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Inteligência Artificial: o começo do nosso fim

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Talvez você nunca tenha pensado sobre o assunto, mas nós - seres humanos - só dominamos este planeta porque desenvolvemos raciocínio e inteligência superior as outras espécies viventes por aqui, o que nos coloca no topo da cadeia alimentar e, consequentemente, como os donos da imensa bola azul chamada Terra. Se existisse uma espécie superior à nossa, tenha absoluta certeza que hoje você seria subjugado por ela - seja como força braçal, seja como alimento; tal como fazemos HOJE com burros, cavalos, porcos e galinhas. Domínio, superioridade e subjugação faz parte da Natureza, não é uma invenção humana - é uma questão de sobrevivência.

E como raça superiora às demais, tomamos o controle e o poder sobre decidir quem vive e quem morre por aqui: criamos novas espécies de cães, gatos, aves e outros animais domésticos, extinguimos milhares de outras espécies por descuido ou em nome do “progresso” e criamos espécies híbridas de alimentos para saciar a demanda da nossa fome.

Porém, isso não é suficiente. Queremos mais. Algo para conversar, falar, nos compreender (e talvez fazer o nosso trabalho pesado): um avatar de nós mesmos. Queremos algo à NOSSA imagem e semelhança

Há algumas décadas, a comunidade científica vem trabalhando e avançando em pesquisas relacionadas à I.A. ou Inteligência Artificial. Construir robôs e automatizar processos mecânicos hoje é uma mão na roda. Temos hoje robôs construindo carros, lutando em arenas, entretendo e servindo pessoas e até mesmo explorando outros planetas - ou seja, robozinhos deixaram de ser objetos de ficção científica há muito tempo.

Mas um robô é uma máquina que só desenvolve suas atividades para as quais ele foi programado para fazer - não possui um “cérebro pensante”. E aí que entra a parte perigosa da coisa: a I.A.

Acreditem: é muito difícil ser “inteligente”. A forma como o homem raciocina é complexa e faz parte de todo um processo de aprendizado que começa dentro do útero, quando passamos a identificar sons e sensações agradáveis ou não.

Como ensinar para uma máquina por exemplo, o que é uma árvore? Pode parecer besteira, mas um ser humano quando visualiza um pinheiro, uma cerejeira, uma palmeira, um cedro desfolhado, um ipê colorido ou um pé de manga carregado de frutos - todos nós sabemos que é uma árvore, independente de sua cor ou forma. E isso também vale para um tronco caído ou apodrecido, independente do conceito de árvore estar relacionado à um tronco de madeira fixado no chão, com raízes. E quando pegamos algum objeto de madeira ou andamos sobre um piso de tacos, sabemos de onde veio aquela matéria-prima. Ate mesmo os rabiscos e garatujas da interpretação de uma árvore no desenho de uma criança, nós SABEMOS que ela quis representar uma árvore ali, no papel. Entenderam como é complexo APRENDER o que é apenas o conceito de “árvore”? Agora imagine “ensinar” um raciocínio lógico semelhante ao ser humano para uma máquina. Parecia uma tarefa impossível.

Parecia.

Em fevereiro de 1996 o mundo se surpreendeu com a batalha que aconteceu entre  o supercomputador (na época, com 256 co-processadores matemáticos) da IBM chamado Deep Blue e o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov, (nascido no Azerbaijão, naturalizado russo) considerado O GÊNIO enxadrista. No seu primeiro combate, o russo venceu a máquina por 4 a 2. A máquina analisava 200 milhões de posições por segundo, Kasparov apenas 15: o que provou que o que importava não era a velocidade da análise, mas sim a INTERPRETAÇÃO inteligente dessas análises (e mais tarde foi revelado que Kasparov só venceu porque tinha um ERRO no software da IBM).

Em junho de 1997, pouco mais de um ano depois Deep Blue vencia Kasparov após uma atualização no seu software. Em sua base de dados, continha os movimentos e técnicas de mais de 700 mil partidas de Mestres e Grandes Mestres do xadrez - inclusive Kasparov. Era a primeira vez que a Máquina vencia o Homem em um confronto “intelectual”.

Incrivelmente em junho deste ano (2016), teve uma notícia que não teve a mesma repercussão que o confronto Kasparov x Deep Blue teve nos anos 90: a notícia que Gene Lee, um piloto aposentado da Força Aérea Americana com a experiência de milhares e milhares de horas de vôo tático e em dezenas de aeronaves (sendo piloto de testes e consultor de muitas delas) e ex-professor de cursos de aviação militar avançado (lembra-se de Top Gun?) perdeu para um “piloto virtual” controlado por I.A. em um simulador de vôo.

O que chama a atenção para esse fato é que o programa de I.A. foi “treinado” durante alguns meses em um PC de US$ 500 dólares (R$ 1.697,00 conversão de hoje) e rodou em um Raspberry PI (uma placa impressa com memória (geralmente 512 MB RAM) e processador ARM  - todo o conjunto tem o tamanho aproximado de um cartão de crédito) que custa em média US$ 35,00 nos EUA.

ALPHA é o nome do software de I.A. desenvolvido pela empresa Psibernetix que venceu o piloto mastorebapower usando algoritmos avançados que foram aperfeiçoados através da tecnologia fuzzy logic - um método de aprendizado baseado em erros e acertos, com adaptações de interpretação de acordo com a necessidade da situação. ALPHA não apenas tinha o conhecimento adquirido em muitas horas de simulação de vôo, mas APRENDEU a reagir em diferentes situações de combate - tomando a melhor decisão para abater o piloto humano no menor período de tempo possível.

Então os técnicos resolveram trapacear ALPHA: cortaram seus sensores de velocidade, temperatura, direção do vento e altitude: ALPHA voaria apenas com seu campo visual, um vôo quase sem instrumentos que limitaria (em tese) sua capacidade cognitiva: Não deu certo. Lee foi “abatido” assim mesmo, provando aos cientistas que independente da situação da sua “aeronave”, ALPHA usaria toda sua técnica, conhecimento e experiência de vôo ao máximo - para abater Lee. 

Sim, amiguinhos. Um piloto de combate com a experiência acumulada desde os anos 80 perdeu para uma plaquinha de circuito impresso que cabe na palma da sua mão, com folga.

No momento que Lee PISCAVA, o piloto virtual ALPHA já tinha analisado 250 movimentos táticos COM INTELIGÊNCIA para cada reação do militar.

Nas batalhas realizadas no simulador de vôo, Lee ficou surpreso com a capacidade reativa e tática do seu adversário, que segundo ele “comportou-se como o pior oponente que já viu na vida”.

“Tenho certeza que se o combate fosse real, eu não sairia dele vivo” - disse ele.

Bill Gates já fez várias declarações à imprensa dizendo que “tem medo” dos avanços realizados na área de I.A. Stephen Hawking, o gênio da Física Moderna já disse que a inteligência artificial poderá causar o fim da Humanidade. E Elon Musk, o criador da Tesla Motors (e carros inteligentes que não precisam de motorista) também disse que a I.A. é a pior ameaça à nossa existência.

Segundo todos esses profissionais da ciência, a humanidade apertaria o botão start para o fim de sua existência, com a criação de um programa de computador. Que ironia.

A I.A. sem dúvida pode nos auxiliar em muitas tarefas que exigem um raciocínio complexo, com velocidade e precisão. Mas quais seriam os limites de autonomia dessa nova “mente pensante”?

Como um software de I.A. reagiria ao tomar conhecimento da sua própria existência? Como uma I.A. reagiria ao tomar conhecimento que ele é SUPERIOR à espécie humana?

Estamos avançando por uma seara perigosa. Estamos correndo o risco de criarmos meios e mecanismos que produzirão a EXTINÇÃO da raça humana, ao invés de levá-la a uma nova idade de ouro.

Imagino como seja divertido brincar de deus. Criar e ver sua criação tomando vida e consciência é a coisa mais fascinante do mundo: temos a mesma sensação quando criamos os nosso filhos e acompanhamos o seu desenvolvimento, a sua evolução.

O problema é que nessa “brincadeira” com I.A., vamos acabar criando um deus.   

E ele pode não ser tão bom, como imaginávamos.

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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