Aluno salta com seu equipamento de um helicóptero para as águas do pantanal durante o exercício da técnica militar de "hello casting" durante o curso "Operações no Pantanal". / Imagem: Fábio Marchi

Ladário - O conceituado curso militar "Operações no Pantanal" realizado pelo Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário cujas atividades iniciaram-se dia 18 de junho e que começou com mais de 50 inscritos hoje conta com apenas 15 alunos que desafiam diariamente os rigores e a disciplina imposta pela grade curricular do curso.

Equipe e alunos dentro da aeronave UH-15 "Super Cougar" concentrados para o exercício. / Imagem: Fábio Marchi

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Nesta segunda (23) o Correio da Manhã acompanhou o exercício conhecido como "Hello Casting", onde os alunos militares saltam de um helicóptero da Marinha modelo UH-15 "Super Cougar" em movimento com seu equipamento completo (uniforme, mochila militar e armamento) para as águas pantaneiras - e então nadam até a margem, onde então sobem em uma embarcação sem motor e daí remam até a área de treinamento tático dos Fuzileiros Navais conhecida como "Rabicho", área de propriedade da Marinha incrustada em uma privilegiada área pantaneira com cerca de 78 km de raio de abrangência e propícia para a finalidade do treinamento militar, distante cerca de meia hora de "voadeira", da cidade de Ladário.

Aeronave planando o rio, para o salto livre dos militares em treinamento nas águas do Pantanal. / Imagem: Fábio Marchi

Uma vez lá, mais exercícios são realizados em terra - trekking em elevações e mata fechada, pista de orientação, tiro de combate terrestre e embarcado - sempre sob a supervisão atenta dos instrutores, que levam seus alunos à todo momento aos limites da exaustão física e psicológica.

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A aeronave militar é uma das mais modernas da Marinha para transporte, resgate e até mesmo combate com engajamento direto com o inimigo. Sua autonomia de vôo é de cerca de três a quatro horas (dependendo da sua carga) e demorou cerca de dois dias para chegar até Ladário, partindo de São Pedro da Aldeia - RJ.

O Comandante do Grupamento de Fuzileiros Navais de Ladário, o Capitão-de-Fragata Cláudio Zupo Valente disse ao Correio sobre a importância do curso para o aprendizado profissional militar:

Aeronave naval modelo UH-15 "Super Cougar" / Imagem: Fábio Marchi

Comandante Zupo Valente observa e supervisona de perto os exercícios do curso "Operações no Pantanal". / Imagem: Fábio Marchi

Zupo Valente também citou sobre o grau de dificuldade do curso, que só aumenta a cada dia de aula:
 

Comandante observa a chegada dos alunos à sede do Rabicho. Alunos haviam saltado da aeronave usando a técnica "hello casting" , nadaram até uma embarcação sem motor e remaram até a sede. / Imagem: Fábio Marchi

E complementa:

O grau de dificuldade física e psicológica do curso "Operações no Pantanal" é imenso: alunos passam quase o dia todo com o uniforme molhado e suportam o imprevisível clima pantaneiro, que pode fazer calor ou esfriar de uma hora para outra nessa época do ano. / Imagem: Fábio Marchi

Segurança

Uma detalhe que chamou a atenção da nossa reportagem foi a preocupação com a segurança envolvida no curso, ao que o comandante Zupo Valente explicou:
 

Equipes médicas estão estrategicamente posicionadas durante todas as etapas do curso. A segurança dos alunos é prioridade no treinamento. / Imagem: Fábio Marchi

Nossa reportagem visitou as instalações da antiga "Fazenda Saladeiro" e impressionou-se com as instalações que a Marinha do Brasil realizou por lá. Além de terem preservado as antigas ruínas do local - que são aproveitadas para treinamento - o local conta com uma base operacional moderna e equipada, sob a vigilância e manutenção permanente de uma guarnição de fuzileiros navais.

A todo momento os alunos estão realizando algum tipo de exercício físico ou mental, condicionando corpo e mente. Média de descanso é cerca de 4 a 5 horas diárias - que podem ou não ser intercaladas em períodos curtos de tempo. / Imagem: Fábio Marchi

Depois do Grupamento, aqui é a nossa segunda casa. Muitos militares amam ficar por aqui, integrados à natureza em um lugar calmo e tranquilo. É claro que não podemos ficar aqui direto - existe uma escala de serviço e logo, uma rotatividade da equipe - mas boa parte do nosso pessoal é operacional e não aguentaria ficar sentado o dia todo atrás de uma mesa de escritório.

Zupo Valente

Uma curiosidade: no local encontra-se um "tanque tático", uma piscina rústica com cerca de 3 a 4 metros de profundidade e 10 a 12 metros de extensão por área equivalente de largura que é abastecida com água do rio para os exercícios, sendo esvaziada em seguida. Antigamente, na época em que o local era uma fazenda e abatedouro, o tanque era utilizado para salgar uma grande quantidade de carne bovina - e hoje ele foi adaptado para instrução tática. No local, nossa reportagem deparou-se com um jacaré vivo dentro do tanque - ao que o comandante Zupo Valente explicou:

"Piscina" tática rústica, para treinamento de flutuação e manobras táticas individuais e de equipe. / Imagem: Fábio Marchi

Jacaré de cativeiro também fará parte do treinamento militar. Animal foi doado por um frigorífico local e não possui valor comercial. / Imagem: Fábio Marchi

O curso "Jacarezinho" como é chamado de forma íntima pelos militares terá seu término no dia 03 de Agosto. E Zupo Valente também deu detalhes sobre seu término:

Confira agora o vídeo exclusivo que o Correio da Manhã preparou durante as 4 horas que passou documentando o Curso Operações no Pantanal na região do "Rabicho" para você sentir um pouquinho do que é esse duro teste para o profissional militar. Assista!

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