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A ignorância que gera fanatismo e votos

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Pergunta rápida: o que um simpatizante de Bolsonaro, um eleitor de Jean Wyllys e um terrorista do ISIS têm em comum?

A resposta é mais simples do que se imagina: todos eles não tem capacidade argumentativa, não querem saber de discutir suas idéias e sentam em cima da sua ideologia como cães de guarda ferozes, assumindo que a sua verdade é a mais absoluta de todas.

Com essas características, está cada vez mais chato a vida online, nas redes sociais. 

Eu por exemplo, como jornalista - curto páginas e faço parte de grupos que muitas vezes não gosto do seu conteúdo - mas faz parte da minha profissão, pois tenho que saber o que se passa em um mundo alheio ao meu cotidiano. Porém isso está me gerando terríveis dores de cabeça e discussões chatas e intermináveis.

Curtiu a página do Bolsonaro? Fascista! Tome-lhe block. Curtiu a página do Jean Wyllys? Sua bichinha petista enrustida! E mais block.

O que eu acho engraçado nessa história toda é que tanto Bolsonaro como Jean são praticamente idênticos, em seus respectivos lados ideológicos.

Um defende a ditadura militar, outro a socialista. Um defende um torturador e assassino como o Ustra, outro faz pior: se veste como Che Guevara (e com uma camiseta com sua imagem), um dos maiores assassinos e torturadores que o mundo contemporâneo já conheceu, com pitadas de racismo e homofobia. Um defende a liberdade dos gays, mas não a econômica. Outro defende a liberdade econômica, mas é contra a liberdade dos gays. Um defende toda a podridão que aconteceu durante o regime militar. O outro defende toda a podridão que aconteceu durante a ditadura petista. Um defende “a família” mas ignora os conceitos de família nos dias atuais. O outro defende a sexualidade gay em cima de uma ideologia que se fosse aplicada à risca, estaria trabalhando em campos forçados na Sibéria até a morte, apenas por ser gay ( e que ainda hoje é crime ser gay na Rússia).  

E ambos, ganham votos com esse radicalismo ignorante. A cada vez que se confrontam, ganham mais adeptos e seguidores - afinal de contas, faz parte da estratégia de ambos: a palhaçada midiática, onde você meu querido leitor e leitora, são os principais palhaços do Circo.

Analisem: se nesse briguinha de comadres eles conseguirem cerca de 6% a 8% dos eleitores de suas regiões eleitorais, já serão os  políticos mais votados do Brasil.

Xinga aqui, cospe acolá e a continuidade do poder de ambos vai longe, graças à sua dedicação a um assunto que em tese, nem mereceria a nossa atenção.

Eu juro para vocês que eu agradeço ao Universo pelo fato que no Brasil não existe a mesma liberdade de expressão que existe nos Estados Unidos da América, de longe, a democracia mais madura do Mundo. Lá por exemplo, é garantida a existência de grupos racistas como a Ku Klux Klan e o Partido Nazista, por exemplo (e com o direito irrestrito de possuírem armas). Sim, ainda que seja uma bosta esse tipo de filosofia, é direito de quem GOSTA seguir por esse caminho, ainda que a maioria pense o contrário.   

- Aiiiiiiiin Fabão! Mas tem que dar block nesses simpatizantes de torturadores! Isso não pode acontecer mais!

Ok, Pequeno Gafanhoto. Mas isso vai ajudar a mudar esse pensamento coletivo? Isolando as pessoas que pensam diferentes de você? Sabia que as pessoas que se alistam no ISIS são justamente as pessoas que se sentem isoladas de um contexto social? Quanto mais isolamento, mais radicalismo - a regra é clara.  

Logo, quando você dá block em alguém apenas porque o pensamento dessa pessoa é diferente do seu, você não age como alguém que vive em um regime democrático - e sim, com TIRANIA - pois você não admite que alguém discorde do seu pensamento. Para nossa sorte é apenas um block indolor: os discordantes de Hitler, Stalin, Mussolini ou Mao Tsé-Tung não tiveram essa mesma sorte, por exemplo.

E tem mais: quando você bloqueia alguém ao invés de promover o debate saudável (também não adianta debater, debater e dar block depois, por não ter conseguido vencer o debate, hein?) você só estará contribuindo para que a ideologia do outro lado tome mais força, uma vez que não haverá ninguém do outro lado para contestá-la ou promover a contradição.

E se isso acontece em ambos lados, a tendência que é cada vez mais o radicalismo se torne mais e mais fanático e violento.   

Vou dar um exemplo bem popular. Olhe para as torcidas de futebol, separadas, uma em cada lado do estádio: não há mistura, uma olha para a outra com ódio, provoca, inflama o confronto. Quando isso acontece, você chega ao ponto de não enxergar mais a outra pessoa como um ser humano, mas como algo indesejável, que precisa ser eliminado. Não há integração, elas não se misturam, não existe o “sentar do lado”, não há aproximação. Apenas ódio.

E é exatamente o que anda acontecendo nas redes sociais. “Meu torturador é melhor que o seu, block.” Parabéns, você está contribuindo cada vez mais para um radicalismo absolutamente desnecessário em nosso país, especialmente em um momento onde em tese, todos nós deveríamos nos unir para combater o mal (ou os males) que nos assolam todos os dias, que sentimos na carne, na fila do SUS, no assalto na esquina de casa, no imposto que faz a diferença na hora de pagar a prestação do carro.

Então antes de se chocar com seu amiguinho que curtiu uma página de alguém que você odeie, tente compreender as razões. Pergunte, sugira textos. Aprenda a doutrinar e não apenas a jogar sujeira para baixo do tapete. Você pode não vê-la mais, mas ela ainda continua lá. E acumulando.

César, Napoleão e Alexandre, o Grande usavam o conceito de “dividir para conquistar” seus territórios invadidos, para que pudessem atingir seus objetivos com maior facilidade e menor resistência.  
  
Parabéns. 

Vocês estão fazendo seus papéis de conquistados, direitinho.

PS: Não voto em nenhum dos dois, não simpatizo-me por nenhum dos dois e na minha opinião pessoal (e democrática), são dois políticos que não agregam nenhum valor à maturidade política do nosso País - porém, como VOLTAIRE, defendo o direito de AMBOS a defenderem seus pontos de vista, por mais imbecil que isso possa ser.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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