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2014: O ano em que a infância brasileira começou a morrer

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Ser criança é a melhor fase da vida de um ser humano - bem, pelo menos é o que deveria ser. Não vou me ater, nesse artigo, às exceções da regra: crianças em trabalho escravo, escravas sexuais, combatentes e vítimas de guerra - essas mazelas são aberrações humanas, e o texto não tem a intenção de discutir isso, no momento.

Mas para as crianças que têm a oportunidade de serem crianças (nem que seja um pouquinho), a vida ficou muito, muito mais chata - tudo culpa do Estado, que insiste em regular e controlar a vida dos seus cidadãos, de forma totalitariamente absurda.

Muitos de vocês, não devem ter notado o quanto foi reduzida a programação infantil, na TV aberta. Para uma parte da população que tem a possibilidade de pagar por canais de tv à cabo, talvez essa mudança na programação televisiva passou despercebida, mas as crianças que vivem em famílias de baixa renda, sentiram a falta desse lazer, em suas casas. A realidade? Não existem mais programas destinados ao público infantil, na TV aberta, em muitas cidades do nosso Brasil.

Nada de programas como Xuxa, Eliana, Balão Mágico ou Festivais de Desenhos, que duravam boa parte das manhãs ou tardes, dependendo da emissora.

Se deram conta disso? Pois é. E porque o Governo tem culpa, da mudança na grade de programação televisiva de muitas emissoras?

Eu explico:

Na ânsia de “proteger” as nossas crianças (como se o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente fosse insuficiente), o Estado resolveu criar mais uma "idéia genial", típica dos governos que "se preocupam com o povo":

Para proteger AINDA MAIS as nossas criancinhas, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República publicou, em Abril de 2014, no Diário Oficial da União, a Resolução nº 163/14 que considera “abusiva a publicidade voltada a crianças e adolescentes”.

A resolução, “considera abusivo o direcionamento de publicidade e de comunicação mercadológica à criança, “com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. São abusivos os anúncios que contêm linguagem infantil, trilhas sonoras de músicas infantis, desenho animado, promoção de distribuição de prêmios ou brindes colecionáveis com apelo ao público infantil,” entre outros aspectos - tudo isso porque o Governo não confia na capacidade que os pais possuem em educar os seus filhos, para ter um consumo responsável. 

E assim, como era de se esperar em uma sociedade capitalista (sim, somos capitalistas, sabia???), os anunciantes de brinquedos e produtos destinados à crianças, se retiraram do mercado, e os programas infantis foram cancelados - para desespero das crianças que não tem acesso ao Cartoon Network, Nicklodeon, Tooncast e outros canais de desenho, da TV fechada.

Zapeie os canais da TV aberta. Você não encontrará mais desenhos, mas tenho absoluta certeza que em um ou outro momento, você encontrará uma novela, série ou filme que aborde sexo, violência ou alguma coisa que não seja “recomendável” para as nossas crianças - porque essa faixa de horário não é mais delas.
Não existe mais nada, para elas. Anunciantes. Clientes. Dinheiro manda.

Foi assim, dessa forma, que o Governo protegeu as nossas crianças de desenvolverem um consumo desenfreado por brinquedos, alimentos e tênis infantis - tirando elas da frente da TV e jogando-as cada vez mais cedo, no mundo da Internet - pois agora elas não desejam mais brinquedos, e sim poderosos smartphones com acesso à net - onde elas estarão mais seguras, não é mesmo? 

Se um dia você soube o que era infância, saiba que ela começou a morrer em 2014 - e seu fim será breve, se nada for feito.

P-p-p-p-po-po-po-por hoje é só, pe-pe-pessoal!

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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