Corumbá - 15 de julho de 1916. Se instalava no Porto Geral de Corumbá, espaço urbano de maior fluxo no município, a primeira agência do Banco do Brasil no Centro-Oeste.

A agência é a décima quarta agência de todo o Brasil, instalada em 1916, inicialmente, no prédio Wanderley Baís, que hoje abriga o Museu de História do Pantanal (MUHPAN). A primeira direção do BB de Corumbá foi de Gastão Tavares Rodrigues Jardim.

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A agência 0014 foi um grande estrondo econômico e social para Corumbá. Em matéria do jornal Matto Grosso, de 07 de maio de 1916, nº 1341, lia-se

Dentro de pouco tempo, segundo informou-nos pessoa fidedigna, será installada em Corumbá, uma agência do Banco do Brasil, ficando, assim satisfeita uma grande necessidade de commercio e da industria de Matto Grosso e, pode-se dizer, a aspiração de um grande Estado.

Tem sido um verdadeiro entrave a falta de um estabelecimento bancário entre nós, dificultando grandemente o nosso progresso e restringindo muito a iniciativa industrial. A creaçao dessa agência há muito prometida e sempre adiada, parece, será agora uma realidade graças aos esforços insistentes do sr. general presidente deste Estado.

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Já em matéria do mesmo Jornal, no dia 21 de maio de 1916, lia-se com enorme agrado:

Corumbá, 21. Chegou o pessoal que deverá installar a agencia do Banco do Brazil, aqui, hontem, tendo depositado na alfandega 1.600 contos.

A instalação da agência em Corumbá fomentou a economia local. Alguns anos mais tarde, todavia, o Brasil seria palco de um movimento militar chamado pela historiografia de “tenentista”. Conforme o professor Wilson Santos, essa ‘marcha militar’ na verdade foi o maior movimento político-militar da década de 1920 no Brasil e consistiu num exército guerrilheiro,dirigido por militares profissionais contra a ‘República Velha”.

Em Mato Grosso, uma dessas marchas, possivelmente a mais famosa, a Coluna Prestes, atravessou a região de Ponta Porã com destino a Goiás e no final, já decidida em exilar-se na Bolívia, cruzou o estado de leste a oeste, passando pelos atuais municípios de Alto Taquari,Campo Verde,Chapada dos Guimarães,Cáceres,Barra do Bugres (onde ocorreram os principais combates e mortes) e o temido Pantanal, durante a cheia.

Em Corumbá, houve manifestações de simpatia à Coluna, fato que mobilizou o administrativo do Banco do Brasil, que enviou seus funcionários se refugiarem “fortemente armados” na Bolívia com os valores do cofre para sua respectiva proteção, como pode ser vislumbrado na rara fotografia abaixo:

Funcionários do Banco do Brasil em Corumbá, refugiados na Bolívia, montando guarda do dinheiro do Banco - Julho de 1922" (Coleção VBC).

No final dos anos 70, a agência se instalou definitivamente na Rua 13 de junho, visando ampliar seu atendimento ao comércio que passou se desenvolver mais no centro da cidade. Vale dizer que antes da Rua 13 de Junho, o Banco do Brasil chegou de se instalar na Rua Frei Mariano, quase esquina com a Avenida General Rondon.

Prédio do Banco do Brasil recém-instalado na Rua 13 de Junho em 1979. / Imagem: Acervo do grupo Memórias de Corumbá (FACEBOOK)

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