Textículo

A babá e os babacas

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Juro que já deixei de tentar entender a incoerência da atual “esquerda” brasileira: 

Primeiro, diziam que o protesto era golpe. Golpe? Como assim? Protestos, são apenas protestos. Ninguém está cercando o Palácio do Planalto com martelos e foices. Ninguém está aprisionando e executando pessoas de uma determinada classe social, nessa empreitada. Isso sim, é golpe.

Protesto é uma manifestação popular garantida constitucionalmente - contida na mesma Constituição que um dia a esquerda brasileira não quis que fosse aprovada.

Depois, quando o protesto finalmente aconteceu, argumentaram que o protesto era inválido, porque a população presente nas manifestações “não representava” o povo brasileiro.

Oi? São todos estrangeiros e alienígenas que aportaram em terras brasileiras no último 13 de março? Porque até onde eu saiba, de acordo com a Constituição Federal Brasileira - que todos os cidadãos são iguais, sem discriminações pela sua côr, credo ou situação social, não é mesmo?

Logo, se existia gente nas manifestações - POVO, era.

Ahhhhh Fabão, mas eram “zelite”, aquela raça que… qual raça? Aquela raça que gera empregos e renda? Aquela raça que teve a coragem de empreender um negócio, assumindo custos e riscos sozinhos (e de quebra tendo o Governo como sócio nos lucros - e nunca nos prejuízos), ao invés de buscar a segurança e a estabilidade imoral do serviço público ou de ficar mamando em sindicatos e partidos políticos?

A mesma raça que sustenta com impostos todo esse Estado aparelhado de criminosos - que a todo custo tentam se manter no poder, utilizando para isso de todos os subterfúgios possíveis?

Pela lógica absurda esquerdista na terra-do-tudo-acontece, o Governo “luta” para que o pobre ascenda na escala social (ainda que para isso tenha que classificar como classe média aqueles que tenham como pífia renda, algo entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais) - mas se por acaso esse pobre “der certo”, subir na vida e enriquecer (o que não é nada impossível de acontecer), vai fazer parte da elite-exploradora-branca-machista-homofóbica-capitalista-racista-fascista deste país - e portanto, perde todo seu direito de manifestação popular.

Então o que seria o certo? Manter os pobres na pobreza, evitando assim que eles se tornem um grave perigo para a “Democracia Bolivariana”? Eliminar as “elites” (acabando assim em definitivo com geração de emprego, renda e investimentos estrangeiros - nos tornando assim, alguma coisa entre Cuba e Coréia do Norte)? Vocês precisam se decidir, pessoal!

Mas o chorume maior, a cereja do bolo podre, foi quando você achava que já tinha visto de tudo nestas terras tupiniquins, quando repentinamente, você dá de cara com o seguinte post, no Facebook.


A prova do supra-sumo da idiotice humana.

Pelamordedeus! Pára tudo, produção!
Coméquié? Foi isso mesmo que eu entendi?

Na mais imbecil tentativa de manipulação maniqueísta para invalidar ou ridicularizar um protesto válido, a esquerda brasileira fez mimimi com a profissão de BABÁ, é isso?

Ainda que seus empregadores tenham postado uma resposta sobre a situação nas redes sociais  (e que se a resposta fosse para mim, eu já teria enterrado minha cabeça no chão, de vergonha) eu não poderia deixar de comentar o absurdo da “argumentação”, tentando mais uma vez jogar o “pobre” contra o “rico”, o “negro” contra o “branco”.

Ela estava de uniforme? Que bom! Economia de roupa particular! Uniformes são de responsabilidade dos empregadores. Garis usam uniforme, policiais usam uniformes, militares usam uniformes, escolas usam uniformes, uma caralhada de empresas usam uniformes. Onde está o demérito em utilizar um uniforme no trabalho? Não entendi.

Ela estava trabalhando no Domingo? Parabéns! Está ganhando uma grana a mais, afinal de contas é um período de tempo diferenciado, tal como manda a nossa legislação. Ela está trabalhando tal como as pessoas que trabalham nos supermercados, farmácias, shoppings, postos de combustíveis, nos plantões de clínicas e hospitais e em vários outros ofícios e profissões que mantém a sociedade funcionando e a economia girando, sem intervalos. Qual o problema em trabalhar aos finais de semana? Eu, por exemplo trabalho cerca de 10 horas por dia (ou mais) e como jornalista, não tenho horários nem dias muuuuitoooo definidos para descanso (quem é da área, sabe do que estou falando). Aliás, estou escrevendo este texto às 4:00 da matins, porque amanhã meu dia será bem cheio. Sendo assim, cada um sabe o calo que aperta.


Se fosse a jornalista Glória Maria, seria diferente? Negra e rica, oprimindo irmãs de raça? Errrr..hummm...ahhhh, mas ela é jornalista da Poderosa Rede Globo Manipuladora! Queimem-na! Queimem-na!

Há muito tempo a CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas jé coexiste em nosso meio. Sendo assim, não havia necessidade de exposição da pobre (no sentido de pena) coitada. Ela não precisa ser alforriada pela esquerda brasileira - ela aceitou um contrato de trabalho porque quis e é livre para arrumar outro emprego ou profissão no momento em que desejar ou se permitir - afinal de contas, AINDA vivemos em um país democrático, não é mesmo?

Eu até entendo que boa parte da esquerda brasileira não entenda muito bem sobre oferta e procura, economia de mercado, oportunidades de trabalho e coisas afins: porque boa parte dela bandeou para o comodismo do funcionalismo público ou achou uma forma de ganhar dinheiro fácil do governo em sindicatos, ongs ou partidos políticos subservientes ao controle estatal. Sem saber o que é trabalho, fica difícil em entender o que aquela babá estava fazendo ali, em um dia de domingo, trabalhando. 

O episódio da superexposição de uma babá exercendo a sua profissão, apenas para desviar o foco do que realmente mereceria estar na mídia (corrupção, ladroagem, safadeza, bandalheira) é o retrato mais fiel da “nossa esquerda”: um bando de hipócritas coniventes com mentiras e meias-verdades, dispostos a fazer de tudo, apenas para se perpetuar no poder - para isso, vale tudo. 

Até mesmo usar e humilhar, uma simples babá - que ao contrário de tantos desocupados nas redes sociais, estava apenas trabalhando.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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