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No Dia da Mulher, o que ela precisa é de respeito por si mesma

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Passei meu dia observando as atividades relacionadas ao Dia Internacional da Mulher. Além de todas as homenagens de praxe, minha atenção foi dirigida à um movimento mais politizado nas redes sociais muito maior em relação aos anos anteriores - o que é bom, muito bom.

Mas infelizmente eu também vi muito ranço sendo destilado em relação aos homens, como se nós homens ainda fôssemos aqueles trogloditas pré-históricos incapazes de tratar uma mulher com a devida doçura e gentileza merecidas.

É claro que ainda existem países que resistem à uma cultura gênero-igualitária, onde predomina uma intolerância machista capaz de mutilar genitais femininos ou ainda, que força meninas a casarem-se assim que entram em período fértil.

É claro que ainda existem homens violentos, intolerantes e estupradores (e mulheres que gostam desses homens, também) - mas  afirmo que esses homens são exceção à regra. Nós homens repudiamos o estupro - tanto é que criminosos estupradores recebem tratamento “especial” na cadeia

Porém, ironicamente a grande responsável pela situação atual da mulher é provocada pela própria mulher. Sim. Desculpem-me meninas, mas desta vez não temos culpa nisso - e vou explicar, logo abaixo. 

O homem moderno - em especial o ocidental - ao contrário do pregado por um  certo “feminismo radical”, de forma alguma é partícipe de qualquer “cultura do estupro” ou que deteriore de alguma forma a participação da mulher na sociedade. Há muito tempo já acostumamos com vocês no mercado de trabalho e juramos que sentimos falta quando não há o cheiro de uma mulher, a perfumar o escritório.    

Mulher dirigindo caminhão, manobrando guindastes, sendo gari, militar, soldando carros ou criando peças em uma fábrica já deixaram de ser novidade há muitos anos. Vocês já provaram para nós e principalmente para vocês mesmas, que vocês podem ser o que quiserem ser, pois hoje vocês podem (legalmente e moralmente) ter o que desejarem (inclusive ter nas mãos a Presidência de um país). 

Ao contrário do que vocês imaginam, nós homens adoramos as suas conquistas. Sério!

Quando vocês conquistaram o seu espaço, vocês tiraram de nós a responsabilidade exclusiva de sustentar e proteger uma família - uma pressão imensurável imposta sobre nós desde os primórdios da raça humana - e talvez boa parte da origem do estresse que nos mata muito mais cedo que vocês. Sendo assim, dividir deveres, responsabilidades e direitos com vocês  (ainda aguardo ansiosamente pelo serviço militar obrigatório feminino aos 18 anos) foi a melhor coisa que nos aconteceu - pois com isso pudemos relaxar mais, ter mais tempo para nos dedicar à família e com isso, passar a compreender melhor vocês - também (inclusive a tão temível TPM).

Porém, a mulher ainda enfrenta uma grande barreira: a própria mulher e sua natureza competitiva.   

Outro dia eu vi uma amiga postando em uma rede social a seguinte frase:

“Se as mulheres fossem unidas como os homens, ninguém nos segurava”.

E ela estava corretíssima - pois o grande inimigo da mulher hoje em dia não é mais “o homem” - mas sim, a mulher.

Caras meninas: dificilmente um homem chamará uma mulher de puta, apenas canalhas se prestarão à esse papel. Para que vocês tenham uma noção da liberalidade masculina, eu conheço pelos menos uns três caras que casaram com prostitutas de verdade e são muito felizes até hoje, sem arrependimentos ou neuras. Mas é comum você ver essa expressão pejorativa na boca de mulheres ofendendo outras mulheres, em especial de uma mulher mais “recatada” referindo-se ao comportamento de outras mulheres mais “moderninhas” (sim as expressões foram designadas propositalmente), por exemplo. Faça o teste: mostre um vídeo ou uma foto de uma mulher trajando roupas minúsculas ou dançando com esses mesmos trajes, sensualmente, para seus amigos e amigas. Qualquer homem dirá (ou pensará, por amor aos dentes): “Gostosa”. A mulher?

“Puta, periguete, biscate”.

A mulher é a primeira a denegrir a imagem de outra mulher - em especial, quando a rival em questão invade a sua zona territorial - mesmo quando o alvo não se encontre presente fisicamente, naqueles momentos que a mulherada dá aquela “olhadela” da cabeça aos pés de uma estranha que adentra seu ambiente. Já vi casos de mulheres que deixaram de admirar artistas apenas porque seus respectivos companheiros acharam as mesmas “interessantes”. Pequenas atitudes assim, por mais inofensivas que possam parecer à primeira vista - acabam por refletir em uma coisa mais importante que discutiremos, abaixo.

Incrivelmente essa atitude possessiva (em maior ou menor grau) é tão comum às mulheres que acabou fazendo parte do nosso inconsciente coletivo como um todo, tornando-se motivo de piada: sim, a charge da mulher esperando o marido na porta de casa com um rolo de macarrão facilmente encaixa-se em uma piada, mas quando invertemos os papéis dos protagonistas, é crime - a prova que existe uma conscientização masculina (em sua grande maioria) que é errado a violência contra a mulher (mesmo em piadas - pois em todas elas, o homem apanha).

E então chegamos ao ponto G da questão: vejo mulheres reclamando dos seus direitos, algo que seria absolutamente desnecessário se as mulheres resolvessem participar efetivamente da política - e absurdamente as mulheres não participam da política não porque seus direitos foram cerceados de alguma forma (os direitos já estão garantidos desde a Constituição de 1988), mas simplesmente porque elas não desejam. Falo com propriedade de presidente local de partido político: foi quase um parto (linguagem figurativa, sem pedras por favor!) conseguir arrumar candidatas mulheres em número suficiente para participar do pleito.

Ademais, mulheres correspondem em média à 51,95% do total geral de eleitores no Brasil. Contrariando o óbvio (maioria de eleitoras, maioria na representação política), as mulheres amargam 13,5% dos cargos de vereadoras, e na Câmara Federal esse número baixa para míseros 10%. Culpa dos homens? Claro que não, isso é só a comprovação de algo que já se sabe há muito tempo: mulher não vota em mulher. Pesquisas mostram que homens têm mais propensão a votar em candidatas mulheres que as próprias mulheres, sendo assim boa parte das mulheres políticas no mercado foram eleitas por uma maioria masculina - durmam com isso, mulherada! É aquele comportamento competitivo ao extremo que narramos ali em cima, na prática: dificilmente uma mulher elegerá uma semelhante para ocupar uma posição estratégica melhor que a sua: é a natureza feminina em seu máximo esplendor.

E então eu pergunto: como cobrar dos homens respeito, se vocês mulheres não se respeitam?

Como ajudar vocês, se vocês mesmas não se ajudam? 

E nem estou falando do comportamento inexplicável de algumas mulheres que dizem que pregam um “feminismo (mas dissemina o ódio e a intolerância ), em uma linha de pensamento tão desconexa a ponto de protestar contra o turismo sexual ( cadê a liberdade da mulher em “meu corpo, minhas regras”? ) mas não diz uma palavra sobre as diversas atrocidades contra as mulheres que acontecem em alguns países, apenas para não confrontar sua corrente político-filosófica. Ainda bem que essas mulheres frustradas que disseminam a intolerância e o ódio são exceção à regra - tal qual os homens violentos e intolerantes que citei lá em cima. 

Estou falando da mulher comum que tem o poder de transformar gerações inteiras apenas com pequenos ajustes na educação oferecida - afinal de contas, se a educação dada à população é machista e se a responsabilidade da educação é em sua grande maioria delegada às mulheres, então vocês não estão fazendo a coisa certa, meninas. Digo isso porque eu mesmo me pego muitas vezes corrigindo a minha própria esposa, para que a nossa filha não cresça com limitações baseadas em conceitos arcaicos machistas.

Mulher pode receber flores, mulher pode dar flores. Mulher pode receber uma cantada, mulher também DEVE dar uma cantada. Homem sai com uma mulher apenas para “comê-la”, Mulher também pode fazer a mesma coisa. Simples assim. 

Sendo assim, a verdadeira revolução feminina não será feita fazendo sexo com objetos religiosos por loucas que querem “dar o exemplo”, mas nem sabem o que querem da vida.

A verdadeira revolução feminina começará a partir do momento em que VOCÊS mulheres passarem a educar seus filhos, filhas, netos, netas, esposos, pais, enfim - a desenvolverem um comportamento igualitário. A fase dos sutiãs queimados já passou: “Ok, nós entendemos e concordamos com vocês”. 

Agora vocês devem ensinar que homens e mulheres não são inimigos, mas companheiros que podem e devem trabalhar juntos - pois apenas assim conseguiremos construir uma sociedade mais justa, mais democrática, mais humana no sentido pleno da palavra. E para que isso aconteça de facto, vocês devem passar a valorizar vocês mesmas, isso agora deve partir de VOCÊS - a bola está com cada uma de vocês. 

Mudem de comportamento, elejam suas representantes. Garanto que isso fará uma grande diferença - mais do que qualquer outra grande conquista, até agora.

Palavra de um amigo que está de fora, mas está vendo tudo isso acontecendo e como HOMEM, não posso deixar um brother (ou uma sister) não mão - né?

Então neste dia de hoje recebam com carinho o meu apoio e solidariedade - aquela que no momento, só os homens têm -  e que vocês aprenderão um dia a ter, umas pelas outras.

Feliz Dia Internacional da Mulher.

PS: Este texto é dedicado à minha avó Helena e à Tia Cecília - mulheres que me ensinaram a ter amor e respeito pelas mulheres, à minha mãe Vera que é um exemplo de mulher guerreira incansável, para Ana, a mulher mais incrível que conheci na minha vida, a minha cúmplice de todos os momentos - e à minha filha Isabelle, uma menininha que está crescendo consciente de todas suas possibilidades como ser humano, independente de gênero. 

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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