Por: Gabriela Gallo

Lula deve negociar com Centrão nova troca ministerial

Lula tenta retomar popularidade visando 2026 | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ao retornar de viagem ao Japão e ao Vietnã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem manifestado a aliados que irá articular com parlamentares da cúpula do Centrão no Congresso Nacional nova reforma ministerial. A medida visa um aumento na popularidade do governo e reduzir os problemas de relacionamento com o Legislativo.

Se confirmada, a continuação da reforma ampliará o espaço dos aliados mais conservadores depois de Lula fazer mudanças a partir de nomes do seu próprio partido, o PT, ao colocar Alexandre Padilha no Ministério da Saúde e Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência. Ambos são deputados eleitos pelo PT, Padilha por São Paulo, e Gleisi, ex-presidente do partido, pelo Paraná.

Apesar dos nomes não estarem confirmados, atualmente a expectativa é na troca da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves; do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo; do ministro de Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, e do ministro de Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

Os nomes já foram alvo de especulações e parecem relegados a um segundo plano por Lula. Por exemplo, neste ano, o presidente Lula não participou de um evento com Cida Gonçalves no dia internacional da Mulher, em 8 de março, para anunciar mudanças e políticas públicas ao segmento – ao contrário de 2023 e 2024, quando stava acompanhado da ministra no dia mais importante para a pasta.

Aprovação

Essa dança das cadeiras visa um aumento na popularidade do governo, que tem aprestando queda desde o ínicio do ano. Nesta terça-feira (1º), pesquisa divulgada pela AtlasIntel, no entanto, apresentou um pequeno alívio. O levantamento, em conjunto com a Bloomberg, apontou que 37,4% aprovam o governo federal e 49,6% da população desaprovam, 12,5% consideram a atual gestão como regular. Quando se trata do presidente Lula em si, 44,9% dos entrevistados aprovam o presidente enquanto 53,6% da população desaprovam.

A pesquisa aplicou um questionário pela internet entre os dias 20 e 24 de março, coletando respostas de 4.659 brasileiros. Sua margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos.

Os números são preocupantes, porém demonstram que a opinião sobre o governo se estabilizou. Na mesma pesquisa realizada em janeiro deste ano, 37,8% dos entrevistados consideravam o governo como “bom ou ótimo” contra 46,5% que consideravam ruim ou péssimo. No mês seguinte, em fevereiro, a aprovação do governo se manteve estável em 37,6%, mas a desaprovação do governo cresceu para 50,8%. Com isso, apesar de não serem positivos, os dados da pesquisa em março mostram um respiro, já que a avaliação da população sobre o governo se manteve estável.

A pesquisa aponta que um dos principais motivos do aumento da desaprovação do governo diz respeito ao atual cenário econômico. Para 55% dos entrevistados, a situação econômica brasileira é ruim em todos os sentidos. Já 86,6% dos entrevistados manifestam preocupação com a inflação. Para 62,5% dos entrevistados, o governo deveria fazer mais para conter a inflação contra 35,9% que consideram que o governo está agindo corretamente quanto ao tema.

Bolsonaro

Mirando nas eleições presidenciais, uma das principais preocupações do presidente Lula, segundo a Pesquisa AtlasIntel, em um eventual cenário em que Jair Bolsonaro (PL) possa concorrer na disputa eleitoral, ele teria 45,6% das intenções de votos, enquanto Lula tem 40,6%. Agora levando em consideração o atual cenário de inelegibilidade de Jair Bolsonaro até 2030, Lula ainda tem vantagem frente a seus demais concorrentes num primeiro turno (41,7%).

Desconsiderando Bolsonaro, atualmente, o candidato que apresenta maiores chances contra Lula é o atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 33,9% de intenção dos votos. Os demais possíveis candidatos não chegam a 10% de intenção de votos.