordam que as chances do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorrer para a presidência em 2026 são muito baixas. Vale destacar que para ser candidato á presidência da República, Tarcísio de Freitas precisa se desincompatibilizar do governo de São Paulo em abril de 2026. Em declarações recentes, Tarcísio reforçou que no momento não tem interesse em disputar o cargo.
“O recuo de Tarcísio de Freitas indica que as decisões no campo da direita não serão tomadas individualmente, mas sim de forma coordenada com a estratégia bolsonarista mais ampla. Esta coordenação, ao contrário de enfraquecer, pode fortalecer as chances da direita, mantendo a base mobilizada e unida até o momento decisivo. O timing da decisão, embora possa afetar candidaturas como a de Tarcísio, serve para maximizar o capital político de Bolsonaro e sua capacidade de influência no processo eleitoral”, avaliou Felipe Rodrigues.