Textículo

Falem bem ou falem mal, mas falem de mim

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Como bom corumbaense eu conheço bem o meu povo, perdidamente apaixonado pela nossa terrinha, a querida Cidade Branca. Essa paixão tem suas razões, que já escrevi nesse texto aqui.

O corumbaense clássico chora quando o Corumbaense F.C. perde, não consegue sobreviver muito tempo sem comer saltenha, troca qualquer bebida por uma garrafinha de mate gelado, tem DNA de sarravulho nas veias e se não disser “Ala”,”Vôte”,”Hê-há”,”Espia” ou “Hum-hummmmm” em suas interjeições interlocutórias, desconfie - porque esse cara não é corumbaense.

O corumbaense típico é capaz de convidar um estranho que conheceu no mesmo dia à tomar um tereré ou comer um churrasco em sua casa, desde que o mesmo seja simpático, divertido e agradável. Faz parte da nossa tradição centenária, ser devoto da arte de recepcionar bem e ser hospitaleiro com nossas visitas.

Mas ai de quem falar mal ou “denegrir” o nome da nossa terrinha.  Prefira ser morto bebendo lava quente ao mesmo tempo que é empalado em um angico coberto de cansanção e pimenta do que topar com  um corumbaense puto da vida, só porque você falou algo sobre Corumbá que de certa forma “denegriu” a imagem da cidade.

E acreditem, isso pode ser por qualquer bobeira. Qualquer bobeira, MESMO! Não acreditam? Olhem os exemplos abaixo:

Não faz muito tempo, o ex-prefeito de Corumbá derramou-se em um imenso e desnecessário mimimi apenas porque Corumbá foi citada em uma cena de novela como “rota do tráfico” (como se Corumbá pudesse deixar de ser fronteira com a Bolívia e o Paraguai - dois dos maiores produtores internacionais de cocaína e maconha).

E ontem, a cidade ficou em polvorosa apenas porque a vilã de uma novela em uma cena PASSOU por Corumbá, à caminho da Bolívia - em fuga para os EUA. 

Então começou o mimimi novamente, nas redes sociais.

"Ai, mimimi...denegrindo Corumbá na novela...mimimi...bandidagem...mimimi".

Confesso que até cansa discutir com meus conterrâneos a esse respeito. Muitos não compreendem que uma cidade aparecer na TV é um privilégio, pois chama a atenção de toda a população de um país para aquela localidade. 

E quando chama a atenção (de forma positiva ou negativa), as coisas começam a funcionar. Tá aparecendo muito na TV por conta de tráfico? Então as autoridades começarão a se mobilizar, porque vai chegar um momento que vai ficar ruim para todo mundo, inclusive para os governantes, policiais, etc. E chamando a atenção de gente de fora, essa turma quando chegar aqui vai ver o contrário - porque os administradores da cidade farão de tudo para mostrar uma cidade limpa, organizada e segura.

Mas se tudo ficar no marasmo, se ninguém falar nada, se ninguém mostrar nada - então nada mudará. Entenderam o X da questão?

Mídia é bom, amiguinhos.

Ademais, se apenas o fato de Corumbá ser CITADA em uma novela for suficiente para denegrir sua imagem, de prejudicar o turismo e toda essa besteira que eu li ontem - então meus amigos, nossa cidade é uma merda e fomos enganados esse tempo todo pelos nossos pais, avós, bisavós… 

Porque sinceramente eu não acredito que isso seja suficiente para jogar toda a nossa história, cultura, gastronomia, tradições e uma paisagem belíssima no lixo turístico.

Se fosse assim, Nova Iorque ( que já foi destruída centenas de vezes em atos terroristas, invasões alienígenas, guerra de gangues, tsunamis, terremotos e o escambáu ) não seria a cidade que mais recebe turistas no mundo, não é mesmo?

Corumbá TEM que aparecer e DEVE aparecer muito na mídia. 

Aprendam: Mídia é bom, amiguinhos.


PS: Pobre é da nossa irmã Ladário que quase nunca aparece na mídia nacional e a última vez que apareceu, foi por fraude em diárias na Câmara Municipal, lá em 2015.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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