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Depressão pós-parto: Superando o medo de ser mãe!

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Qual mulher nunca sonhou em ser mãe? Muitas expectativas são criadas, muitos sonhos são abraçados e muitos desejos são alcançados. Porém, mesmo diante de um evento tão aguardado, muitas mulheres podem desenvolver um transtorno não esperado e muito desconhecido nessa fase, estamos falando da depressão pós-parto. Um problema que acomete muitas mulheres que, mesmo com seu desejo em alta, se depara com um novo momento que requer mudanças radicais em sua vida. Muitas delas não têm consciência do que está passando e não entendem o por quê de tal situação estar acontecendo.

            A depressão pós-parto é uma depressão moderada ou grave que acomete a mulher após ela ter dado a luz à um bebê. Ela pode ocorrer logo após o parto ou até um ano depois. Na maioria das vezes, ocorre dentro de 3 meses após o nascimento. O fato acontece porque as mulheres geralmente apresentam alterações no humor durante a gravidez e especialmente depois dela. Tudo isso está relacionado às alterações dos níveis hormonais. No entanto fatores não hormonais também podem afetar o humor durante esse período, pois situações novas preocupam qualquer indivíduo. Podemos destacar as alterações no corpo causadas pela gravidez e pelo parto como mudanças no trabalho e nas relações sociais, ter menos tempo e liberdade privação de sono e preocupações com a habilidade como mãe.

            Os sintomas da depressão pós-parto são os mesmos da depressão que ocorre em outros momentos da vida. Além da tristeza e da depressão, você poderá apresentar alguns dos seguintes sintomas como agitação e irritabilidade, falta de apetite, sensação de inutilidade ou perda, de reclusão ou desconexão social, falta de prazer em todas ou quase todas as atividades, falta de concentração e de energia, problemas para executar tarefas em casa ou no trabalho, sentimentos negativos em relação ao bebê, ansiedade exagerada, pensamentos sobre morte e suicídio e problemas para dormir.

            A sensação de ansiedade, irritação, tendência a chorar e inquietação é algo comum na primeira ou na segunda semana depois do parto, mas esses sintomas quase sempre desaparecem sem a necessidade de tratamento. O problema está quando esses sintomas insistem em se fazer presente depois de um mês após o parto. Vale ressaltar que essa depressão pode se manifestar até no homem, que se vê diante da nova situação de se tornar pai a qual também exige mudanças em seu cotidiano e a preocupação de sustentar a prole.

            A pessoa pode apresentar mais chances de sofrer de depressão pós-parto, se tiver menos de 20 anos; fizer uso abusivo de álcool, consumir substâncias ilegais ou fumar (esses fatores representam sérios riscos para a saúde do bebê); não tiver planejado ou desejado a gravidez; já tiver apresentado quadro de depressão, transtorno bipolar antes da gravidez, incluindo depressão em uma gravidez anterior; tiver passado por uma fase difícil durante a gravidez, incluindo uma doença, a morte ou doença de um ente querido, tiver passado por um parto difícil, de emergência ou prematuro, ou o bebê apresentar alguma doença ou anomalia; tiver um familiar próximo que já teve depressão ou distúrbios de ansiedade; tiver uma relação difícil com o parceiro ou não for casada; estiver passando por problemas financeiros (baixa renda, problemas de moradia); receber pouco apoio da família, dos amigos e do parceiro. Claro que tudo isso varia de pessoa para pessoa.

            Uma mãe com depressão pós-parto também pode sentir-se incapaz de se cuidar ou cuidar do bebê, ficar com medo de ficar sozinha com ele, ter sentimentos negativos em relação ao seu filho ou até pensar em machucá-lo (embora esses sentimentos sejam assustadores, essas ações raramente são executadas), preocupar-se demais com o bebê ou ter pouco interesse nele.

Se alguém passar por essa complicação é fundamental que procure ajuda da família e amigos com o intuito de atender às necessidades do bebê. Não esconda seus sentimentos, exponha-o para as pessoas próximas estarem cientes do que o está acometendo. Não faça grandes mudanças na sua vida durante a gravidez ou logo após o nascimento do bebê. Reserve um tempo para sair, visitar os amigos ou ficar sozinha com o parceiro. Repouse o máximo possível, aproveite o tempo pra dormir ou descansar quando o bebê estiver dormindo. E procure orientação profissional com seu médico e um terapeuta.

Se não for tratada, a depressão pós-parto poderá durar meses ou anos, podendo representar um risco para você e para o bebê.

            Não se esqueça, uma relação bem estabelecida entre mãe e filho é a fonte de um desenvolvimento saudável!

Michele Guimarães de Azevedo Martins
Psicóloga formada há 13 anos, pela Universidade católica de Petrópolis (RJ). Pós graduada em psicanalise e gestão de recursos humanos. Trabalha como psicóloga clínica. Professora de cursos técnicos. Trabalhou na Prefeitura de Três Rios coordernando grupos de tabagismo e através de palestras, trabalhou na prevenção e promoção de saúde mental.

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