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A Grande Mídia e o Sensacionalismo do Falso Estupro

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Se existe uma coisa que eu abomino, é o estupro. 

O estupro é um dos crimes mais hediondos que existem - porque ele não agride apenas fisicamente a mulher estuprada  - ela continua sendo violentada psicologicamente após o ato, por muitos e muitos anos - algumas infelizmente, por toda a vida. É um ato que transformará a mulher para sempre. Ademais, é um ato sexual que pode trazer outras terríveis consequências indesejadas à tiracolo, como DSTs e uma gravidez indesejada, por exemplo.

Sendo assim, o estupro é um crime que deveria ser punido com todo o rigor da lei - de forma exemplar e severa - para desestimular qualquer tipo de ação nesse contexto. É a minha opinião como marido, filho, irmão e pai de mulheres. É a opinião  de um HOMEM que de forma alguma, nunca estuprou nem nunca estuprará uma mulher na vida - por mais que algumas feminazis deliquentes insistam na imbecilidade ideológica que “todo homem é um potencial estuprador”, quando sabemos que mulheres também estupram, ainda que de forma menos frequente (e confirmando a tese de que muitas vezes o silêncio tem o seu valor inestimável).

Desde a semana passada o Brasil mobilizou-se em torno de uma adolescente que segundo ela, denunciou que “foi estuprada por 33 homens”. De acordo com a versão amplamente divulgada pela grande mídia, a adolescente foi drogada em uma favela e dezenas de homens abusaram da mesma; a comprovação do fato deu-se pela divulgação de um vídeo que foi compartilhado nas redes sociais e que mostrava a garota dormindo (provavelmente exausta depois do fato), enquanto alguns homens mostravam suas partes íntimas e vangloriavam-se de suas ações..

Mas sempre existe o “mas”. E o diabo mora nos detalhes. Apesar de ser jornalista e trabalhar com mídia, eu sempre desconfio de tudo aquilo que me apresentam, ainda mais quando as informações são confusas e imprecisas. E a mídia tem um papel crucial de informar com credibilidade - pois vivemos em uma época onde as pessoas acreditam que vão ganhar um Iphone se compartilhar um post no facebook ou que o WhatsApp será cobrado se você não repassar uma determinada mensagem em todos os seus grupos até uma bolinha ficar verde.

Sendo assim, o mínimo que a Grande Mídia deveria fazer seria garantir que as informações repassadas para a grande população fossem verdadeiras, apresentando uma versão imparcial dos fatos.

Mas não foi isso o que aconteceu: um vídeo viralizou nas redes, uma versão foi apresentada pela vítima e a mídia abraçou essa versão como se fosse a verdade absoluta. Não esperaram laudos, não ouviram testemunhas, não apuraram os fatos. 

Eu como jornalista, admito que a manchete “Garota é estuprada por 33 homens em favela do Rio - vídeo cai na rede” é mais que suficiente para render milhões de views, além de vender muitos jornais. Rende muito mais que “Atleta paraolímpico conta como superou seus limites físicos” ou “Garota da favela vence concurso internacional de Matemática”, sem sombra de dúvida. Amamos o sensacionalismo, porque vende mais: o povo adora a morbidez e a imprensa sabe disso, faz parte do jogo. Simples assim.

Mas como jornalista eu também tenho o dever de perguntar:

E se o estupro não aconteceu? E se o ato foi consentido? E se a garota realmente queria transar com vários homens? E se ela já tivesse feito isso outras vezes? E se dessa vez ela teve que inventar essa história porque o Mundo todo ficou sabendo da sua aventura sexual? E se o vídeo apresentado fosse apenas uma parte infíma da real verdade?

Vejam bem: não quero de forma alguma desmerecer a moral ou o caráter da menina. Não me interessa se ela fazia parte de uma facção criminosa como namoradinha de integrantes do bando. Também não me interessa se ela vendia seu corpo por dinheiro ou drogas. E de igual forma pouco importa se ela postava fotos e mensagens em redes sociais fazendo alusão a sexo, armas e drogas. Isso é uma opção dela, e eu respeito isso. Independente do que ela fazia ou deixava de fazer, estupro é estupro. Ao dizer não (ou ficar incapacitada para negar ou consentir), e o sexo acontecer, é estupro e ponto final.

Mas o que eu quero levar em consideração é que existe um outro lado da história rolando nas redes sociais (com fotos e outros vídeos) que desconstroem totalmente essa versão apresentada (ela estava lúcida e mensagens no WhatsApp mostram que era desejo dela ter uma relação múltipla com vários parceiros ao mesmo tempo) e que a Grande Mídia não está levando em consideração, porque “abraçou” apenas uma versão como sua verdade (com repercussão internacional) - e nesse momento ficaria muito feio que uma OUTRA verdade viesse à tona.

Para se ter uma idéia da gravidade que a coisa está tomando,nem mesmo o LAUDO PERICIAL comprovou que houve violência. Claro que o atraso na divulgação dos fatos prejudica os resultados - mas é o que se tem, quando uma denúncia é feita com muitos dias de atraso. 

Eu sei que existem casos de abusos onde realmente não há o emprego de violência física: o abusador dopa sua vítima com drogas que a deixam inconsciente e então toma todos os cuidados necessários (preservativos, lubrificantes) para que seus “rastros” se tornem quase indetectáveis - mas a violência existiu, porque não houve o consentimento da vítima.

“A justiça será feita”. Bullshit. Por ser “cega”, a Justiça erra  e erra bastante - e estamos cheios de casos assim no universo jurídico, de pessoas que injustamente pagaram por crimes que não cometeram.

Como eu disse antes: e se não houve abuso? E se estivermos olhando para o caso de uma Escola-Base dessas da vida? E se a denúncia foi falsa? Sabemos que existem vários casos de mulheres que inventam que um estupro aconteceu, seja para esconder relacionamentos ocultos, seja por maldade ou vingança, para destruir reputações ou apenas porque não existiram elementos que comprovassem o crime. Estupros que “aconteceram” e no final das contas, nunca aconteceu.

E como reparar o dano causado por uma falsa denúncia? Como reparar os danos causados a um homem que foi violentado, espancado ou morto dentro de uma cadeia - apenas porque uma mulher resolveu que naquele dia o incriminaria de um crime que ele não cometeu?  Complicado. Muito complicado. 
  
Não estou aqui para defender bandido algum, mas gostaria que a população antes de formar sua opinião, olhasse para os fatos com um olhar mais crítico - e jamais, jamais aceitar tudo o que empurram defronte seus olhos e ouvidos todos os dias.

Sendo assim, “confie desconfiando”, como diria paradoxalmente uma saudosa tia minha. É o mesmo conselho que dou para vocês.

Porque a verdade meus amigos, nem sempre é aquela que todos gostaríamos que fosse. 

Nem sempre.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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