Para que a investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul conseguisse angariar provas e concluisse a denúncia de associação criminosa, corrupção ativa e passiva, que levou a prisão do Prefeito de Ladário Carlos Ruso, do secretário de educação e de mais sete vereadores, foi necessária a ajuda fundamental de três figuras do Legislativo do município de Ladário: os vereadores Fábio Peixoto de Araújo Gomes, presidente da Câmara, o vice Daniel Benzi e o primeiro-secretário da Câmara, Jonil Junior Gomes Barcellos.

Conforme os autos do processo, as suspeitas do esquema de "mensalinho" envolvendo o Poder Executivo e Legislativo, no municipio de Ladário, eram antigas e já denunciadas pelos vereadores citados acima. Todavia, eles não possuíam provas cabais que fossem suficientes para incriminar os denunciados. 

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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) chegou de identificar em julho de 2017, por meio de interceptação telefônica, uma conversa entre o vereador preso Vagner Gonçalves com o servidor público municipal Reinaldo, na qual Vagner fazia reclamações de que o vereador Jonil Junior Gomes Barcellos havia denunciado “todo mundo” ao Ministério Público, afirmando, ainda, que “os caras vão querer derrubar, e eles já sabem de muita coisa”.

Mas as provas ainda eram insuficientes.

Para tanto, auxiliado pelo Ministério Público, os vereadores Fábio Peixoto de Araújo Gomes, Daniel Benzi e Jonil Junior, simularam desejar participar do esquema criminoso, angariando provas cabais que levaram à prisão de nove políticos de Ladário, incluindo o Prefeito, Carlos Ruso.

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Em abril de 2018, o Presidente da Câmara, o vereador Fábio Peixoto entrou em contato com ex-secretária administrativa Andressa Paraquett, concordando em “entrar na jogada” da associação criminosa já constituída.

Na ocasião, em nome do prefeito Carlos Ruso, Andressa prometeu-lhe, caso levasse consigo os vereadores Jonil Junior Gomes Barcellos e Daniel Benzi para a base aliada do Prefeito, a referida mesada de R$ 3.000,00 para cada, o que totalizaria R$ 9.000,00 (nove mil reais), valor que, em 11 de maio de 2018, conforme depoimento e Auto de Apresentação e Apreensão de fls. 10-11, foi entregue pessoalmente pelo prefeito.

A propina paga pelo prefeito Carlos Ruso, foi entregue pelo vereador Fábio Peixoto de Araújo Gomes ao Ministério Público - Auto de Apresentação e Apreensão de f. 11, e inclusive já foi depositado em conta judicial.

Embora as fortes retaliações que o trio sofreu e continua sofrendo, sejam estas diretamente ou através das mídias sociais, os vereadores mantèm a postura firme frente as investigações que ainda prosseguem. 

Em entrevista ao site TopMídiaNews, o vereador Jonil alegou que foi ameaçado assim que os envolvidos tomaram conhecimento que ele, juntamente com os vereadores Fábio Peixoto de Araújo Gomes (PTB), atual presidente e Daniel Benzi (MDB), fizeram a denúncia.

"Logo no começo que souberam da denúncia fizeram ameaça e disseram que iriam bater na minha cara. Mas não chegaram a fazer nada comigo", comentou o vereador.

Ao ser questionado se poderia pedir proteção policial, o vereador afirmou que ainda não havia pensando na possibilidade. "Agora eu não sei, principalmente devido ao calor que está as investigações", comentou.

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