Estátua de Antônio Maria Coelho, situada no antigo jardim zoológico e passeio público da cidade, hoje conhecido como Praça da Independência.

É muito presente nas ruas e avenidas da cidade de Corumbá o saudosismo com expoentes religiosos e militares da história passada do Brasil e da região matogrossense. Esta matéria enseja elucidar um pouco mais sobre a história desses nomes.

Rua Frei Mariano

Possivelmente, é a rua mais famosa e mais frequentada de Corumbá, localizada no coração da cidade. A avenida leva o nome do renomado e também controverso italiano Frei Mariano de Bagnaia, religioso que viveu na cidade no século XIX.

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Em Corumbá, conhecido por sua vaidade, o religioso mandou erguer, em 1885, a igreja Nossa Senhora da Candelária (hoje Catedral, construção preservada até hoje no Centro da cidade) e colocar em cima um relógio, o que aconteceu em 1887. Diante disso, um político local garantiu ao Frei que arcaria com todos os custos, porém o político não pagou o relógio, o que conferiu ao Frei a fama de “caloteiro”.

Após a briga e a difamação, Frei Mariano teria ido embora e rogado uma “praga” sobre a cidade que, só voltaria a prosperar quando alguém encontrasse as sandálias enterradas pelo Frei. O folclore em torno de Frei Mariano gerou homenagens, blocos carnavalescos e muitas lendas.

Recentemente, a escritora e poetisa Marlene Mourão, a “Peninha”, escreveu um livro para desmistificar a imagem de Frei Mariano. Conforme a autora para o Jornal O Pantaneiro ““A finalidade é mostrar que a história da praga não é essa. Frei Mariano deixou Corumbá para tratar de doença, mas pensava em voltar”.

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Rua Firmo de Mattos

A rua Firmo de Mattos leva o nome do recifense Barão de Casalvaco, Firmo José de Mattos, nascido em 01 de junho de 1824. Firmo de Mattos foi um notório desembargador em Corumbá, cidade então pertencente à Mato Grosso. Foi deputado provincial em mais de uma legislatura, ganhando o título de Barão de Casalvaco pelo Governo Imperial por Decreto de 24 de agosto de 1889.

Foi rival político de Antônio Maria Coelho, líder do Partido Nacional, e militou ao lado de Generoso Ponce no Partido Republicano. Faleceu no dia 28 de abril de 1895, quando, a bordo do navio “Ladário”, viajava de retorno à Corumbá.

Rua Delamare

O carioca Almirante Raimundo De Lamare foi Presidente da Província de Mato Grosso entre 1851 à 1859. Em 1859, foi responsável por planejar o traçado urbano de Corumbá, desenvolvendo as primeiras praças e ruas do centro da cidade, principalmente no seu quadrilátero.

Sua organização urbanística elevou Corumbá à categoria de Vila de Santa Cruz. De Lamare foi ainda Presidente da Província do Pará no período de 01 de junho de 1867 a 17 de outubro de 1868, e Senador pelo Estado de Mato Grosso de 25 de fevereiro de 1882 a 10 de junho de 1889. Recebeu o título de Visconde pelo Império.

Rua Porto Carrero

O pernambucano Hermenegildo de Albuquerque Portocarrero foi primeiro e único Barão de Forte de Coimbra. Portocarrero era comandante do Forte de Coimbra no início da Guerra do Paraguai (1864).

Segundo a historiografia, ao ser cercado pela tropa de cinco mil homens, transportados em dez navios do coronel paraguaio Vicente Barros - de quem foi instrutor e hóspede, em Assunção - o comandante recebeu ultimato para se render. Negou-se, respondendo que ia lutar até o último cartucho, apesar da inferioridade de homens e de armas. Sua pequena guarnição tinha apenas 155 homens, enquanto em toda a Província de Mato Grosso havia menos de 875.

Após dois dias e uma noite de incessante bombardeio, e sem condições de enfrentar as forças inimigas, a pequena guarnição protegida pela escuridão teria abandonado o forte e embarcado na lancha “Amambaí”, que viajou a Cuiabá. Atualmente, historiadores acusam Portocarrero do crime militar de deserção.

Avenida General Rondon

Nascido em 1865, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon,foi um engenheiro militar e sertanista brasileiro, famoso por sua exploração do Mato Grosso e da Bacia Amazônica Ocidental e por seu apoio vitalício às populações indígenas brasileiras. Foi o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e estimulou a criação do Parque Nacional do Xingu. Curiosamente, Corumbá ainda não atualizou sua patente e ainda o chama de “general” em sua famosa avenida.

Rua Dom Aquino

Nascido em Cuiabá, Francisco de Aquino Corrêa, o Dom Aquino, foi Arcebispo de Cuiabá. Aos 32 anos conquistou o governo do Estado de Mato Grosso - então província, na qual dirigiu de 1918 a 1922.

Dom Aquino foi o único mato-grossense a compor o quadro da Academia Brasileira de Letras, graças aos inúmeros livros que escreveu. Foi também um dos principais incentivadores à fundação da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso.

Também foi criador de dois dos maiores símbolos oficiais do Estado de Mato Grosso: o brasão e o hino de Mato Grosso. No hino de Mato Grosso, Dom Aquino traz referência às cidades de Corumbá e Dourados, hoje pertencentes ao vizinho Mato Grosso do Sul.

Rua Antônio João

O mato-grossense Antônio João Ribeiro, nascido em 1823, foi um militar brasileiro, herói da Guerra da Tríplice Aliança (1864).

Em dezembro de 1864, como tenente da arma de Cavalaria, à frente de um pequeno efetivo de 15 homens, liderou a defesa da colônia diante do invasor paraguaio, em número muitas vezes maior, sob o comando do major Martín Urbieta.

Ao tomar conhecimento da aproximação do inimigo, mandou evacuar os civis e resistiu até sucumbir em combate, derrotado pela fuzilaria paraguaia. Antes de morrer, enviou ao seu comandante a seguinte mensagem, que se tornou célebre: “Sei que morro, mas meu sangue e o dos meus companheiros servirá de protesto solene contra a invasão do solo de minha Pátria.”

Rua Antônio Maria Coelho

Antônio Maria Coelho, primeiro e único barão do Amambaí, nasceu em Cuiabá em 1827. Coelho foi militar e político brasileiro, chegando à patente de marechal.

Adquiriu grande prestígio no Império após sua destacada atuação durante a Guerra do Paraguai, no histórico episódio de 13 de junho de 1867, conhecido como a Retomada de Corumbá, renome que lhe garantiu o cargo de primeiro governador do Mato Grosso após a proclamação da República. É dele a autoria da atual bandeira de Mato Grosso.

Foi um dos signatários do Manifesto dos 13 generais contra Floriano Peixoto. Como parte das comemorações do 67º aniversário da Retomada de Corumbá, o prefeito da cidade, com a aprovação da Câmara Municipal e com apoio popular, transladou os “ossos” do Marechal Antônio Maria Coelho, do velho cemitério de Santa Cruz, onde estava repousando desde 1894, para o pedestal da estátua, situada no antigo jardim zoológico e passeio público da cidade, hoje conhecido como Praça da Independência.



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