População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional; e povos indígenas serão vacinados a partir do dia 21 de maio. / Imagem: Correio da Manhã

As vacinas são um dos mecanismos mais eficazes na defesa do organismo humano contra agentes infecciosos e bacterianos, e consiste na proteção do corpo por meio de resistências às doenças que o atingiriam. Elas são compostas por substâncias e microrganismos inativados ou atenuados que são introduzidos no organismo para estimular a reação do sistema imunológico quando em contato com um agente causador de doenças.

Em 1776, há mais de 200 anos, foi produzida a primeira vacina, contra o vírus da varíola – hoje erradicado. Nessa época, o médico britânico Edward Jenner elaborou as vacinas a partir de lesões em vacas e, hoje em dia, por meio de avanços tecnológicos na medicina, existem vacinas para diversas doenças como contra gripe, hepatite, febre amarela, sarampo, tuberculose, rubéola, difteria, tétano, coqueluche, meningite, poliomielite, diarreia por rotavírus, caxumba e pneumonia causada por pneumococos entre muitas outras que estão em constante evolução e estudo.

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Para caxumba, por exemplo, de acordo com o dr. Lívio Dias, infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, de São Paulo (SP), a vacina a ser utilizada é a tríplice viral que protege contra sarampo caxumba e rubéola, ou a chamada quádrupla que confere proteção contra estes três vírus e ainda para varicela (catapora). A tríplice viral foi incluída no calendário vacinal oficial do estado de São Paulo há mais de 20 anos, em 1992. “A caxumba é uma doença viral de transmissão respiratória. Sua principal característica é causar o inchaço das glândulas salivares, mais comumente as glândulas parótidas. Já foi muito comum no passado, ocorrendo em surtos principalmente no início da primavera e inverno”, relata o profissional.

Já contra a gripe H1N1, há duas vacinas disponíveis, a trivalente e a tetravalente ou quadrivalente. De acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Imunização, para as crianças com mais de nove anos e adultos, uma dose anual é suficiente para conferir a proteção desejada. Para crianças de seis meses a nove anos de idade são recomendadas duas doses na primeira vez em que forem vacinadas, a chamada primovacinação e, posteriormente, uma dose anual. “A vacinação é a principal estratégia para a prevenção do H1N1 e outros tipos de influenza, mas para atingir seu objetivo deve ser repetida anualmente. Outras medidas também são de grande importância, como cobrir a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, higienizar as mãos com frequência, evitar grandes aglomerações, lugares fechados e mal ventilados e não compartilhar objetos de uso individual”, afirma o infectologista.

O tratamento para o H1N1 é baseado em medidas de suporte, como hidratação, medicamentos sintomáticos e o uso do antiviral fosfato de oseltamivir, principalmente, para aqueles indivíduos com condições e fatores de risco para complicações. “Importante ressaltar que, quando o antiviral está indicado, o seu uso deve ser iniciado o mais precocemente possível”, diz o especialista.

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Para a Dra. Rosana Richtmann, médica infectologista do Hospital e Maternidade Santa Joana, apesar de apresentar bons níveis de vacinação, o Brasil ainda tem que melhorar. “Com a evolução da medicina e das vacinas, temos uma boa cobertura no Brasil. Tradicionalmente, o país apresenta boas e elevadas taxas vacinais e os brasileiros acreditam e confiam nesse método. Recentemente, tivemos questionamentos sobre algumas vacinas mais novas introduzidas no PNI (Programa Nacional de Imunizações), e assim as coberturas ficaram fora do esperado. Portanto, temos ainda muito que trabalhar para garantir taxas ainda mais elevadas de vacinação para toda a população”, afirma.

Queda na vacinação

Um em cada quatro municípios do país tem cobertura abaixo do ideal em todas as vacinas obrigatórias para bebês e crianças, situação que eleva a ameaça de retorno de velhas doenças e de surtos daquelas nunca eliminadas. O levantamento foi feito pela Folha a partir de dados fornecidos pelo Programa Nacional de Imunizações, uma das principais estratégias de prevenção adotadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em 2017, 1.453 das 5.570 cidades brasileiras não atingiram as metas de cobertura para nenhuma das dez vacinas indicadas para esse grupo.

Atualmente, essas metas são de 90% para vacinas que protegem contra tuberculose e gastroenterite e 95% para as demais —como as que protegem contra poliomielite, sarampo, hepatite e meningite. O Ministério da Saúde considera que, abaixo desse patamar, há risco de retorno de doenças devido ao acúmulo de pessoas suscetíveis por não terem sido imunizadas. Enquanto isso, na outra ponta, só 322 cidades atingiram a meta para todas essas vacinas —menos de 6% do total. O levantamento indica que 94% dos municípios têm pelo menos uma vacina abaixo das metas preconizadas e que 63% têm pelo menos cinco com cobertura abaixo da ideal.

Desde a última semana, a queda nas coberturas vacinais tem levado autoridades de saúde a intensificarem reuniões sobre o tema. Em Brasília, a situação fez representantes de secretários de Saúde estaduais, municipais e governo federal reativarem comitê técnico em busca de soluções. Na Bahia, regionais planejam estratégias alternativas de vacinação, como reforço de ações de busca ativa. “A ideia é buscar não vacinados”, diz o coordenador estadual de imunizações, Ramon Saavedra. Outra aposta é intensificar a campanha de vacinação contra pólio e sarampo, que ocorre de 6 a 31 agosto, como estratégia para reverter os baixos índices. “Queremos aproveitar esse momento para olharmos cada carteirinha e atualizarmos o esquema de vacinação”, afirma Sato, de SP.

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