Lançado em Campo Grande (MS) no Dia Internacional da Mulher, o aplicativo para celulares PURELAS vem se juntando ao combate da violência contra a mulher no Estado de Mato Grosso do Sul. Oferecido gratuitamente, o aplicativo permite relacionar depoimentos, identificar casos ocorridos, construir banco de dados que identifique agressores e modus operandis, criar e fornecer mapa de locais mais perigosos e facilitar mecanismos de defesa.

Segundo a diretora-executiva Nadja Mitidiero, pretende-se com o aplicativo retroalimentar os dados do sistema ISIS, utilizado pela organização Casa da Mulher Brasileira, e futuramente do próprio sistema SIGO da Polícia Digital, para que os percentuais de impunidade diminuam, bem como a própria violência em si.   

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O aplicativo pode ser utilizado por qualquer pessoa, pois possui botões de noticia, rastreamento e mapas que indicam as áreas mais perigosas da cidade, e essas funções podem ser editadas quer por homens ou mulheres que possuem conhecimento sobre a região. Mas existem áreas do aplicativo que são especificamente às mulheres, exclusivos a quem já sofreu violência. Através de relatos das vítimas, que podem fornecer características de seus agressores e das localidades onde sofreram a violência, outras mulheres podem se prevenir, denunciar e evitar a violência urbana. Nós já temos permissão da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres para o arquivamento desses dados, e ainda estamos conversando com a Polícia Digital.

Nadja Mitidiero, diretora-executivo do aplicativo PURELAS

O aplicativo que está em fase de testes, por enquanto abrange apenas a capital, mas pretende se expandir. O app também vem também angariando fundos para sua manutenção através de captação de recursos pela plataforma Apoia.se/todaspurelas.

Segundo Nadja, o sistema custa cerca de R$ 19 mil e ela espera conseguir essa quantia por meio de uma campanha de crowdfunding, lançada na plataforma. Por isso, alguns serviços ainda não estão disponíveis como a ferramenta "hot map". Nadja espera o apoio de toda a comunidade sul-matogrossense, sobretudo de nossos leitores, para alavancar de vez a excelente iniciativa. 

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A tecnologia em favor da mulher

Diante a alta taxa de violência contra a mulher, a tecnologia vem dando alguns passos adiante desenvolvendo mecanismos de defesa através de aplicativos como o Purelas. Nos últimos anos foram lançados vários aplicativos que ajudam a denunciar a violência doméstica e sexual contra as mulheres, tornando mais fácil o combate a esse problema. 

Em alguns estados brasileiros, já existe um dispositivo móvel com botão do pânico que aciona a polícia em caso de emergência, mas ele só está disponível para vítimas de violência doméstica que estão sob medidas protetivas. Agora, essa possibilidade foi estendida a outras mulheres. 

Os aplicativos para celular PLP 2.0 e o Juntas acionam, com apenas um clique, amigos e familiares selecionados pela usuária quando necessário. Eles emitem alarmes e compartilham a localização da mulher sem que ela precise digitar ou falar. O PLP 2.0, para as mulheres sob medida protetiva, ainda aciona a polícia e grava imagens e sons, que podem ser usados como prova.

Já o app Bem Querer Mulher disponibiliza atendimento às mulheres vítimas de violência, com auxílio de outras mulheres que orientam, acompanham aos serviços de apoio e à delegacia, e oferecem apoio psicológico. Além disso, oferece informações sobre direitos, indica serviços de atendimento próximos, e permite ligar para o 180, serviço de atendimento a mulheres, com um clique.

No Piauí foi lançado, em março deste ano, o aplicativo Salve Maria, que além de todas as funções dos outros dispositivos, ainda permite fazer denúncias anônimas com áudio, fotos, vídeos e localização. O intuito é permitir que se peça socorro, mas também ofereça ajuda.

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