A Guerra do Paraguai, evento que marcou sobretudo a cidade de Corumbá, foi eclodida em 1864 e só teve o seu término em março de 1870. Foi o conflito externo latino-americano de maior repercussão para os países envolvidos, tanto pela mobilização e perdas humanas, quanto em seu caráter político e financeiro. O enfrentamento entre a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) e o Paraguai tornou-se verdadeiro divisor na história desses países.

A história das guerras em geral remeteu a figura feminina apenas aos papéis coadjuvantes. Por desafiarem a “ordem natural” e imposta, seus feitos são relegados ao esquecimento, e quando lembrados raramente essas mulheres possuem nome ou mesmo. A historiografia vem revelando a participação das mulheres na Guerra do Paraguai. Trazendo ao debate as injustiças sofridas por esse público durante a Guerra.

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No Brasil, D. Pedro II, em janeiro de 1865, criou o serviço de Voluntários da Pátria, com o objetivo de despertar o sentimento patriótico das pessoas na defesa do país. Não só homens se alistaram, mas mulheres tocadas por um sentimento patriótico aderiram ao serviço voluntário de diversas maneiras: preparando os filhos e enviando-os para o serviço militar, outras se encarregaram de bordar bandeiras nacionais e as ofereciam as tropas de voluntários que partiram para a luta, outras ainda serviram como enfermeiras nos “hospitais de sangue".

Nesse período, ainda não existia a profissão de enfermeira, muitas mulheres que auxiliaram os médicos não tinham nenhum conhecimento específico. Era uma missão difícil, pois não havia recursos nesses hospitais, muitas vezes faltando até mesmo às orientações de um médico. Os locais eram improvisados, sem higiene e com superlotação. 

Outras mulheres também serviram ao país costurando os uniformes das tropas do Exército. Eram, em sua maioria, mulheres humildes que recebiam uma baixa remuneração para prover as peças dos uniformes e assim sustentar as suas famílias. Vale ressaltar que essas costureiras tiveram grandes habilidades em improvisar quando a matéria - prima da confecção se tornou escassa.

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Evento de destaque foi o ataque paraguaio ao forte Coimbra, em 1864. Cerca de setenta mulheres, a maioria delas esposa de militares. Elas fabricaram 3500 balas de fuzil adaptando com pedaços de suas roupas os cartuchos menores. Infelizmente, somente 21 Mulheres foram mencionadas na História devido aos seus feitos, como forma de exemplo de bravura.

A presença feminina no conflito foi largamente estimulada e aceita pelo governo paraguaio. Ao destacar os feitos das mulheres paraguaias Solano López tinha dois objetivos, o primeiro era manter a tropa motivada e o segundo era difundir o menosprezo e temor ao inimigo ao ser preciso engajar as mulheres na frente de batalha.

As mulheres paraguaias, acusadas de traição ao país ou ao presidente Solano López, eram condenadas ao desterro interno. Suas terras eram confiscadas e as mesmas eram obrigadas a realizarem longas marchas a pé, carregando os equipamentos das tropas, quase sem nenhuma comida.

Outra personagem envolta num certo imaginário foi a companheira de Francisco Solano López, Elisa Linch.30. De acordo com a maioria dos textos sobre a sua biografia, revelam Elisa como uma mulher com habilidades, culta, inteligente, ambiciosa, o que para os padrões da época eram vistos com certa rejeição pelas famílias mais privilegiadas, mas que de certa forma conseguira se impor ao homem que não admitia tal atitude de ninguém.

Todavia, foram poucas as mulheres que tiveram seus nomes mencionados, sendo usados termos depreciativos e racistas. Com o término da Guerra muitas mulheres foram excluídas dos interrogatórios, uma vez que a “voz feminina” não era considerada relevante. Desta forma, caberiam as mulheres o papel de reconstruir o país. No caso do Paraguai, em razão do grande número de mortos do sexo masculino, restaria a tarefa de povoar os vazios demográficos e retornar para suas funções domésticas. 

Terminada a guerra, as residentas tiveram enorme papel na reconstrução nacional do Paraguai, já que a população masculina do país fora em grande parte dizimada na luta. Muitas emigraram para o sul de Mato Grosso, província quase despovoada, onde eram raras as mulheres. No Brasil as viúvas de soldados enfrentaram inacreditável burocracia para reivindicar a pensão que tinham direito. As esposas de oficiais eram tratadas com maior boa vontade. Em 1893, Floriano Peixoto determinou que as famílias de soldados mortos ou feridos recebessem o soldo do posto que ocupavam na guerra.

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