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Quando sua vez chegar

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Recentemente publicamos uma matéria no MS Diário, onde mostrava, de forma clara, legível e sem margem para interpretações duvidosas, servidores públicos atacando e ofendendo uma jovem dentista - grávida - apenas porque ela reclamou de problemas no pagamento do seu salário, em uma rede social. 

A matéria foi para o ar e teve grande repercussão, sendo compartilhada até mesmo por profissionais de marketing de outras prefeituras do País - para servir de case sobre como não fazer uma estratégia de comunicação interna. Tudo errado.

É claro, raríssimas pessoas ousaram defender o indefensável - quando muito, uma ou outra pessoa tentava consolar alguém, que havia sido flagrado no diálogo repugnante. 

Não houve nota oficial, nenhuma explicação, sem pedidos de desculpas. Em parte, estão certos - porque o ditado “Merda, quanto mais mexe, mais fede” é muito sábio. A estratégia de “sair à francesa” e fingir que nada aconteceu é boa, pois em teoria, reduz o alcance do estrago. Mas estamos falando de 4.000 servidores, onde pelo menos 95% deles, não dependem de cargos ou comissões para sobreviver - e tenho certeza, que não esquecerão desse lamentável episódio, tão fácil.

Mas incrivelmente, teve gente que se mostrou indignada com a atitude do Jornal em divulgar o conteúdo das conversas - pois afinal de contas, “esse jornaleco só quer saber de provocar intrigas (sic) e semear o ódio”.  
  
Bem, até onde se sabe, não fomos nós que entramos no grupo e tiramos os prints das conversas. Alguém tirou. Nosso trabalho é divulgar informação e ponto final.

Ademais só decidimos publicar, porque todo o conteúdo era de relevância pública: afinal de contas, os funcionários discutiam sobre o assunto, de natureza pública e de interesse público.

ÓDIO, cria-se quando as pessoas não são tratadas com respeito e dignidade. INTRIGAS acontecem, quando apenas uma minoria privilegiada têm seus direitos respeitados e preservados - enquanto uma imensa maioria vê seus vencimentos minguarem mês após mês.

Não é o MS Diário que é o responsável por isso - e sim, as pessoas que deveriam cumprir com o seu dever, e distorceram completamente o objetivo principal do serviço publico: SERVIR, com DIGNIDADE e JUSTIÇA.

Não fomos nós que chamamos servidores de BABACAS, de PARASITAS do Serviço Público.

Os fatos aconteceram? Não fomos nós, que os produzimos. Entender isso é fundamental para que as coisas mudem, nesse País.

Seria tão absurdo quanto aquele Rei que recebe notícias ruins através de um mensageiro. O que ele faz para parar de receber notícias ruins? Mata o mensageiro, ao invés de trabalhar da forma correta, para evitar esse tipo de coisa - porque não há o que falar, quando os fatos sobrepujam os argumentos.  

Ademais, quando você se indigna com quem divulga essas informações, mas não se indigna com o teor e o conteúdo dessas informações, você se torna exatamente como eles.

E quando você se torna como eles, você também concorda com tudo o que fizeram com a Adriana.

Pois ontem, foi com a Adriana, Dentista, Grávida, órfã de pai (o saudoso Abobrinha) que acorda de madrugada e enfrenta sol de 47º, apenas para cumprir seu dever com as pessoas mais pobres, para que elas não sintam dor. Adriana, que come espetinho na esquina, que curte xis-salada com guaraná, que batalha muito para montar o quarto do seu bebê, que enfrenta fila no banco e vende até produtos variados, para complementar sua renda. Adriana luta para ser feliz. Adriana sonha, em ser feliz.

Adriana nunca viajou para a Europa e os EUA, não tem ar-condicionado de 40.000 btus em casa, não tem carro com motorista, não tem salário de chefe (apenas por ser parente do patrão), não pode se refrescar na piscina a hora que quiser, e menos ainda: não pode chegar no horário que desejar, para trabalhar.

Ontem, chamaram a Adriana de babaca e parasita, apenas porque ela reclamou dos seus direitos. DOS SEUS DIREITOS. Por isso, e apenas por isso, ela foi massacrada, em um ataque coordenado pelos seus “colegas”.

E quando você reclamar dos seus? 

Fábio Marchi
Um bugre que gosta de escrever.

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