A violência contra a mulher, infelizmente, não é rara no Estado de Mato Grosso do Sul. Embora todas as políticas públicas e discussões recentes sobre a problemática, ainda não se vislumbra com efetividade todos os tipos de violência que envolvem, sobretudo, as relações amorosas abusivas.

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Fala-se sobre a violência física e psicológica que as mulheres sofrem de seus companheiros, mas pouco se discute sobre a violência patrimonial que acaba sendo consequência destes tipos de relacionamentos.

A Violência patrimonial é qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos. Neste sentido, muitas mulheres que são agredidas por seus companheiros também são vítimas de furtos ou extorsões. Algumas, após saírem dos relacionamentos, não conseguem se restabelecer financeiramente, sobretudo quando se trata de relações que geraram filhos. E filhos demandam inúmeras despesas.

Esta situação complexa está sendo vivenciada pela campo-grandense Luana Marques. Luana, que é mãe de dois filhos, conta que, no mês de maio, ela foi internada em um hospital psiquiátrico devido a depressão agravada por um casamento abusivo.

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Conforme o relato, após receber alta do hospital, Luana passou oito (8) dias em cativeiro com o ex-companheiro, onde sofreu violência física e psicológica.

Luana teve que fugir do lugar, buscando o amparo de amigos e familiares. Hoje, ela possui uma medida protetiva em vigor, porém seu patrimônio financeiro foi completamente defasado: restaram apenas algumas roupas.

O restante foi roubado pelo agressor, inclusive seus cartões de banco, celular e objetos pessoais. Ela relata que ainda está sem nenhuma mobília para nova casa, com diversas dívidas acumuladas.

Para tanto, Luana fez uma Vakinha Online para arrecadar uma quantia necessária para se reestruturar com seus filhos.

No dia 23/05 fui internada em um hospital psiquiátrico devido a minha depressão que foi agravada por um casamento abusivo. Após minha alta passei 8 dias em cativeiro com meu ex companheiro onde sofri violência psicológica e física, para sair desta situação fugi, agora estou em um novo lar já tenho a medida protetiva, restaram apenas algumas roupas o restante foi roubado pelo agressor, inclusive meus cartões de banco, celular e objetos pessoais, estou sem mobília para nova casa, com diversas dívidas acumuladas, e inclusive preciso de um advogado, este valor arrecadado servirá para me ajudar com a reestruturação desta nova etapa, eu e meus filhos precisamos de tratamento psicológico e ajuda financeira para isso também, busco apoio de todos amigos, familiares, conhecidos. E você, pode me ajudar? Desde já agradeço.

Muitos ligam o termo abusivo à violência física, mas o conceito vai muito além disso. Estar em um relacionamento abusivo não quer dizer necessariamente ser agredido fisicamente.

Em muitos casos a violência toma outras formas de manifestações, como a violência psicológica, sexual e financeira. Elas se manifestam de forma muito mais sutil que a agressão física, por isso mesmo são mais difíceis de serem percebidas, podendo acontecer em qualquer tipo de relação.

Algumas particularidades de viver dentro de um relacionamento abusivo são, por exemplo, sentir-se submisso(a), ameaçado(a), inferior, destruído(a), controlado(a), dominado(a), isolado(a), anulado(a), dificuldade de dizer NÃO, sempre ceder às vontades alheias, depender financeiramente, etc.

Um relacionamento abusivo ocorre quando um dos envolvidos (independente do gênero) assume a posição de sempre satisfazer o outro, de forma que os desejos e vontades do parceiro(a) sejam a prioridade na relação, enquanto os seus são anulados ou colocados em segundo plano.

Muitas pessoas ficam dentro desta “relação” durante muito tempo, sem entender o abuso que sofrem, criando uma relação de dependência. Nesta relação predomina o excesso de “poder” sobre o parceiro, o desejo de controlá-lo, de tê-lo para si o tempo todo (independente de haver ou não infidelidade).

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