Afrodite Almeida Araújo, 70, é trans e caminhoneira; é pai e já foi pastor e militar - Karime Xavier/Folhapress

​A caminhoneira trans Afrodite Almeida de Araújo (70) foi chamada pela empresa Shell para atuar em um comercial de postos de gasolina.

Afrodite, que é uma mulher trans, isto é, uma mulher que biologicamente foi designada homem, impressiona pela mudança radical na sua trajetória de vida.

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A caminhoneira é ex-militar e ex-pastor. Também é pai e avô de família, e recebe atualmente o apoio da única filha e da neta sobre sua afirmação de identidade de gênero. Ela já foi casada duas vezes com mulheres.

Afrodite nasceu em Curitiba, mas cresceu em Corumbá, onde atuou como militar do Exército entre 1968 à 1971. Sua maior preocupação no Exército era “ser descoberta”.

“Minha maior preocupação era ser ferido, porque sempre tiram a roupa de quem se feriu, para socorrer”. Segundo Afrodite, não raramente, por baixo da farda de soldado do Exército, ela usava uma lingerie.

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O hábito continuou ao virar, anos depois, pastor da Assembleia de Deus. Ideia da segunda mulher, “uma baixinha crente de 100 kg” que fez a caminhoneira espírita aderir à fé evangélica por um tempo. Afrodite conta que gostava dos estudos bíblicos, gostava de verdade. E gostava ainda mais de usar paletó, sobretudo os mais grossos, pois dava para vestir sutiã com bojo sem ninguém perceber.

Já sexagenária, ela começou a tomar anticoncepcional e injeções de hormônio feminino, sem prescrição, para ver se aumentava as mamas e afinava os pelos, que sempre foram poucos em seu caso. Veio o diagnóstico de gordura no fígado, um efeito colateral, e a bronca do médico, que lhe receitou um gel próprio para ela. Quer fazer cirurgia de mudança de sexo, mas a filha acha que não precisa, “que já estou bonita assim”.

Atualmente, Afrodite será a primeira transgênero a atuar um comercial sobre diversidade da Shell.

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