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Até tu, Brutus?

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A Humanidade - desde o início dos tempos - é fascinada por histórias de amizade, confiança e traição: porque é natural do ser humano amar, confiar e trair. Trair? Sim, trair, senhoras e senhores. Boa parte dessas histórias não seriam tão fascinantes, se não existisse o elemento TRAIÇÃO, dentre elas.

Vou dar um breve exemplo, com uma dessas referências, talvez a mais conhecida, de todas: a história de Jesus não seria a mesma, se Judas, não o traísse. Como seria a vida do filho de Deus, sem que alguém o tivesse beijado no rosto, diante de um bando de guardas romanos?  Teria ele se casado, tido filhos, envelhecido e morrido em alguma cama da Galiléia, dando sua benção para seu primogênito e passando a Palavra para frente, como tantos outros personagens épicos e profetas bíblicos? Nunca saberemos. Só sabemos porém, que a sua glória originou-se justamente, no momento em que um dos personagens mais nefastos e execrados, da História da Humanidade - Judas Iscariotes - deu um estalinho, em uma das suas magras bochechas, em uma dessas madrugadas de orações. Sem Judas, não haveria prisão, martírio, morte e ressurreição. Sem Judas, Jesus não seria o que é, hoje. Judas é o Jeremias, da história de João de Santo Cristo, tão maravilhosamente reproduzido na saga-cancionada, de Renato Russo. Judas foi - paradoxalmente - o start para a honra e glória, de Jesus.
  
E ainda hoje, podemos observar diversas dessas histórias, em nosso cotidiano. Entre as mais recentes - e com roteiros que nem os Irmãos Grimm, Sheakspeare ou Janete Clair poderiam escrever - a de dois Prefeitos, aqui, no nosso Estado: Bernal, da capital Campo Grande e Ruiter Cunha (na verdade, ex-Prefeito, no momento), da longínqua, mas não menos importante, Corumbá - a segunda maior arrecadadora fiscal do Estado.  
  
O primeiro foi traído pelo seu vice, que conspirou e usurpou o seu lugar ao trono municipal, em conjunto com vereadores e empresários - fato já amplamente divulgado pela mídia. O segundo, o ex-prefeito de Corumbá, foi traído por alguns dos seus melhores amigos - e que por esta razão, o prefeito com o maior número de votos da história de Corumbá, ficou sem uma cadeira, na Assembléia Legislativa, nas últimas eleições.  
  
Ambos populares, ambos traídos. Ambos, por gente que eles depositaram total confiança - pois traição, meus amigos, só ocorre, quando é realizada por gente da sua confiança. Um inimigo não trai, ele JAMAIS irá te trair - ele está fazendo o seu papel de inimigo, ao querer arrasar com a sua vida, sua carreira, sua moral. É o papel DELE, naturalmente. Traição só acontece, quando você deposita sua confiança em alguém - e então, o pior acontece:

“Até tu, Brutus?”

Por outro lado, temos mais uma coisa em comum, nessas duas histórias: ambos retornam absolutamente fortalecidos, pelo clamor popular: são as vítimas, são os injustiçados. Pagaram o preço pela sua confiança e lealdade. Eles não são diferentes do Zé, aquele honesto trabalhador que sua o dia todo para sustentar a sua casa e a sua família - mas é traído todas as tardes pela Janete, “aquela biscate irresponsável, que só vive para fazer unhas, pregar a bunda no sofá da TV a abrir as pernas, para meter chifre no pobre e esforçado marido operário. Nem para fritar ovo, presta.”   
  
Desculpem-me pelo exemplo chulo, machista e grosseiro. Mas é exatamente assim, que o povo pensa - e não vi analogia mais apropriada, para representar este momento.

Pois não existe nada pior para o TRAIDOR, quando a traição atinge alguém POPULAR, alguém que é visto com bons olhos pela maioria da população - ainda que tenha cometido erros no passado, que necessitem de apreciação. Para o povo, quando a traição acontece - todos os erros do passado tornam-se irrisórios, diante de tamanho mau-caráter alheio. A traição, sobrepuja os outros males. 

A prova disso é que no aniversário da cidade de Campo Grande, poucas vezes vimos um político municipal, tão popular. Se Bernal saísse hoje, da Prefeitura - tenho certeza absoluta que ele se reelegeria, ano que vem.  
  
De igual forma, a popularidade de Ruiter também foi presenciada em Corumbá, no Festival América do Sul: todos vinham cumprimentá-lo, afagá-lo, prestar sua reverência ao Rei que se aproxima do trono, mais uma vez - para desespero do grupo traidor - pois agora, ele joga no time adversário. O engraçado é que seus ex-cumpanhêros o chamam de traidor, por ter ido justamente para o partido de maior oposição ao seu partido anterior - mas o que fazer quando se é traído dentro do seu próprio partido? Pelas pessoas mais próximas? Ficar e posar de Amélia? Criar fama de sem-vergonha? Nesses casos, meus amigos,o traidor não é quem sai: é quem fica. 

E depois, tem ainda aquela situação: imaginem o Neymar, que joga no Barcelona - indo para o Real Madrid? Pois é. Bate um incômodo, na torcida adversária, né? Ainda mais, quando o técnico, é o Governador - o que me faz recordar da outra vez, quando Ruiter caiu nas graças de outro Governador, Zeca - e que, com sua bênção - possibilitou tornar-se prefeito de Corumbá, por oito anos. Vejo mais um ciclo da História, se repetindo, diante dos nossos olhos. Eles também devem ver isso - e com certeza, sentem calafrios. Se eu estivesse lá, também sentiria. Afinal de contas, como diriam os ingleses: “Who wants to lose the little mouth? (Quem quer perder a boquinha?)”.  
  
Também não consigo mais ver o Bernal, fora da Prefeitura, até o final deste seu mandato. Passadas as 24 horas de tensão iniciais - típicas dos movimentos de recursos judiciais - e com o apoio da Câmara Municipal e do Governador, com o Ministério Público e Força-Tarefa lascando a vida dos traidores e conspiradores, de todas as formas (Olarte perdeu até mesmo, sua Igreja) Bernal deve ficar - e com isso, tem MAIS UMA CHANCE para mostrar o que veio fazer, por Campo Grande.  
  
A vida, a política, a Justiça são repletas de plot twists - aquelas reviravoltas fantásticas, no roteiro da estória.

Mas em todas, elas, em todas MESMO - ficou provado que não é um bom negócio, ser o traidor de alguém.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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