O Governo Federal elegeu como agenda prioritária de 2018 investimentos ferroviários no Centro Oeste (Ferrogrão) e a Ferrovia da Integração. A ideia é conectar os novos troncos às ferrovias que cortam as regiões Leste-Norte e Leste-Oeste de Mato Grosso do Sul (antigas Ferronorte e Novoeste), sob concessão da Rumo, que incorporou a América Latina Logística (ALL). / Imagem: Ilustrativo

A Câmara Municipal de Corumbá está propondo ao Ministério dos Transportes uma ampla discussão em torno da prorrogação do contrato de concessão da malha ferroviária paulista com a Rumo, empresa que incorporou a América Latina Logística (ALL). Além da recuperação do patrimônio, que se encontra bastante sucateado, a intenção do Poder Legislativo corumbaense é fazer com que seja retomado o transporte ferroviário de passageiros entre Corumbá – Campo Grande, bem como a criação de uma linha turística no trecho Corumbá – Porto Esperança.

O assunto foi levantado na sessão de ontem, segunda-feira (07), pelo presidente da Casa de Leis, Evander Vendramini, que entrou com um requerimento de urgência especial endereçado ao ministro dos Transportes, Valter Casimiro Silveira, solicitando uma ampla discussão em torno da prorrogação do contrato de concessão com a Rumo, no sentido de se conhecer o projeto de investimento na região de Corumbá, proposto pela empresa.

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“Vamos encaminhar um e-mail ao ministro, mostrando a nossa preocupação em relação ao assunto, e solicitando do mesmo, que ocorra em Corumbá, uma audiência para que possamos tratar dessa questão, sabermos o que realmente está projetado, além de apesentarmos as nossas necessidades”, explicou Evander.

O vereador citou que é preciso também envolver toda a bancada federal sul-mato-grossense no processo. “Restam ainda 10 anos para finalizar o contrato atual e já estão tratando da renovação por mais 20 anos. Antes, precisamos discutir a questão que interessa, e muito, à população pantaneira”, disse.

Citou que é preciso, antes de ocorrer a renovação, fazer exigências à Rumo, tais como a recuperação de toda a malha ferroviária, trecho Santos – Corumbá, que se encontra totalmente sucateada. Lembrou que durante os últimos anos, não ocorreram investimentos necessários à altura da região, e que essa “renovação por mais 30 anos, deve ficar explícito que a Rumo retomará o transporte de passageiros entre Corumbá e Campo Grande, além de implantar uma linha turística de Corumbá a Porto Esperança”.

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Evander ganhou apoio de todos os vereadores da Casa de Leis que também fazem exigências para prorrogação da concessão, principalmente no que se refere à recuperação da malha, volta do três de passageiros e implantação do trem turístico.

Problemas

Chicão Vianna, por exemplo, lembrou que além dos problemas citados por Evander, o abandono da malha tem afetado bastante a área urbana. “Os trilhos, nas passagens de nível, estão acima do pavimento e isso tem causado problemas ao veículos e prejuízos aos condutores. É preciso que sejam tomadas providências urgentes”, cobrou.

Manoel Rodrigues lembrou que a Rumo só fará investimentos a partir da renovação. Diante disso, afirmou que é preciso “saber o que terá de investimentos na região de Corumbá”, e que é preciso que as autoridades competentes detalhem o projeto, em uma audiência na cidade.

Trem do Pantanal

A discussão em torno do assunto fez o vereador Roberto Façanha lembrar do Trem do Pantanal. Disse que começou de forma errada, com uma linha entre Campo Grande/Indubrasil a Aquidauana, quando deveria ser Corumbá a Porto Esperança. “Isso acabou com o sonho de Corumbá”, afirmou para lembrar em seguida que, com o abandono, veio o sucateamento da malha, inclusive das estações existentes ao longo do trecho.

Além de concordar com Façanha, Tadeu Vieira afirmou que é preciso união de forças e alinhamento político com toda a bancada federal. “Não podemos pensar apenas em transportar minério, soja... É preciso lutar para que tenhamos de volta o trem de passageiros, bem mais barato que o transporte rodoviário, como a implantação do trem turístico, o verdadeiro Trem do Pantanal”.

André da Farmácia lembrou que esta situação, reforça ainda mais a importância de Corumbá ter representatividade. “Hoje não temos ninguém para levantar a nossa bandeira. O momento é agora e temos que trabalhar para elegermos deputados daqui, da nossa região”, cobrou.

Renovação

Como se sabe, o Ministério dos Transportes anunciou a renovação e prorrogação de cinco contratos de concessão de ferrovias, numa extensão de 12 mil quilômetros, incluindo 1.600 km entre os portos de Santos (SP) e Corumbá (MS). A expansão da malha ferroviária passou a ser a principal agenda de logística do Governo Federal este ano, em razão de estudo do Banco Mundial apontando a insuficiência do setor ferroviário e suas consequências ao transporte rodoviário, hoje hipertrofiado.

A prorrogação das concessões é a melhor alternativa, segundo estudo do Ministério dos Transportes, devido à complexidade na execução de um projeto ferroviário, seja pelo poder público, seja por empresas com experiência no setor. O Governo Federal elegeu como agenda prioritária de 2018 investimentos ferroviários no Centro Oeste (Ferrogrão) e a Ferrovia da Integração. A ideia é conectar os novos troncos às ferrovias que cortam as regiões Leste-Norte e Leste-Oeste de Mato Grosso do Sul (antigas Ferronorte e Novoeste), sob concessão da Rumo, que incorporou a América Latina Logística (ALL).

A Rumo projeta investir R$ 4,7 bilhões na melhoria da malha paulista em troca do prolongamento por mais 30 anos, do contrato de concessão (vence em 2028). Um dos projetos engloba 1,6 mil km de ferrovia de Santos a Corumbá e outros 600 km dentro da Bolívia, totalizando 2,4 mil km. O investimento inicial será feito em modernização da malha ferroviária, que foi construída na década de 60 e está sucateada em quase toda extensão.

Beneficia também as exportações da fábrica de celulose Fíbria, já que a empresa construiu um terminal intermodal em Aparecida do Taboado – cidade por onde cruzam os trilhos da Rumo Malha Norte – para escoar a produção de 1,95 milhão de toneladas/ano por ferrovia até o terminal no Porto de Santos.

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