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2017: Uma breve análise política e o cenário de 2018

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Dois mil e dezessete foi um daqueles anos que muita gente vai fazer de tudo para esquecer: crise econômica, aumentos absurdos de combustível e energia elétrica, mais de 20 milhões de brasileiros desempregados e um sentimento de desolação para com a classe política e com o Judiciário.  Dois mil e dezessete foi o ano de cair na real que não somos um “país do futuro”, pois não haverá futuro se as coisas continuarem dessa forma.

Temer negociou e continuará negociando até a alma para que seu partido, o PMDB (agora renovado para “MDB”) continue dando as cartas pelo país - mesmo que fora do papel principal em 2018, cuja atenção estará dividida entre Lula e Bolsonaro (caso Lula não seja preso ou impedido de concorrer em Janeiro). A julgar pela forte popularidade de Bolsonaro que cresce a um ritmo geométrico, a direita deve vencer a maioria das cadeiras do Executivo e Legislativo em 2018, inclusive a presidência.

As redes sociais terão pela primeira vez, um papel decisivo nas eleições do ano que vem. Trump soube aproveitar o uso do BIG DATA nos EUA (informações provenientes de vários bancos de dados e seu uso para influenciar eleitores) e redes sociais importantes como Facebook, Twitter e WhatsApp tentarão filtrar ao máximo o uso indevido de propaganda política, bloqueando perfis falsos e dificultando ao máximo a criação dos mesmos. O Facebook já anunciou que criou ferramentas para avisar um usuário quando alguém criar um perfil com suas fotos e já colocou em prática mecanismos para que um usuário tenha que provar quem está por trás daquele perfil, como uma selfie em tempo real ou o envio dos documentos de identidade, por exemplo. Tudo para evitar a guerra de fakes criados exclusivamente para divulgar fake news e destruir reputações - a velha panfletagem de boatos da política suja dos anos 70 e 80 em sua versão online.

Em Mato Grosso do sul espera-se uma renovação de pelo menos 70% da Assembléia Legislativa. Muitos candidatos não se atentaram para a importância das redes sociais e acabaram não se aproximando o suficiente do eleitor, cada vez mais conectado e interativo. O Governador Reinaldo Azambuja é um bom exemplo de uso de redes sociais (ainda que não tenha aprendido a lidar com críticas online), porém ele pecou muito no seu estilo de governar nos últimos três anos, não cumprindo promessas de campanha, privilegiando inimigos, preterindo aliados e contrariando interesses de boa parte dos seus apoiadores de 2014. Até o presente fez um governo cujo maior feito na lembrança popular foi a “Caravana da Saúde” - um programa paliativo que não resolveu o problema da saúde pública em muitas regiões do Estado, onde ele prometeu a construção de vários hospitais regionais com equipamentos e especialistas - isso em cidades como Corumbá, que até hoje aguarda pela concretização de suas promessas na área da saúde. Ademais Azambuja optou por uma jogada perigosa, lançando convênios, acordos, repasses e obras aos 45 do segundo tempo, faltando poucos meses para o início da campanha eleitoral - uma jogada já manjada pelo povo e que pode não surtir efeito lá na frente. Paulo Duarte (PDT) ex-prefeito de Corumbá optou por uma estratégia semelhante em 2016 na Cidade Branca e isso custou-lhe sua reeleição, mesmo com a “máquina” nas mãos. 

É por isso que o fantasma de André Pucinelli o assombra diariamente, vencendo-o nas projeções e cenários políticos onde o nome do italiano entra na jogada, um sinal que as coisas não saíram como o planejado. Caso Pucinelli não fique inelegível - apesar de todas as tentativas para que isso aconteça até o momento, entre processos e prisões  - há grandes chances do Executivo do Estado voltar para as mãos do italiano, MESMO com todos os escândalos e processos que o ex-governador do Estado por oito anos enfrenta. Isso nos faz pensar que os eleitores não se importam mais com itens básicos como honestidade ou o passado político de um candidato. Sabe o dito “Rouba, mas faz?”. Pois é.   

Há rumores que Azambuja estaria em negociações com Pucinelli e Zeca do PT, apoiando-os indiretamente para as duas vagas existentes na próxima campanha para o Senado. Isso não seria uma aliança impossível, tendo em vista que Azambuja seria candidato ao Senado aliado com Delcídio em 2014 - e era algo que ambos queriam - porém os planos foram frustrados pelas Executivas Nacionais.

Analisando o cenário, Pucinelli e Zeca do PT já teriam naturalmente esses votos necessários para conquistarem seu espaço no Senado Federal, sem o apoio de Azambuja - então provavelmente essa “aliança” não decolará. Sendo assim, Azambuja terá que trabalhar MUITO para recuperar a confiança do eleitor e evitar entrar para história do Mato Grosso do Sul como o primeiro Governador a não conseguir uma reeleição em nosso estado.

O ex-juiz Odilon de Oliveira (PDT) apesar de ser um nome relativamente novo na política e uma significativa intenção de votos (segundo nas pesquisas), acabou decepcionando uma boa parte dos eleitores que depositavam algum tipo de esperança na renovação política do Executivo estadual: sua aliança com raposas políticas da velha guarda para atingir seus objetivos pessoais mostrou uma faceta diferente do experiente juiz combatente do crime organizado. Aliás, o crime organizado será uma outra preocupação de Odilon, além de conquistar votos: ventila-se que o juiz CONTINUA sob pesadas ameaças de morte, o que será um grande desafio para a logística de segurança de sua campanha -  e desta forma seu acesso ao povão poderá ser limitado reduzindo assim, suas chances de voto. Outros nomes estão sendo ventilados sem compromisso  (fazendo aquele DOCE que já estamos enjoados de ver) e podem ser confirmados até Março, mas desta vez o jogo estará definido ao final deste ano - e quem entrar nele depois, terá pouquíssimas ou nenhuma chance de vencê-lo.

Em Corumbá - a cidade natal deste escriba - o cenário político parece promissor. Ainda que o ano tenha sido marcado por uma tragédia que abalou a Cidade Branca, há uma grande luz ao fim do túnel.

A morte do prefeito Ruiter Cunha de Oliveira - um prefeito de dois mandatos completos e falecido ao primeiro ano do seu terceiro mandato, de longe o prefeito mais popular até o momento, da história de Corumbá -  mudou completamente a estratégia do jogo na região: o vice-prefeito Marcelo Iunes (PTB) assumiu a cadeira do Executivo Municipal e com isso, deixou de ser o principal candidato que disputaria uma vaga na Assembléia Legislativa do Estado. Porém com o novo cargo, recaiu sobre ELE a responsabilidade anterior de ajudar a eleger um(a) Deputado(a).

Em Corumbá temos HOJE dois principais pré-candidatos, polarizados em duas áreas distintas na política local. Vamos à eles:

Marcelo não se aliaria com Paulo Duarte (PDT), rival derrotado nas eleições 2016 que tentou de todas as formas invalidar ou anular os resultados do pleito daquele ano, na Justiça - sem sucesso. O GRUPO político de Paulo também não deu “trégua” à atual Administração, anulando qualquer possibilidade de diálogo - promovendo discórdia, intrigas e calúnias nas redes sociais. Para complicar, Ruiter e Marcelo Iunes sentiram-se “traídos” pela Administração de Paulo Duarte em 2014, quando ambos não foram eleitos, onde os dois amargaram o cargo de primeiro suplentes de deputado estadual. Na época, Marcelo e Ruiter queixavam-se que Paulo e seu líder, Delcídio do Amaral  não “esforçaram-se” o suficiente para elegê-los - da mesma forma que Ruiter Cunha fez com Paulo, nas duas vezes em que ele foi eleito.

Logo, essa possiblidade estaria completamente descartada uma vez o perfil político de Marcelo é bem definido, não tolerando inimigos, traidores ou pessoas que comprometeram ou possam de alguma forma comprometer a sua trajetória política. 
 
Ademais Paulo Duarte hoje não tem a mesma expressividade que tinha no cenário Estadual, pois afastou-se dos holofotes e do cargo de deputado por mais de quatro anos (seis anos completos em 2018, uma eternidade para um player da política) e outros deputados já conquistaram os votos e o espaço que um dia ele já teve e ocupou. Ademais Paulo hoje ocupa um cargo de assessor da Assembléia Legislativa, sem nenhuma expressividade política ou poder de mando significativo - e para piorar, não mora mais em Corumbá (atualmente ele mora em Campo Grande) - uma cidade conhecida pelo seu ferrenho bairrismo e que refuta “forasteiros”.

Para sorte de Marcelo e do seu futuro político, um novo nome surgiu naturalmente após a partida de Ruiter: Beatriz Cavassa, viúva do falecido prefeito.
     
Com vasta experiência na área de assistência social em três gestões ( nas cidades de Corumbá e Ladário ), o nome de “Dona Bia” ou  “Bia” passou a ser aclamado pela população ao ponto de se tornar o principal nome a ser apoiado pelo Executivo de Corumbá - e Ladário deverá seguir pelo mesmo caminho. Leve, sem amarras judiciais, carismática e com imenso background político nos bastidores, se consolidada a candidatura de Bia ela deverá obter uma das maiores votações da história da região pantaneira.

“Mãe” e idealizadora de diversos projetos e programas sociais como o “Povo das Águas”, “Mãe Crecheira” e “Prefeito Presente”, Beatriz Cavassa é um nome que ficará em evidência em 2018. Na última quarta-feira até o Governador Reinaldo Azambuja declarou publicamente seu apoio para a corumbaense. Vamos acompanhar.

Enfim 2017 chegou ao seu fim e com o final deste, temos um cenário político que aponta muitas mudanças e renovações em 2018. Os políticos profissionais encontram-se completamente desacreditados pelos eleitores médios - o que abre uma grande possibilidade para políticos novos, com experiência profissional e bons projetos sociais. Velhas raposas políticas serão descartadas e uma nova ordem social parece despontar no horizonte.

De qualquer forma, ainda que as mudanças de 2018 não sejam tão significativas, o importante é que as esperanças não sejam perdidas e que o eleitor tenha a consciência que o processo de eleição não termina com o depósito do seu voto em uma urna - ele continua ao longo de todo o mandato político, cobrando, questionando, exigindo melhorias e redução da nossa sofrida carga tributária.

Afinal, toda essa conta é e continuará sendo paga por todos.

Até lá, Boas Festas e Feliz 2018.
 

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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