Textículo

A Caixa de Pandora

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Vamos começar o nosso textículo de hoje com um pouquinho de cultura, kids:  
  
Conta a lenda da mitologia grega que Zeus - putíssimo da vida pelo fato de Prometeu ter roubado o fogo do Olimpo e ter dado o mesmo aos homens - resolveu se vingar contra essa ousadia criando uma mulher maravilhosa, com belos “dotes” irrecusáveis.  
  
Mas Prometeu - que era mais velhaco que peão quando escuta rugido de onça na Nhecolândia - desconfiou do presente-de-deus-grego (já sabem que sáporra de presente de grego vai bem antes do Cavalo de Tróia, né? Jamais aceitem presente de gregos, crianças!) e recusou a oferta.

Sem opção, Zeus deu de presente a bela Pandora para o IRMÃO de Prometeu, o bocó Epimeteu - e junto com ela foi de brinde uma bela caixa, onde MALANDRAMENTE estavam contidos todos os males físicos e espirituais do Mundo.

Aproveitando de sua beleza, Pandora deu AQUELE trato em Epimeteu até ele cair no sono. Sem ter mais o que fazer e curiosa como só, Pandora resolveu abrir sua caixa e  acabou libertando várias doenças, sofrimento, desespero e morte ao Mundo.

Zeus assim concluía seu plano de vingança contra Prometeu.

Analogicamente, essa é a situação de muitos prefeitos derrotados aqui em Mato Grosso do Sul (e em várias outras cidades do País). 
  
O problema não é a perda do poder - afinal de contas, muitos desses políticos ainda mantém tentáculos em vários setores do poder, mantidos com segredos ocultos, dívidas a serem pagas e chantagens. Boa parte desses políticos derrotados terão seu poder diminuído, mas não o perderão totalmente, de imediato (só se sofrerem uma segunda derrota consecutiva - ninguém respeita ou deseja ficar perto de derrotados em série).

O maior problema para esses políticos derrotados é a CAIXA DE PANDORA que cada um carrega consigo.

Em muitas dessas Prefeituras dinheiro e recursos foram desviados e o abuso correu solto, durante os quase quatro anos de mandato (agora nesses últimos meses a correria é para deixar tudo maquiado, para parecer que está tudo em ordem). Contratos superfaturados, licitações duvidosas, produtos pagos que não foram entregues, funcionários-fantasma, nepotismo cruzado, tudo isso será minuciosamente vasculhado pelos novos administradores. E é aí que o TEMOR começa.

Sabe-se que em muitas Prefeituras o trabalho só começará DE VERDADE após uma minuciosa auditoria - que em tese, poderá render uma grande quantidade de prisões e cassação de direitos políticos - daí o ESPERNEIO de gente que não quer entregar o cargo nem que a vaca tussa, tentando de todas as formas prorrogar o improrrogável.

Boa parte disso tudo acontecer é a chamada Lei da Transparência, tão respeitada por estas bandas como sinal amarelo de semáforo: pode acelerar e passar que não dá nada!

Em muitas Prefeituras e Câmaras Municipais a Lei da Transparência simplesmente não funciona. Ninguém sabe quanto cada profissional ganha, nem o quanto é gasto. Em alguns casos, o gasto até é mostrado, mas não é detalhado em suas minúcias - o que manda a Lei.

A Lei de Transparência é fundamental para que o cidadão comum possa acompanhar de perto como estão sendo gastos e investidos os seus impostos - algo primordial em uma Democracia, porém até hoje não vi o empenho das autoridades fiscalizadoras que deveriam exigir rigorosamente o cumprimento da Lei, nesse sentido.

Tem cidade que o Portal da Transparência funcionou capenga por quase quatro anos e o Ministério Público só foi se pronunciar no finalzinho do mandato. Um exemplo disso foi a cidade de Corumbá,  onde o Ministério Público só se pronunciou sobre o assunto em Agosto de 2016 - e  cujo portal funcionava de forma parcial durante todo esse tempo (quando funcionava). 

BIZARRAMENTE, o Portal da Transparência da Prefeitura de Corumbá, a SEGUNDA cidade no ranking de arrecadação do Estado ficou FORA DO AR durante toda a campanha política das Eleições 2016 - e a população ficou sem saber o que acontecia com as finanças da Prefeitura nesse período, em tempo real. E NENHUMA autoridade se manifestou.

É claro, existem exceções: em Fevereiro deste ano, um Juiz de Campo Grande determinou que o Portal da Transparência da Capital fosse atualizado - mediante uma AÇÃO POPULAR, impetrada através de um ADVOGADO (não foi iniciativa do Ministério Público) - e deu PRAZO para que a determinação fosse cumprida. Como resultado, hoje temos os dados financeiros sendo atualizados em tempo real na Capital Morena.

As caixas de Pandora existem e serão abertas, em breve. Quando isso acontecer, choro e ranger de dentes serão o básico do básico, dentre as prováveis consequências:  patrimônios poderão ser dilapidados, bens poderão serão bloqueados, prisões poderão ser efetuadas e carreiras políticas poderão ser arruinadas. 

A certeza? Advogados enriquecerão.

Entendeu agora o esperneio? 

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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