O Dia Nacional do Teste do Pezinho é comemorado no Brasil em 06 de junho. O objetivo é lembrar a importância da triagem neonatal. O exame é considerado um dos mais importantes para se detectar possíveis problemas na saúde dos bebês e é feito entre o terceiro e quinto dia de vida do recém-nascido. Com uma picada no calcanhar, gotinhas de sangue são analisadas e podem detectar se a criança possui problemas genéticos, infecciosos ou metabólicos. O Teste do Pezinho é obrigatório no Brasil desde 1992.

Através do exame, inúmeras doenças podem ser detectadas e o tratamento pode ser iniciado nas primeiras semanas de vida do bebê. Entre as doenças estão a Fenilcetonúria, enfermidade congênita na qual o sistema digestório do bebê não consegue digerir proteína que se encontra em ovos e carne, e quando não digerida, a proteína pode se tornar venenosa para o organismo. Hipotireoidismo congênito, hiperplasia adrenal congênita, fibrose cística, deficiência de biotinidase e doença falciforme são todos problemas que podem ser descobertos com o exame neonatal.

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O Teste do Pezinho ampliado pode ainda informar se a criança tem ou não Galactosemia, Toxoplasmose Congênita, Deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, Sífilis congênita, Aids, Rubéola congênita, Herpes congênita, Doença do citomegalovírus congênita e Doença de chagas congênita. No Município de Corumbá, o exame é feito nas Unidades Básicas de Saúde.

Doença Falciforme

A Doença Falciforme, uma das que são descobertas através do Teste do Pezinho, é rara, hereditária e não tem cura. Quando diagnosticada na pessoa recém-nascida, a atenção à criança e o tratamento adequado podem melhorar a qualidade de vida do paciente. No final de 2016, foi publicado no Diário Oficial do Município o Protocolo de Atendimento Integral às Pessoas com Doença Falciforme, Traço Falciforme e outras hemoglobinopatias na Rede Pública Municipal de Saúde de Corumbá. Em todo o Mato Grosso do Sul, o município pantaneiro é o único a ter esse protocolo.

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Conforme Cláudia Natacha Bassi Dagel, que faz parte da direção executiva da Associação Corumbaense das Pessoas com Doenças Falciformes e outras Hemoglobinopatias (ACODFAL), o protocolo foi estabelecido após o falecimento de uma associada da ACODFAL que estava gestante, bem como de seu bebê. Natacha contou ainda que a paciente estava fazendo todo acompanhamento pelo SUS em Campo Grande, com hematologista, enquanto em Corumbá estava sendo atendida como gestação de alto risco.

“Ela estava recebendo todo atendimento que o SUS podia dar naquela ideia de serviço especializado. No entanto, quando internou com problema da doença falciforme, os médicos daqui não sabiam como lidar com a doença. Foi por isso que a Secretaria Municipal de Saúde estabeleceu uma comissão para montarmos protocolo que envolveu profissionais da Atenção Básica, Farmácia, Laboratório, Saúde da Mulher e representante dos médicos”, contou Natacha.

“O Protocolo Municipal foi feito com base em uma legislação nacional que é a Diretriz de Atendimento Integral das Pessoas com Doenças Falciforme com a linha de cuidado na Atenção Básica. Essa diretriz foi estabelecida em 2005, mas temos uma legislação nacional do Programa de Anemia Falciforme que era direcionado pela coordenação de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde. Todo esse atendimento é feito em Campo Grande, pelo Hemosul, por isso, o protocolo é importante para a gente trazer esse atendimento para a Atenção Básica. É um acompanhamento paralelo com o atendimento especializado que se faz na Capital”, completou.

Desde setembro de 2017, a ACODFAL tem feito capacitações nas Unidades Básicas de Saúde para que todos os profissionais entendam o que é essa linha de cuidado e qual a importância da rede de saúde no Município para se pensar no protocolo municipal. A ACODFAL fará também capacitação no setor de urgência e emergência, no Pronto-Socorro e em todas as unidades que compõem a rede de saúde de Corumbá.

O que é a doença

Nosso sangue é formado por milhões de células chamadas hemácias, os glóbulos vermelhos. As hemácias são arredondadas, achatadas e elásticas e possuem pigmento denominado hemoglobina, responsável por levar oxigênio dos pulmões para todo o corpo através da corrente sanguínea, para que todos os órgãos funcionem normalmente. As hemoglobinopatias são doenças genéticas que afetam a hemoglobina. A doença falciforme é o exemplo mais comum das hemoglobinopatias.

Anemia falciforme é uma doença hereditária (passa dos pais para os filhos) caracterizada pela alteração dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia. Conforme Ministério da Saúde, são sintomas da doença dores intensas por causa da obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice. A dor é mais frequente nos ossos e nas articulações, podendo, porém atingir qualquer parte do corpo. Cor amarelada nos olhos e na pele também é sintoma porque quando o glóbulo vermelho se rompe, aparece um pigmento amarelo no sangue que se chama bilirrubina, fazendo com que o branco dos olhos e a pele fiquem amarelos.

Nas crianças pequenas as crises de dor podem ocorrer nos pequenos vasos sanguíneos das mãos e dos pés, causando inchaço, dor e vermelhidão no local. Pessoas com doença falciforme têm maior propensão a infecções e, principalmente as crianças podem ter mais pneumonias e meningites. Por isso elas devem receber vacinas especiais para prevenir estas complicações. É comum terem feridas nas pernas, mais frequentemente próximo aos tornozelos, a partir da adolescência. As úlceras podem levar anos para a cicatrização completa, se não forem bem cuidadas no início do seu aparecimento.

O baço é o órgão que filtra o sangue. Em crianças com anemia falciforme, o baço pode aumentar rapidamente por sequestrar todo o sangue e isso pode levar rapidamente à morte por falta de sangue para os outros órgãos, como o cérebro e o coração. É uma complicação da doença que envolve risco de vida e exige tratamento emergencial.

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