Antônio Nunes, 35, e Maicon Luciani, 31, moram na mesma cidade, têm amigos em comum e atuam na mesma empresa. A dupla descobriu, por acaso, que também faz parte da mesma família: são irmãos.

O caso inusitado ocorreu em Blumenau (SC), a 140 km de Florianópolis. Tonho do Gás, como o empresário é conhecido na cidade, tem 33 funcionários em cinco pontos de revenda de gás.

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Em fevereiro, ele levou Maicon para uma viagem curta. A ideia era mostrar ao funcionário contratado no mês anterior a logística de transporte e carregamento de gás em outra localidade.

Na volta da viagem, quando pararam para jantar, Antônio notou que Maicon cochilava sem perceber e alertou para a saúde do funcionário. “Eu falei pra ele que meu tio-avô tinha esse cacoete por causa do peso e que ele tinha que se cuidar”.

Ao falar de família, Maicon revelou a Antônio que fora adotado e que, ao fazer 18 anos, a mãe adotiva lhe deu informações cruciais sobre sua origem, caso tivesse interesse de ir atrás dos pais, o que nunca fez.

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“Comentei que meu sobrenome antes de ser adotado era Nunes. O Antônio ficou me olhando com cara estranha”.

Contou ainda que o nome da mãe biológica era Zulimar, que sabia que um irmão também tinha sido encaminhado para a adoção e um outro irmão ficado com os avós.

“Ele [Antônio] e o Fábio [outro funcionário que os acompanhava] seguiram me olhando com aquela cara de ‘conta mais’. A ficha ainda não tinha caído pra mim.”

Já Antônio teve certeza de que o novo funcionário era o caçula da família. “Eu olhei pra ele e falei ‘tu é meu irmão, cara’. A história fechou”, conta.

Maicon não sabia que o patrão já tinha tentado, sem sucesso, encontrá-lo e já havia reunido algumas poucas pistas.

Um desses fiapos de história foi contado por uma cabeleireira que intermediou a adoção, prática comum na época -o processo de adoção, ainda assim, foi formalizado na Justiça.

Antonio foi procura-la e soube que, há alguns anos, em uma fila para votar nas eleições, a cabeleireira havia encontrado a mãe adotiva e Maicon.

Antônio quis saber mais, mas a cabeleireira não havia perguntado detalhes, como o endereço da família adotiva.

Mãe solteira e com dificuldades financeiras nos anos 1980, Zula, 55, apelido de Zulimar, deixou Antônio ainda bebê com os pais dela e saiu de casa para trabalhar em fábricas, lanchonetes e em residências como doméstica.

Um ano depois de Antônio nasceu Jefferson. Para o menino não passar fome, segundo a mãe, o destino foi a adoção.

Depois veio nova gestação, e Maicon foi adotado por outra família.

“Naquela época não se falava de métodos contraceptivos”, diz ela.

Zula afirma que sente por não ter acompanhado o crescimento dos filhos e que o momento mais doloroso foi quando entregou os bebês.

“(Senti) tristeza. Fiquei sem chão”.

Há três anos, Antônio encontrou o irmão do meio, Jefferson Greueli, 34. Juntos, tentavam desde então completar o trio, mas não encontravam Maicon.

Eles só contavam com a data de nascimento e o primeiro nome do pai adotivo dele, João. Também supunham que eles ainda morassem na cidade.

“Se você não quer falar com um familiar, é uma escolha sua. Agora, você não ter essa chance porque ela foi tirada de você é não ter escolha”, afirma Antônio.

Agora, com a família reunida, os desajustes do passado rendem risadas. Maicon lembra do dia em que foi chamado pelo chefe para liberar botijões de gás para uma colega de outra filial da empresa.

A entrega dos botijões foi feita para Zula, que trabalha na distribuidora de gás do filho. Sem saber, naquele dia havia falado com o irmão e a mãe.

“Ele caminhava muito devagar e pensei: ‘Que pamonha esse menino’. Depois, descobri que era meu filho”, diz Zula.

“Eu não queria me sujar”, explica Maicon que ainda está construindo os laços com a família biológica. “Eu fui criado como filho único, ainda estou me acostumando a ter irmãos. Estou aprendendo”.
No último mês, os três irmãos conseguiram reunir a família biológica com as adotivas. Antônio é casado e tem três filhos, Jefferson tem dois e Maicon é noivo, sem filhos.

“Eu nunca procurei [a família biológica]. Eu sempre tive muito medo de encontrar meus irmãos. Pensava: ‘Vou encontrar que tipo de pessoa?’. Eu levei sorte que saí de uma família legal”, diz. “A sensação é de se completar. Saber que não precisa correr atrás de algo que falta em você”, afirma Antônio.

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