Por: Karoline Cavalcante e Rudolfo Lago -BSB

Lula já decidiu substituir Nísia, mas ainda não a informou

Chateada, Nísia espera comunicação da sua saída | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Embora a saída de Nísia Trindade do Ministério da Saúde já seja uma decisão considerada tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a atual chefe da Pasta ainda não foi formalmente informada da mudança. Segundo apurações do Correio da Manhã, esse futuro incerto tem deixado a ministra chateada e deixa ruim o clima no ministério.

Nísia vem sofrendo desgastes durante a gestão e o governo avalia que, mesmo com o conhecimento técnico que possui na área, ela não possuiria a capacidade de articulação necessária que o órgão exige. Em entrevista ao jornal O Globo na quinta-feira (20), ela disse “continuar firme” e não ficar “acuada com especulações”.

“Esses rumores envolvendo meu nome existem desde o início do governo. É uma lástima, mas continuo fazendo meu trabalho”, declarou.

Padilha

Segundo apurou o Correio, a decisão sobre a troca já está tomada. Quem substituirá Nísia será o atual do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Ele é médico de formação e já esteve à frente do Ministério da Saúde no primeiro governo Dilma, de 2011 a 2014. Padilha também foi secretário municipal da Saúde de São Paulo, entre 2015 e 2017, durante a gestão de Fernando Haddad (PT).

Também médico e ex-ministro da Saúde do Governo Dilma, o nome do presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Arthur Chioro, entrou em avaliação. A decisão por Padilha, porém, abriria espaço para Lula indicar um nome para as Relações Institucionais articulado com o Congresso, que fosse acordado com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o que facilitaria o diálogo entre os poderes.

Silvio Costa

Nesse sentido, cresce nos bastidores a informação de que esse nome poderia ser o atual ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. Recentemente, Lula fez elogios públicos a Costa Filho. A entrada colocaria um nome do Centrão. O ministro é deputado pelo Republicanos de Pernambuco. A mudança, então, também poderia reforçar a busca de apoio do seu partido, que se divide entre apoiar o governo e fazer oposição (caso, por exemplo, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ou dos senadores Hamilton Mourão, do Rio Grande do Sul, e Damares Alves, do Distrito Federal).

Além de Silvio Costa Filho, estão cotados para Relações Institucionais o deputado Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Caso a decisão fosse tomada exclusivamente com base na confiança, o escolhido seria o deputado federal José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara dos Deputados.

Gleisi

A expectativa era que o início da possível reforma ministerial começasse no último sábado (22) durante a festa 45 anos do Partido dos Trabalhadores, com a presidente da sigla e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), anunciada para o lugar de Márcio Macedo, na Secretaria-Geral da Presidência da República. O mandato de Gleisi se encerrará naturalmente em junho de 2025 e a nova previsão é que o comunicado sobre o novo cargo aconteça até a próxima sexta-feira (28), antes do carnaval. Em seu lugar, Lula já mencionou que deseja nomear o ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT).

Ainda no aniversário da sigla, o chefe do Planalto não escondeu a sua insatisfação com a gestão de alguns membros da Esplanada. Chegou a dizer que descobriu que um ministério não tem conhecimento sobre as ações do próprio governo. “Fiz uma reunião ministerial há mais ou menos 20 dias. E eu descobri na reunião, Gleisi, que o ministério do meu governo não sabe o que está fazendo. Não sabe. Se o ministério não sabe, o povo muito menos”, declarou Lula.

A última reunião ministerial aconteceu no dia 20 de janeiro e contou com a presença de 38 chefes da Esplanada. Na semana anterior, a primeira troca da nova leva de mudanças foi feita: o publicitário Sidônio Palmeira assumiu a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), no lugar do jornalista e deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que estava no cargo desde janeiro de 2023.