Morales e Putin, em encontro na capital russa, confirmaram acordo para venda de gás à Acron, em Três Lagoas. (Foto: ABI/Divulgação)

Um acordo anunciado nesta sexta-feira (12) com a chancela dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Rússia, Vladimir Putin, tem potencial para incrementar a economia de Mato Grosso do Sul. A YFPB (Yacimientos Petroliferos Fiscales Bolivianos, estatal boliviana do setor) acertou o fornecimento, a partir de 2023, de 2,2 milhões de metros cúbicos diários de gás natural à unidade em Três Lagoas – a 338 km de Campo Grande– da russa Acron, que assumiu a planta de fertilizantes que a Petrobras construía no município.

Como resultado, 66 milhões de metros cúbicos mensais de gás natural serão bombeados a mais e encaminhados pelo Gasoduto Bolívia-Brasil e a MS Gás para a fábrica da Acron. O grupo russo também acertou a cessão de 12% da unidade no Estado à YFPB, com opção de ampliar a participação para até 30%.

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O gás natural boliviano é um dos principais contribuintes com o ICMS sul-mato-grossense. Em junho, foram R$ 72 milhões arrecadados com o gás boliviano, montante em queda na comparação com as vendas de 2018. O acordo entre a Acron e a YFPB já havia sido confirmado pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), durante agenda em Santa Cruz de la Sierra há cerca de um mês.

Após idas e vindas judiciais que liberaram a venda de alguns ativos da Petrobras, a Acron acertou o pagamento de R$ 3 bilhões à estatal brasileira pela UFN-3 (a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados em Três Lagoas), projetando investir mais R$ 5 bilhões para concluir a fábrica –que tem pouco mais de 80% de sua estrutura concluída. O grupo russo ainda fechou o pagamento de R$ 40 milhões a cerca de 180 fornecedores que aguardavam pagamento por serviços prestados.

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YFPB e Acron ainda fecharam a criação de uma joint-venture para negociar a ureia fabricada em Três Lagoas e na planta boliviana de Bulo Bulo.

Longo prazo – Além do negócio com a Acron, a YFPB também fechou com a russa Gazprom (gigante mundial do setor de gás natural) um contrato para exploração da área de Vitiacua, no sudeste do Chaco –próximo à fronteira com o Paraguai– cujas reservas de gás são estimadas em 2,13 trilhões de pés cúbicos.

Estima-se que Vitiacua pode corresponder a um quinto da atual produção de gás na Bolívia –de 60 milhões de metros cúbicos diários–, injetando no mercado mais 12 milhões de metros cúbicos do combustível por dia até 2028. Para tanto, estima-se um investimento de US$ 1,1 bilhão, a ser capitaneado pela Gazprom e YFPB em parceria com outros grupos.

A empresa russa já atua na Bolívia há cerca de dez anos, porém, como parceira menor de empreendimentos. Sua principal parceira até aqui é a francesa Total.

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