Continua fechada a fronteira com a Bolívia em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, após protesto de bolivianos na madrugada desta quarta-feira (23). A travessia para o país vizinho está impossibilitada há mais de 19 horas, desde a meia noite do dia 23, no horário sul mato grossense, sem previsão de liberação. O grupo que coordena a manifestação não concorda com a situação da eleição presidencial na Bolívia. A mobilização é pacífica.

Carros e motos estão impedidos de atravessar a fronteira nos dois sentidos. A travessia só pode ser feita a pé. Cerca de 4 mil bolivianos vivem em Corumbá. De acordo com o representante do Comitê Cívico de Puerto Quijarro, Marcelito Moreira, que está a frente do movimento, a fronteira só será liberada após o Tribunal Supremo Eleitoral do país garantir o segundo turno das eleições.

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Parte do comércio de Porto Quijarro, primeira cidade boliviana vizinha a Corumbá, também aderiu ao movimento e fechou as portas. Bancos estão sem funcionar e os mercados fecharam a portas ao meio dia. A paralisação nacional também afeta os transportes. Trens que circulam por todo o país estão parados desde o início das manifestações.

A rodoviária de Porto Suares, há 15 km da linha internacional com o Brasil, que recebe cerca de 400 passageiros por dia está vazia. Na região, os manifestantes fizeram bloqueio semelhante aos que estão sendo feitos em toda Bolívia.

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Impasse nas eleições

Com mais de 95% dos votos apurados, não se sabe ainda se haverá um segundo turno entre Evo Morales e o opositor Carlos Mesa. No domingo (20), os resultados mostrados pelos dois métodos de contagem usados nas eleições bolivianas eram muito divergentes, o que gerou protestos e acusações de fraude.

O Tribunal Supremo Eleitoral do país, então, suspendeu a publicação dos números do sistema preliminar (conhecido como TREP). Quando a contagem rápida foi suspensa, o TREP havia contabilizado 84% dos votos válidos e dava 45,28% para o presidente Evo Morales, contra 38%,16 para Carlos Mesa, o que quase garantia um segundo turno. Mas após uma paralisação de 20 horas na apuração, na noite de segunda-feira (21), houve mudança radical, com a eleição de Morales no primeiro turno.

Houve protestos no país após o anúncio de um novo mandato do atual presidente. Para vencer a disputa já no primeiro turno, Morales teria que conseguir 50% dos votos válidos mais um ou 40%, mas com pelo menos dez pontos a mais do que o segundo colocado. O segundo turno, caso ocorra, será no dia 15 de dezembro.

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