A ligação chegou no Conselho Tutelar antes mesmo de qualquer decisão judicial. Do outro lado, a adolescente de 12 anos, que foi abusada e ficou grávida do pai, falou sobre a sua escolha de ficar com a menina. O bebê nasceu há 5 dias, aos 7 meses, em Anastácio, a 128 km de Campo Grande.

"Nós fizemos a visita pela manhã dessa segunda-feira (24), quando ela passou novamente pelo atendimento psicológico e foi encorajada. No período vespertino, a menina ligou e comunicou a sua decisão no Conselho Tutelar. Nós estávamos encaminhando todos os relatório para o promotor e agora, com certeza, eles vão pedir para fortalecer ainda mais este acompanhamento. Ela não tem nada para o bebê, vai precisar de muita ajuda e fortalecimento", disse a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Debora do Carmo.

Matéria continua após a publicidade

De acordo com Carmo, a irmã mais velha da adolescente também vai passar por acompanhamento psicológico. Quando o pai foi preso e a vítima saiu da casa da mãe, disse que queria morar com a irmã mais velha, de 25 anos.

"Elas vivem em situação humilde e não possuem nada para o bebê. A adolescente não conseguiu produzir o leite, pelo fato da rejeição, então precisa comprar, além de roupas, o berço, a banheira e fraldas. Ontem, nós conseguimos um ventilador para ela e estamos concentrando as doações aqui. Quem quiser ajudar, pode trazer aqui no Creas, na rua 8 de maio, região central da cidade", ressaltou a coordenadora.

A conselheira tutelar Maria Luiza Rivas, de 43 anos, disse que, até a última sexta-feira (21), a adolescente estava decidida a doar. "Ela queria e então nós até ficamos sabendo que havia uma pessoa interessada e estávamos nos organizando com relação aos trâmites. Após isso, falei com a irmã mais velha dela e soube que a menina optou por ficar com o bebê. Agora, sei que ela precisa de auxílio, pois não tem nada", explicou.

Matéria continua após a publicidade

Parto prematuro

O bebê nasceu no Hospital Regional Doutor Estacio Muniz, no bairro Guanandy. Durante as visitas assistenciais, os envolvidos que acompanham o caso perceberam que "ora ela se encantava, ora não queria a menina, já que ainda estava confusa e não aceitando a gestação", de acordo com Carmo.

Caso à tona

Maria Luiza Rivas também ressaltou que o caso "só veio à tona" porque a barriga da vítima já estava grande, aparentemente entre o 3° a 4° mês de gestação.

"Nós fomos acionados pela PM, para ir até a 1ª delegacia e averiguar as informações da menor. Ela estava ao lado da irmã mais velha, que inclusive está a ajudando nas consultas médicas e pediu a guarda da menina. No depoimento do dia 5 de julho, deste ano, a menina falou que a mãe ia para a cidade resolver problemas, quando ele a levava para o quarto dele e cometia os abusos", falou em entrevista recente.

Prisão preventiva

O auxiliar de serviços gerais, de 36 anos, comentou que os abusos sexuais ocorriam quando a vítima levava almoço para ele na fazenda, além das vezes em que "arrumava uma situação", na qual a mãe ia para a cidade e, em muitas situações, pernoitva em Anastácio.

Antes da prisão no dia 31 de agosto, o delegado Jackson Frederico Vale, responsável pelas investigações, comentou que uma testemunha esteve na delegacia, ressaltando que ele recebeu uma medida cautelar do juiz, para se afastar da menina. Além de rasgar o documento, o suspeito comentou que fugiria e por isso foi pedida a prisão preventiva. Ele foi preso em uma aldeia.

O criminoso deve responder por estupro de vulnerável, que é um crime considerado hediondo, com pena que varia de 8 a 15 anos de reclusão. Ele ainda possui o agravante da ameaça, com pena que seis meses, além de multa.

Dê sua opinião, comente esta matéria!

ATENÇÃO: Os comentários desta matéria são gerenciados pelo Facebook - que posta, agrega os comentários e os exibe nesta página. Este site não se responsabiliza por qualquer comentário indevido, feito à qualquer pessoa ou instituição - sendo cada comentário, de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores e as denúncias deverão ser encaminhadas diretamente ao Facebook.

Já leu?

Leia nossos Artigos