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Qual é a vocação de Corumbá?

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Eu costumo dizer que o corumbaense é um povo que sabe e conhece muito bem o seu passado, mas não tem a mínima noção de como planejar o seu futuro. Conhecemos e nos vangloriamos de um passado imponente e majestoso, mas somos incapazes de ter uma visão alinhada para planejar a nossa vida para os próximos 10, 20, 50 anos.

E o que nos falta para isso? Entender o que é Marketing.

Olhe para cidades como Maracaju - que descobriu a sua vocação para o agronegócio há décadas, plantando soja, algodão e milho e de lambuja, conseguiu criar um produto gastronômico conhecido no Estado todo - a linguiça de Maracaju. Agora pergunte para um douradense ou um três-lagoense se ele sabe o que é o centenário SARRAVULHO. Não sabe, nunca ouviu falar. Faltou marketing para nosso prato.

Bonito, aquela currutela de fazendas e sítios cortados por córregos de água limpa tornou-se o maior destino turístico de Mato Grosso do Sul. Turistas pagam milhares de reais para nadar em um córrego que não tem 1/3 da largura de nossas ruas - e isso porque temos um PANTANAL IMENSO à beira de nossas casas. Faltou marketing para o nosso turismo.

Três Lagoas tá ali, na fronteira do Estado, divisa com São Paulo. Na teoria, seria uma daquelas cidades “de passagem”, mas a cidade transformou o seu destino ao enxergar São Paulo como um potencial mercado consumidor e incentivado a instalação de grandes e poderosas plantas de fábricas em seu território, recebendo incentivos fiscais para exportar para o estado em questão. Eles souberam aplicar o marketing necessário, para vender o seu peixe.

E Corumbá? Qual a vocação de Corumbá?

Mineração é carta fora do baralho. Primeiro, porque minério não se dá em árvores - um dia tudo acabará. Segundo porque o mercado  internacional é muito instável (conhece alguém desempregado das mineradoras nos últimos anos?) e a nossa posição geográfica não facilita a logística do processo.

Virar uma cidade “de passagem”? Ainda que seja uma grande sacanagem pelo potencial que Corumbá têm, há grandes chances de que NEM ISSO aconteça - Corumbá não tem representação política a nível estadual e federal comprometida com a região e logo, logo já estarão DESVIANDO a rota bioceânica que existe atualmente entre Corumbá-Bolívia para Porto Murtinho-Paraguai. Sim, isso vai acontecer e não adianta reclamar. Isso é a consequência do resultado das urnas: mea culpa, nossa culpa.

Me diga qual a vocação de uma cidade cujo nome em tupi-guarani é “local distante de pedras brancas” ou ainda, “fim do mundo”? Me diga COMO GANHAR DINHEIRO em uma cidade que fica distante cerca de 460 km da Capital do estado, cercada de um país mais pobre que o nosso (Bolívia) e mato para todos os lados? Como a nossa cidade pode atrair gente para investir na região, atrair turistas, empresários, profissionais, oportunidades de negócios? O QUÊ motivaria alguém a vir para cá?

A resposta é uma só, meus amigos: Turismo e Eventos.

Ainda que não tenhamos percebido, a nossa cidade é a mais rica em cultura, gastronomia, história e belezas naturais do Estado. Nossa cidade inteira é um diamante bruto sem lapidação. O tesouro está aí, diante dos nossos olhos e estamos morrendo de fome, porque não sabemos utilizá-lo. Nos NEGAMOS a utilizá-lo.

Hoje eu vi um MIMIMI imenso provocado pela oposição política ao poder local, apenas porque existe a possibilidade de ter um show  de uma dupla de cantores sertanejos de primeira linha na cidade.   Qualquer cidadão mais inteligente SABE que esses recursos são específicos para isso e a Lei de Responsabilidade Fiscal IMPEDE que recursos destinados para uma área possam ser desviados para outra. A Saúde - tão criticada (e com razão, em alguns casos)  -  JAMAIS poderia receber esse dinheiro. É a nossa Lei e sinceramente, está corretíssimo - afinal de contas, isso impediria da mesma forma, que dinheiro da Saúde fosse desviado para fazer eventos, por exemplo.

O mais engraçado é que essa turminha que diz que “ama Corumbá” é a mesma turminha que apoiou a DISPENSA da construção de uma UPA no Bairro Maria Leite, em 2015. Uma UPA feita pelo Governo Federal, toda equipada, novinha em folha. Isso porque a Administração passada não queria contratar mais médicos, enfermeiros e pagar plantonistas - mas não tinha dó de bancar salários de comissionados que atingiam a marca dos R$ 20.000,00 reais mensais, em média. 

Nossa vocação é o Turismo e os Eventos, fato. Carnaval, São João, Aniversário da Cidade, Festival América do Sul, Festival Gastronômico, Campeonato de Pesca, Pantanal Extremo - todos esses eventos são chamarizes para o nosso mercado turístico. O turista vem, conhece e se for bem tratado - volta. Simples assim.

Em todos esses eventos os hotéis ficam lotados, restaurantes  chegam a faturar o dobro, ambulantes ganham o suficiente para manter a dignidade do seu sustento, a bolivianada vêm aqui gastar os seus dólares, o comércio movimenta, a cidade arrecada seus impostos e TODO MUNDO sai ganhando. É o famoso GANHA-GANHA.

E enquanto ficarmos de mimimi, em uma discussão interminável sobre a morte da bezerra - algo que já estamos cansados de saber e que NÃO VAI MUDAR, porque a Lei é essa - nós estaremos perdendo um tempo precioso de transformação dos nossos destinos.

APRENDAM: os eventos em nossa cidade podem até ser uma "festa" para alguns, mas para a CIDADE é o NOSSO NEGÓCIO, é o nosso TRABALHO, é o nosso GANHA-PÃO. O dia em que TODOS tiverem essa mesma visão, aí sim, estaremos no caminho certo. Aí sim, vamos para frente.

Talvez a grande praga de Frei Mariano (uma das nossas mais famosas lendas) seja baseada exatamente na desunião do nosso povo: afinal de contas, é certo que uma cidade só vai pra frente quando o POVO se une. Nosso maior exemplo disso é Bonito, que está aí esfregando essa verdade em nossa cara.

E você? Até quando você irá dormir, Corumbá?

Que venham os eventos, que venham os shows, que venham os turistas, que venha o dinheiro, que venha o progresso!

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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