Corumbá - Uma onda de revolta e protestos tomou conta do país vizinho Bolívia desde as suspeitas de fraude eleitoral envolvendo o resultado que favorece o governo de esquerda que comanda atualmente o país, Evo Morales - que se permanece no poder desde 2006.

O Tribunal Supremo Eleitoral e o governo da Bolívia apontaram, na noite de segunda-feira (21), o atual presidente Evo Morales como vencedor, em primeiro turno, das eleições presidenciais.

Matéria continua após a publicidade

Mas protestos em quatro departamentos (La Paz, Potosí, Chuquisaca e Cochabamba) interromperam a contagem e adiaram os resultados finais.

Para ser eleito, na Bolívia, é preciso obter 50% dos votos mais um, ou 40% e uma diferença de dez pontos percentuais para o segundo colocado. No momento do fechamento deste texto, a diferença era de 10,1 pontos percentuais.

Logo depois da divulgação do tribunal eleitoral, o opositor Carlos Mesa disse não reconhecer o resultado.

Matéria continua após a publicidade

O ex-presidente pediu que “uma missão de observadores internacionais possa emitir um pronunciamento, denunciando que houve fraude eleitoral”.

Evo Morales obteve a permissão para concorrer às eleições deste ano apesar de isso violar a Constituição boliviana, que estabelece que só é possível uma reeleição. Evo já havia recorrido em 2014, quando concorreu ao terceiro mandato, alegando que sua primeira eleição não valia, afinal tinha ocorrido antes da nova Constituição, que foi promulgada em 2009.

Já para a atual, Evo havia convocado um referendo, em 2016, para tentar mudar a Carta. Acabou ganhando o “não”, e ele passou a buscar novos recursos para burlar o artigo da Constituição. Acabou apelando para a Declaração Universal de Direitos Humanos, que afirma que todo cidadão deve ter o direito de concorrer a cargos públicos. Desta forma, alegou que, se não pudesse concorrer ao quarto mandato, estaria tendo seu direito humano violado. O tribunal constitucional boliviano acatou.

Ainda assim, criou-se a polêmica, a oposição foi contra, e desde então há protestos de rua frequentes contra sua candidatura.

No sábado, o presidente colombiano, Iván Duque, afirmou que denunciaria Evo Morales ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos por conta de sua candidatura, que considera ilegal.

“Nós vamos manter a pressão para que os organismos internacionais e os países da região se pronunciem contra a instalação de uma ditadura na Bolívia”, disse à Folha o ex-presidente e aliado de Mesa Jorge Quiroga. “Não vamos deixar que Evo roube a Presidência”, afirmou.

FRONTEIRA FECHADA

Bolivianos que vivem na fronteira Brasil/Bolívia estão avisando parentes e amigos para que não entrem no país vizinho:

“Não é seguro, a coisa vai ficar bastante feia. Evitem a Bolívia até as coisas se acalmarem por aqui.”

Disse uma boliviana que vive na fronteira e não quis se identificar.

O Comitê Cívico Pueto Quijarro e o Comitê Província Gérman Busch se manifestaram em uma nota, convocando a população para atos cívicos - e entre elas, o fechamento da fronteira.

Veja a nota, distribuída nas redes sociais:

Dê sua opinião, comente esta matéria!

ATENÇÃO: Os comentários desta matéria são gerenciados pelo Facebook - que posta, agrega os comentários e os exibe nesta página. Este site não se responsabiliza por qualquer comentário indevido, feito à qualquer pessoa ou instituição - sendo cada comentário, de inteira responsabilidade dos seus respectivos autores e as denúncias deverão ser encaminhadas diretamente ao Facebook.

Já leu?

Leia nossos Artigos