Campanha de prevenção ao suicídio da ONU / Imagem: Organização das Nações Unidas

Na manhã do primeiro dia deste mês de outubro, a Polícia Militar foi acionada por um pai desolado no bairro Popular Nova: ele havia encontrado o próprio filho de apenas 23 anos pendurado por uma corda em seu pescoço. Desesperado, chamou seu filho mais velho para ajudá-lo a retirar o rapaz da corda, mas já era tarde. Logo em seguida, ambos acionaram o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar. O caso ainda está sendo apurado, mas todos os indícios apontam para o suicídio. 

No mês passado, setembro, mês que é reservado para os diálogos acerca da prevenção à vida, uma mulher encontrou seu ex-marido, de 33 anos, na residência dele no bairro Nova Corumbá, igualmente enforcado. Segundo a mulher, ele já vinha dando sinais que tiraria a própria vida. 

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O Mato Grosso do Sul é o segundo estado com maior índice de tentativas de suicídio. Estatísticas apontam que em MS número de casos aumentou 52,4% de 2016 para 2017. Neste ano de 2018, houve mais de 77 registros, isto até o último mês de fevereiro quando recebemos do Corpo de Bombeiros o relatório mais recente. Corumbá é a terceira cidade com maior índice no Estado.

O que leva tantas pessoas a cometerem atos violentos contra si mesmas? 

O suicídio: fenômeno social

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Em 1987, o sociólogo francês Emile Durkheim, abordou em seu livro o tema "O Suicídio", nome da obra aliás, inovadora no campo da sociologia. Nele, Durkheim explorava as diferentes taxas de suicídio entre protestantes e católicos, argumentando que o controle social mais forte entre os católicos resulta em taxas de suicídio mais baixas.

Ele também descobriu que essas taxas eram maiores entre os homens do que mulheres,  maior para aqueles que são solteiros do que aqueles que são casados, maior para as pessoas sem filhos do que pessoas com crianças, maior entre os soldados do que entre os civis, e mais elevados nos tempos de paz do que em tempos da guerra.

Durkheim foi o primeiro a argumentar que as causas do suicídio eram encontradas em fatores sociais e personalidades não individuais. Observando a variação de tempo e lugar, Durkheim olhou para causas ligadas a estes outros fatores de estresse emocional. Ele olhou para o grau em que as pessoas se sentem integradas na estrutura da sociedade e em seu meio social como fatores sociais produtores do fenômeno, e argumentou que as taxas de suicídio são afetadas pelos diferentes contextos sociais nos quais eles emergem.

Durkheim também distinguiu três tipos de suicídio: 

Suicídio anômico

O Suicídio anômico é bem representado em situações de anomia social, ou ausência de regras que mantinham a coesão social. O caos provocado por grandes mudanças em uma sociedade, como por exemplo uma crise econômica, pode provocar o aumento do número de suicídios, muitas vezes motivados por desemprego e perda de poder aquisitivo. Então esse tipo de suicídio acontece quando as forças desagregadoras da sociedade fazem com que os indivíduos se sintam perdidos ou sozinhos.

Suicídio altruísta

Ocorre quando há excesso de regulamentação dos indivíduos pelas forças sociais. Um exemplo é alguém que comete suicídio por causa de uma causa política ou religiosa, como os sequestradores dos aviões que se chocaram com o World Trade Center, o Pentágono e um campo na Pensilvânia em 11/09/2001. As pessoas que cometem suicídio altruísta subordinam-se às expectativas coletivas, mesmo quando a morte é o resultado.

Suicídio egoísta

Acontece quando as pessoas se sentem totalmente separadas da sociedade. Normalmente, as pessoas estão integradas na sociedade por papéis de trabalho, laços com a família e comunidade, e outras obrigações sociais. Quando esses laços são enfraquecidos através de aposentadoria ou perda de familiares e amigos, a probabilidade de ocorrência aumenta. Os idosos que perdem estes laços são os mais suscetíveis ao suicídio egoísta.

Questão de saúde pública

Segundo o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. 

Sinais de alerta - Prevenção do suicídio

Os sinais de alerta descritos abaixo não devem ser considerados isoladamente. Não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo

O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas.

Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real.

Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.

As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos

Expressão de ideias ou de intenções suicidas.

Fiquem atentos para os comentários abaixo. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados: 
"Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

Isolamento

As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.

Outros fatores

Perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, entre outros podem ser fatores que vulnerabilizam, ainda que não possam ser considerados como determinantes para o suicídio. Sendo assim, devem ser levados em consideração se o indivíduo apresenta outros sinais de alerta para o suicídio.

Pedindo ajuda - Prevenção do suicídio

Pensamentos e sentimentos de querer acabar com a própria vida podem ser insuportáveis e pode ser muito difícil saber o que fazer e como superar esses sentimentos, mas existe ajuda disponível. É muito importante conversar com alguém que você confie. Não hesite em pedir ajuda, você pode precisar de alguém que te acompanhe e te auxilie a entrar em contato com os serviços de suporte.

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