Corumbá (MS) Em entrevista exclusiva concedida à reportagem do Folha MS, o ex-ministro de Minas e Energia e ex-senador da república Delcídio do Amaral, confirmou que tem trabalhado para retomar sua trajetória política.

Após a absolvição concedida pela 10ª Vara Federal de Brasília, no processo em que foi acusado de obstrução de justiça e que culminou na cassação de seu mandato como Senador, Delcídio atualmente divide sua rotina entre a casa em Campo Grande e a fazenda da família em Corumbá.

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Ainda sem fornecer muitos detalhes com relação ao futuro de quem já foi considerado um dos mais influentes parlamentares de Mato Grosso do Sul, o ex-senador garante que trabalha para “jogar o jogo”. Apostando em seu legado político e tendo por base as diversas ações que desenvolveu em todo estado no período em que foi o representante sul-mato-grossense em Brasília, Delcídio acredita no reconhecimento popular para retomar a sua trajetória política.

Eu estou cuidando da questão jurídica, uma vez que eu fui inocentado, preciso cuidar dos desdobramentos dessa decisão da Justiça Federal, não só com respeito a este processo em si, mas também com relação a retomada dos meus direitos políticos”.

Primeiro passo

Delcídio assegura que não está impedido judicialmente de concorrer a cargos políticos. “Não estou impedido de concorrer, mas a decisão que nós tivemos com os advogados é de realmente não ter nenhum tipo de dúvida com relação a isso, tanto é que eu disputei a última eleição”.

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Em relação a experiência das eleições de 2018 quando entrou na corrida eleitoral no último dia estabelecido para troca de candidatos aos partidos, o Corumbaense afirma que a sua candidatura teve dois grandes objetivos: marcar posição e deixar uma mensagem ao eleitor, de que tinha voltado.

“ Podem ter certeza que estou de volta e serei protagonista em 2020”, afirmou.

Retorno à vida Política

Na verdade, é o seguinte, eu fiz 10 dias de campanha, sem estrutura nenhuma, apenas material gráfico e andando na rua. Se eu tivesse concorrido a Deputado Federal eu estava eleito, mas é como eu costumo dizer, na vida, você tem que perder para ganhar, o que eu tinha que fazer? Tinha que marcar posição e também para deixar a seguinte mensagem: estou voltando, claro que aproveitando ainda a eleição para mostrar as injustiças que cometeram comigo”, afirmou.

Apesar do pouco tempo de campanha Delcídio disse ter percebido o carinho da população com ele e um grande apoio popular que lhe rendeu mais de 110 mil votos.

Sem nada eu fiz tudo isso, e sabe por quê? Não vamos afirmar que é generalizado, mas a grande maioria das pessoas entenderam o que aconteceu comigo e ao mesmo tempo essa votação em 10 dias de campanha, é um reconhecimento do que eu fiz por Mato Grosso do Sul, não há um lugar nesse estado que eu não tenha conseguido investimentos, e não só em áreas urbanas, em área rural também, o Luz para Todos, para os assentamento com projetos para água, com moradia, em Aldeias indígenas, em distritos, eu andei em tudo quanto foi lugar e não era para arrumar asfalto nem para arrumar praça, mas com investimentos em educação, segurança pública, telefonia, internet, um mundo de coisas que eu fiz e que as pessoas reconhecem isso, é um legado fundamental que conquistei e me senti na obrigação de sair candidato, mesmo que perdesse, para mostrar, primeiro que eu estou voltando e para justificar um legado que eu deixei”, observou.

Ao comentar as notícias de que ele estaria praticamente acertado para disputar a eleição concorrendo à Prefeitura da Capital já no próximo ano, Delcídio afirmou que tudo não passa de especulação, mas enxerga com naturalidade as considerações.

Prefeitura de Campo Grande

Ano que vem nós temos eleição, e a turma começa a fazer conjecturas, Ah o Delcídio vai ser candidato, não sei mais o que lá. Não, eu estou agora focado no que eu disse, primeiramente nesse fronte jurídico que tem desdobramentos políticos é claro e que vai me levar ao protagonismo que estou me organizando para efetivamente ter, mas no momento é isso, tenho trabalhado nesse âmbito de me reinserir no setor de energia e na fazenda com a pecuária. Mas como eu disse, vou ser protagonista e vou montar um projeto forte, um projeto que sem dúvida nenhuma passa por Corumbá, a minha terra, até porque, para você ser respeitado fora, você tem que ser respeitado na sua terra, quem não é respeitado na sua terra não tem chance de se projetar em outros lugares, se na tua casa você não é aceito, você vai ser aceito na casa dos outros?”.

Corumbá como referência

Ao se referir de sua cidade natal, o ex-senador comentou o atual momento político do município que nas últimas eleições, conseguiu recuperar sua representatividade na esfera estadual e federal. “Agora por exemplo tem o Evander na Assembleia e a Bia [Cavassa] que está representando o município em Brasília e eu estou acompanhando, ela está fazendo um bom trabalho dentro das limitações que o governo federal tem hoje, e da mesma forma que ela está trabalhando, eu trabalhei muito pela minha cidade, por Corumbá, por Ladário, por toda essa região e sei que as pessoas reconhecem isso”.

Sem detalhar de que forma pretende atuar politicamente em favor da sua cidade natal, Delcídio destaca que o mais importante não é onde estará, mas de que forma poderá contribuir para o desenvolvimento da região.

Se eu não jogar com a camisa 10, eu vou jogar de volante, no meio campo ou de zagueirão mesmo, mas que eu vou estar em campo, isso eu vou. Nossa cidade tem um potencial enorme, é uma região de fronteira onde é preciso criar novas perspectivas para as pessoas que vivem aqui”, pontuou.

O ex-parlamentar relembrou o trabalho que desenvolveu desde o período em que era diretor da Petrobrás e quando esteve no senado federal, em prol da região pantaneira.

Ao longo do meu mandato eu fiz muita coisa nesse sentido, o ICMS que entra na arrecadação de Corumbá, foi eu que dei autorizei quando ainda era diretor da Petrobrás. Como Senador, implementamos aqueles primeiros projetos siderúrgicos com a MMX , o duto, entre outros tantos projetos e emendas que destinei para as mais diversas áreas, mas essas coisas só acontecem quando se tem vontade política e as pessoas precisam entender isso”.

Questionado sobre o que seria o “projeto político” idealizado e que segundo ele certamente envolveria Corumbá, Delcídio destacou que são planos que sustenta desde a época do Senado promovendo as potencialidades da região e mudando o foco das ações para projetos que realmente possibilitem o desenvolvimento sustentável e integração com a fronteira.

Já pensou se conseguirmos alavancar, junto com a iniciativa privada para retomar o modal ferroviário? Nós temos o modal aeroviário, tem o modal aquaviário, temos o modal rodoviário, temos o gás natural que entra aqui em Corumbá, tem um ramal de gás que sai de Mutum na Bolívia que não está sendo usado e iria baratear ainda mais o gás. As pessoas não têm ideia da indústria de transformação que se pode criar a partir do gás. Você faz, gasolina, diesel, amônia ureia, gás liquefeito de cozinha, faz eteno que é a matéria prima para a indústria plástica, é uma variedade de coisas que se pode produzir aqui com gás, temos o minério mais puro do mundo e vendemos apenas o produto bruto sem ser beneficiado, ele vai ser reduzido sabe onde? Na Argentina, em industrias criadas a partir do gás natural, e nós temos isso aqui em nossa porta, mas não aproveitamos, estamos com uma mina de ouro nas mãos e não aproveitamos, e sem falar no turismo, na pecuária que são vocações naturais do Pantanal, mas precisamos de alguém para alavancar isso”.

A integração com a Bolívia também é vista como uma grande porta de oportunidades para o desenvolvimento da região segundo Delcídio.
Ainda conforme o ex-senador, em sua interlocução enquanto parlamentar em Brasília, muito se discutia o interesse de empresas estrangeiras em investirem na região, mas reforçou que para concretização de investimentos vindos da iniciativa privada, os governos precisam trabalhar para dar condições de sustentabilidade aos projetos que irão de fato gerar um desenvolvimento.

Está na hora da gente acordar, estamos do lado da Bolívia, a saída para o pacifico já está pronta, a Bolívia está crescendo e nós não conseguimos criar sinergia com o crescimento deles, estamos parados observando o desenvolvimento dos outros e vamos viver de que? De passado? Nosso passado é lindo, mas nós temos que construir um futuro, essa moçada toda, precisa de universidade, de escola técnica, vamos preparar nosso time, não dá mais para ver nossos jovens num verdadeiro êxodo em busca de oportunidade, o número de Corumbaenses que vivem hoje em Campo Grande é quase a metade da população que vive aqui Corumbá, e grande parte disso por falta de oportunidade

Tem empresas indianas querendo investir aqui, tem empresas chinesas querendo investir, só que esses caras não têm interlocução com ninguém! E os investidores ficam esperando, uma sinalização porque eles sabem o potencial que nossa cidade e região possui”, completou.
Filiado atualmente ao PTC, partido no qual se filiou após décadas de militância do Partido dos Trabalhadores e sigla na qual disputou a última eleição, Delcídio afirma que ainda não tem uma definição partidária para o futuro, mas confirmou conversas com outras siglas.

Destino Político

Eu estou no PTC ainda, a gente precisa esperar um pouco porque deve ocorrer movimentações partidárias, eventualmente podem acontecer fusões por causa de cláusulas de barreira, então estou aguardando esse movimento, eu tenho falado com muitos partidos que tem me procurado, que tem me convidado para filiar, mas acho que agora é o momento de se ter cautela para não errar, inclusive eu estive recentemente em Brasília e eu conversei com várias lideranças partidárias nacionais”, concluiu.



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