Estudantes brasileiros somam, em média, 25 mil cadeiras nos cursos de Medicina na Bolívia. Na cidade de Corumbá, a grande maioria dos brasileiros que sonham em serem médicos acabam migrando pela fronteira até a universidade mais próxima, a Universidade Técnica Privada Cosmos, localizada na cidade fronteiriça boliviana Puerto Quijarro. 

Esse processo é caracterizado pela grande dificuldade em ser aprovado nas universidades públicas do Brasil e pelo alto preço das mensalidades das instituições privadas de ensino superior.

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Para se ter uma média, na capital Campo Grande, o curso de medicina na faculdade particular Anhanguera é o mais caro de todo o Brasil, conforme ranking divulgado em outubro do ano passado (2017) pela revista Veja. O valor mensal de R$ 13.584,00 está extremamente distante do poder aquisitivo da grande maioria dos brasileiros. 

Os cursos de medicina da Bolívia atraem brasileiros pela ausência de vestibular e pelo grande número de ofertas de vagas. Aliado a isso, o país boliviano tem custo de vida inferior ao nosso, despertando interesse especial por estudantes que moram nos estados brasileiros próximos, como Mato grosso do Sul, Mato Grosso, Acre e Rondônia. Segundo o Censo do Ministério da Educação, o contingente de brasileiros estudantes de medicina na Bolívia chegou a 23% do número de brasileiros matriculados na graduação no Brasil, em 2013. 

Para quem estuda na Bolivia, o valor mensal médio de R$ 900,00 reais (em alguns lugares esse valor é estipulado em R$ 1000,00) é extremamente vantajoso. Embora o português não seja língua oficial do país, o espanhol é encarado como uma língua mais acessível a quem opta pelo ensino no exterior. Para os corumbaenses que estudam em Puerto Quijarro, não há necessidade de se morar no país vizinho, sendo a distância entre Corumbá e Puerto Quijarro de apenas 10 km. 

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Revalida

Obviamente, nem tudo são flores. Um dos pontos mais críticos de se cursar Medicina na Bolívia é considerado o baixo índice de validação de diploma no Brasil. Em 2012, apenas 2,1% dos formados em medicina na Bolívia foram aprovados no exame federal de validação, o Revalida. 

Atualmente, médicos graduados em universidades do exterior tem duas alternativas para validar seus diplomas no Brasil. Uma delas é se submeter ao Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida), organizado pelo Ministério da Educação.

Além dessa prova unificada, os estrangeiros também têm a opção de convalidar o certificado de graduação no curso realizando testes diretamente em universidades aptas a revaliar diplomas médicos. Ainda se tem a possibilidade de transferir o curso para uma universidade brasileira, a partir da aprovação das matérias correspondentes. Neste processo, muitos alunos realizam a transferência nos anos finais, dispondo de uma quantia que varia por volta dos R$ 80.000,00 reais. 

Mais médicos

Porém, muitos brasileiros formados no exterior apostam também no Programa Mais Médicos do Governo Federal. Lançado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, o programa tem o objetivo de enviar profissionais da saúde para regiões pobres e sem cobertura médica. Neste programa, é aceito o diploma estrangeiro sem revalidação.

Só no ano passado, o programa Mais Médicos passou a contar com cerca de mais 1.400 novos médicos brasileiros formados no exterior. Com esse reforço, somando também aqueles com diplomas do País, já são 8.316 brasileiros no programa, o que representa 45,6% do total. A quantidade de profissionais brasileiros participantes do programa cresceu 44% em menos de um ano.

Medicina em Corumbá

Em março deste ano, o prefeito Marcelo Iunes assinou a autorização para abertura do curso de Medicina em Corumbá. A assinatura do Termo de Compromisso aconteceu diretamente com o ministro da Educação, Mendonça Filho, na sede do Ministério da Educação (MEC), em Brasília. A graduação seria oferecida por instituição de educação superior privada.

A expectativa, todavia, era de que o Campus Pantanal pudesse ofertar o curso em regime público, pois o Edital nº 2, de 07 de dezembro de 2017, publicado no Diário Oficial da União nº 235, de 08 de dezembro de 2017, que se referia ao chamamento público de municípios para a implantação do Curso de Medicina, dizia respeito apenas às instituições privada. Visto a falta de recursos do Governo Federal.

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